literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.
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19 de março de 2011

Vale por um poema do Manoel de Barros


Nota: a foto é de um ninho de passarinhos que foi retirado de dentro do suporte de luz que fica na frente de casa. Observa-se que o ninho fora construído com gravetos e folhas secas, mas também com plástico, arame, cabelo... Ah, e apenas retiramos o ninho muito tempo depois de já ter sido abandonado.

10 de agosto de 2010

Com valor e fibra, tu és o orgulho de Santa Maria

Do G1: Site do Chivas comete erro e publica escudo do Inter de Santa Maria. Serviço da final da Libertadores vem com gafe; nas outras seções da página, porém, o escudo colorado está correto.
 
Colorado, com um pé na América e outro no Mundial...

9 de outubro de 2009

Da materialidade da Literatura


A prática de ensino de Literatura, tanto na universidade quanto em outros níveis do ensino, tem apontado o nosso distanciamento do objeto livro. The book isn’t else on the table. A facilidade e praticidade das fotocópias ou montagens que contém fragmentos de obras ou textos curtos servem a fins didáticos; mas, se a literatura se faz de livros publicados (e cabe aqui o questionamento), quanto o laboratório de distingue da realidade? Que implicações há em negar o suporte próprio da Literatura no processo de leitura?

Entre essas e outras perguntas, propus em uma aula no Pré-Vestibular Popular Alternativa uma atividade que priorizasse o contato com livros. Afim de esclarecimentos: esse projeto que comemora 10 anos é um dos espaços de inclusão da universidade voltado para a comunidade santa-mariense que não tem condições econômicas de arcar com a preparação para o vestibular. A coordenação do projeto e as aulas são por conta e organização de alunos voluntários das universidades da cidade, com o suporte institucional e financeiro da Pró-Reitoria de Extensão da UFSM.

Desde 2004 tenho a oportunidade de trabalhar no Alternativa ministrando aulas, sobretudo de Literatura Brasileira. Depois de uma pausa de dois anos em virtude da dedicação ao mestrado, retornei à sala de aula, inicialmente em parceria com a Profª Priscila do Prado. Para esse ano, delineamos a disciplina privilegiando em um primeiro momento a poesia para, só depois, dedicarmo-nos à prosa.

(As leituras indicadas para a prova de Literatura Brasileira
do vestibular 2010 da UFSM podem ser encontradas
aqui)


Enfim: em meio às reflexões propiciadas pela abordagem à poesia moderna brasileira, principalmente no questionamento aos limites da “arte” e sua aproximação com a “vida”, propus uma atividade que estimulasse o contato com os livros. Mas, longe de levar autores consagrados em re-re-reedições atualizadas revisitadas remasterizadas, levei-lhes alguns livros de poemas que tinha em casa, de poetas de diferentes gerações e mais ou menos conhecidos em seus sub-sistemas literários.

Dei a oportunidade que escolhessem, em duplas ou trios, um livro a julgar pela capa, textura, bitola e título. E assim eles teriam que verificar informações no livro sobre o autor e suas obras, ler alguns poemas e destacar elementos que lhes pudessem chamar atenção. Considerando-se a variável de interesse, a atividade de uma forma geral foi muito satisfatória: mãos manipulavam livros e liam com os dedos, redescobrindo os poemas em uma unidade produtora de sentido, ao lado de outros poemas e de cores e imagens e formatos.

* * *

Alguns livros foram mais bem aceitos do que outros. Obviamente destacarei os que tiveram destaque positivo.

O poeta que assume uma relação intensa e ambígua com Brasília, Nicolas Behr, teve uma ótima receptividade. Vinde a mim as palavrinhas (2005) é uma compilação de textos publicados mimeografados pelo autor, à margem do mercado editorial, que visualmente destaca-se pelas fontes que remetem às máquinas de escrever. Assim também é Braxília Revisitada (2005), cujos poemas-piada retomam a lírica de Oswald de Andrade, os alunos estimularam-se pela leitura e seus jogos de linguagem e de sentido:

DAS DUAS UMA

ou tiro sai
pela culatra
ou sai
pela nuca
de grão em grão
a galinha
enche o papo
de palavra em palavra de palavra
em palavra de palavra em palavra
de palavra em palavra de palavra
em palavra de palavra em palavra
de palavra em palavra de palavra
este poema enche o saco


(Nicolas Behr, Vinde a mim as palavrinhas)

alô? eu queria falar com
a substituta da assistente da
secretária da coordenadoria

da secretaria da assessoria
da chefia da procuradoria da
defensoria da corregedoria
da ouvidoria da dona maria
que está na portaria.
ah, saiu? não volta mais hoje...

no princípio era a lama
a lama virou cama
a cama virou câmara

onde eles legislam
deitam e rolam

(Nicolas Behr, Braxília revisitada vol.1)

Outro poeta que despertou o interesse dos alunos foi Delalves Costa, a partir de Coisas que faltam em mim (2006) e Considerações pre-maturas & outras ausências (2008). Alunos surpreenderam-se com a informação de que há jovens poetas gaúchos publicando atualmente, o que propiciou um debate acerca
das instituições legitimadoras da Literatura. Afinal, cada vez mais temos mais leitores e, por outro lado, mais escritores disputando um lugar ao sol: como professor, formador de opinião, não nego (e nem devo negar) o meu papel como (uma) instância legitimadora. Com essa atividade amplio o conhecimento dos alunos em relação à textos e escritores (até então ignorados pelos alunos), o que me concede estender, pouco a pouco, os limites da Literatura.

Em Coisas que faltam em mim, os sentidos dos poemas estarão em jogo com o próprio formato inusitado do livro: a capa é um envelope, no qual temos as páginas dos poemas soltas, como cartões da sorte para serem lidos aleatóriamente. A unidade e a linearidade do livro faltam, o que dilacera a posição do sujeito-lírico à procura de si, das ausências e do indizível. É preciso portanto descobrir-se e redescobrir a própria poesia no instante ou na temática surpreendente, como acontece também em Considerações Pre-Maturas & Outras Ausências. O cotidiano apresenta a sua poesia pelo olhar do poeta em busca do que lhe é ausente ou indizível:

O TÁXI

E assim... de malas prontas
me olhava como se escrevesse
uma carla a la canhoto
(ainda que minha, palpitasse!)...
Com o olhar pequeno
à procura de voz
à procura de nós
à procura de fantasmas
para levá-la ao táxi!...
De um homem deveras gentil
que lhe abrisse a porta,
de um romântico
que lhe desse o beijo!
Enfim!... De última hora
à espera de alguém
para desfazer suas malas
apenas com um "não se vá!"...
Mas o táxi sinalizou à direita
e logo à esquerda
me levando... me levando...
te levando e se foi!...

(Delalves Costa, Considerações Pre-Maturas & Outras Ausências)


COISAS QUE FALTAM EM MIM

Faltam ruas, sobro em disfarces.
Eu sei. São infindáveis
Os caminhos a seguir.

Mas vou disfarçando sem pressa
Para não sentir em minhas ausências
As coisas que faltam em mim.

(Delalves Costa, Coisas que faltam em mim)

Por fim, destaco ainda


* * *

a

[postagem inconclusa]

12 de agosto de 2009

Bate-papo com Igor de Fato

Igor de Fato: Che, tu viu a matéria que postei no meu blog? É exclusiva do IGOR DE FATO! É um furo!

Blog do Berned: Sim, li... De fato, eu tinha comentado algo com a Luciéle a respeito do postinho Wilson Noal. Tá visível a depredação. Percebemos que cadeiras estofadas foram retiradas e não foram repostas; e a pediatra que ia com regularidade está indo apenas umas duas vezes por semana.

***

Essa semana o blog IGOR DE FATO entrevistou com exclusividade a coordenadora do Conselho Municipal de Saúde de Santa Maria, Rosa Maria Salaib Wolff:

Rosa Wolff - Estamos vivendo no município um total desmonte da saúde pública. As equipes de Saúde da Família foram demitidas sem que tivesse havido concurso publico para recompor os quadros, e 16 unidades de saúde estão fechadas ou atendendo sem médicos ou enfermeiros. Cada uma dessas unidades era responsável por 4.500 pessoas, e como vemos, temos 70.000 sem nenhuma assistência nesse momento que temos a gripe H1N1 solta por aí. Apenas na zona sul temos 500 pessoas acamadas (não saem da cama) e que recebiam atendimento das equipes, e que agora não têm essa atenção. São pessoas que usam por exemplo sonda vesical pois não conseguem urinar; essas sondas têm que ser trocadas a cada 3 dias, senão provocam infecção, que nessas pessoas é potencialmente fatal. Quando colocado isso ao secretário de saúde, ele respondeu que esses doentes não eram de agora e sim da gestão passada, e que ele tem que resolver problemas de agora”.

No mais, conversávamos eu e Igor sobre pessoas conhecidas (será você?) que vivem as contradições da dita pós-modernidade... Trata-se de uma conversa informal de botequim pelo Google Talk, que, portanto, não fundamenta – ao menos em princípio – teoricamente certas reflexões críticas.

"Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas ou com fatos reais terá sido mera coincidência".

***

[...] Igor de Fato: É a pós-modernidade. [fulanos] são tipicamente pós-modernos.

Blog do Berned: Não é uma questão de indivíduos serem ou não serem, Igor... Digamos que [fulanos] vivem as contradições da pós-modernidade. Mas todos estamos inseridos em uma realidade pós-moderna.

Igor de Fato: Discordo, pois sustento que a modernidade ainda não acabou. A pós-modernidade é uma ideologia, não é um tempo.

Blog do Berned: Também concordo que a modernidade ainda não acabou... Senão não seria pós "modernidade". Talvez seja uma ideologia, em princípio discordo, mas não sei... Sei que é pela pós-modernidade que podemos conviver com essas multiplicidades sociais, e inclusive poder viver com essas próprias contradições. E concordo que a modernidade não acabou: vejo a "pós" como apenas mais uma das tantas facetas da modernidade. Se é uma ideologia, estamos imersos nela também.

Igor de Fato: O pós-modernismo fundamentalmente é a crença no fim dos grandes projetos e a negação das grandes utopias.

Blog do Berned: A questão é que é fato... De uma maneira geral somos levados a não crer em grandes projetos e a acreditar no fim das utopias... Se ainda há os que acreditam, é por pura resistência... Como no nosso caso.

Igor de Fato: Uhum. Mas estamos num momento de mudança. Nos últimos vinte anos foi resistência pura. Agora já se fala em socialismo do século XXI, tem 8 edições do Fórum Social Mundial, e o neoliberalismo está em crise. É um outro momento pra se falar em grandes projetos, em socialismo; é um momento melhor do que os anos 90.

Blog do Berned: Sim... Podemos viver uma mudança... Mas é justamente a pluralidade de "ideologias", sua coexistência em tensão mas passível de convivência, e a vivência de contradições inerentes a essa pluralidade que eu vejo como "pós-moderna". E o fato de admitir que vivemos na pós-modernidade não é necessidade de aceitar, mas poder ser protagonista da mudança, mesmo quando a nossa ideologia nos exerce uma pressão de que "não vale a pena".

Igor de Fato: Sereno Pablo, sereno. Eu avalio que estamos numa ressaca da queda do muro ainda. A coisa mais extraordinária que surgiu depois da queda foi o Fórum Social Mundial. Foram os caquinhos sendo juntados: "um outro mundo é possível". Depois disso, governos começaram a colocar em prática experiências contra-hegemônicas. A América Latina está em ebulição. A China ainda fala em socialismo, e a Coréia, Vietnam, Cuba. Em todo mundo a hegemonia estadunidense sendo negada, embora ainda seja hegemonia. Por isso vejo muita esperança, pois existe luta. E onde há luta há esperança. Existe ainda uma dificuldade de projetos consensuais, mas alguns consensos estão se formando. No andar da carruagem as melancias se ajeitam.

Blog do Berned: Sim... Concordo contigo. “Outro mundo é possível”. É possível também que haja diferentes facetas da dita "pós-modernidade". E ela pode estar em derrocada, possivelmente; mas isso não pode ser visto como "a" modernidade ainda, mas talvez um outro desdobramento ainda da mesma modernidade, que hoje é tida como "pós". Mas é fato... se o mundo mudou depois da queda do muro... Vivemos a possibilidade de uma outra guinada... Não mais de bipolaridade, nem de hegemonia estadunidense, mas de apoios multilaterais, descentralizados e de respeito às soberanias.