literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.
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7 de setembro de 2011

Uma coisa que leva a outra e, por sua vez, a outra, e a outra...

A propósito, inicialmente, do vídeo intitulado EL EMPLEO:


A leitura do conto “O arquivo” [1], de Victor Giudice (indicado pelo André Cruz, realizada no vídeo pelo Antônio Abujamra) me remete (como não poderia deixar de ser) ao "Operário em Construção" [2], de Vinícius de Moraes, que, em contraposição ao protagonista de Giudice, disse NÃO. Baixar a cabeça - calar e, portanto, consentir - também é tema de "Casa tomada", de Cortázar [3] e de poemas de Maiakóvski [4] e de Brecht [5]. Quando a resignação do espírito - do operário - é aproximada das relações de trabalho, evidencia-se a lógica da produção e do capital, nada humanizadora. Assim, dizer não é contrapor-se a essa lógica, seja pela manutenção de direitos conquistados, seja no avanço para a construção de uma sociedade cada vez mais justa e igualitária. E, se a literatura propõe-se a construir universos paralelos a partir de situações hipotéticas, que nos permite uma identificação – embora com certo distanciamento – ao olharmos no espelho, o que percebemos, senão as nossas próprias contradições e as contradições da própria realidade que nos circunda?

[1]


[2]


[3]


[4]
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada
. (Maiakóvski)

[5]
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
. (Bertold Brecht)

12 de janeiro de 2011

Oportunidades

Ir ou não ir? O calor insuportável de Santa Maria tinha sido interrompido por uma chuva forte ao final da tarde. Deveríamos ir, eu e Miguel, para aquela chuva, brincar na calçada? O primeiro impulso – como “adulto” – é o de não ir. Como assim, sair para tomar banho de chuva? Não que me importe com o que os outros pudessem pensar: de fato, não me importo com isso. Ou melhor, não quero me importar, esforço-me para não me importar com o que os outros pensem de mim, das minhas coisas, do que eu faço ou deixo de fazer. A dúvida em ir não durou mais do que cinco segundos, mas é como se o tempo tivesse parado a fim de que eu pudesse refletir sobre se deveria ir ou não ir. A prudência recomendaria que não fôssemos, se considerarmos todas as recomendações de nossos médicos, noticiários, mães, avós, policiais e benzedeiras. Tomar banho de chuva pode dar um resfriado, talvez até uma tuberculose! Um "resbalo" e uma queda de mau jeito poderiam trazer problemas sérios! Ora, como os seres humanos são frágeis! Já é um milagre a minha existência, se pensarmos em toda a trajetória da carga genética que trago em mim, que constitui o que sou, e que veio dos meus pais e dos meus avós, de Adão e de Eva, dos primórdios da humanidade, dos ancestrais primatas e do primeiro ser vivo: um ser unicelular, com membrana, material genético e um monte de composto orgânico que formava o seu metabolismo. Meu ancestral não morreu – não ao menos antes de passar a carga genética que nos une – nem na Segunda Guerra Mundial, nem na Guerra dos 100 anos, nem durante a Peste Negra ou durante a caça às Bruxas, nem no incêndio de Roma por Nero ou na destruição de Sodoma e Gomorra por Deus, nem foi pisoteado por um mamute, nem comido por um dinossauro ou morrido junto com eles pela queda de um gigante meteoro. Se a minha carga genética sobreviveu às Eras Glaciais e ao Dilúvio, qual o risco em tomar o banho de chuva? O que eu sei é que minha mãe sempre me diz que faz bem à saúde tomar um copo de água todo dia logo após acordar. Mas li, outro dia, na internet, que bom mesmo é tomar uma colher de azeite em jejum. Afinal, devemos tomar água ou azeite ao acordar para manter a boa saúde? Ou não tomar nada e ir logo escovar os dentes? Espreguiçar-se, estalar os dedos, bocejar, coluna ereta, remédios, lentes de contato, sabonete, fio dental, creme para o cabelo, desodorante, xixi, cocô. Cotonetes: usá-los ou não usá-los? Que dilema mortal! Sempre usei cotonetes, mas de uma hora para outra viraram os vilões dos ouvidos. Menos mal que as recentes pesquisas nos Estados Unidos liberaram os ovos! Agora podemos comer ovos todos os dias sem nos preocuparmos com o colesterol! Ou não, já que não há nada mais impreciso, superficial e inconstante do que as pesquisas idiotas recém divulgadas nos EUA, e que são repassadas para nós – pessoas comuns – pelo jornal Hoje e pelas páginas de emails. E então, tomar água ou azeite de cozinha? Pode ser óleo de soja, ou tem que ser de girassol ou de oliva? Não tomar nada? Misturar os dois? Ah, não, água e óleo não se misturam. Uma solução é às segundas, quartas e sextas tomar água ao acordar, e às terças, quintas e sábados tomar óleo: no domingo eu vou dormir até o meio-dia, e não vou me preocupar com isso. Além do mais, tenho que me matricular na natação, na ioga, no pilates, no aikido, no inglês, na academia... Porém, devo procurar a sensação de paz e de felicidade pagando por ela? Conta, boleto, promoção, cheque, cartão de crédito, dívida no banco, cartão telefônico, sedex, empréstimo, parcela a partir de 24 vezes sem juros, imposto de renda, matrícula, taxa disso, taxa daquilo, desconto, pedágio, mensalidade,  folheto promocional, propaganda, telemarketing, contracheque, SPC, SERASA, IPTU, IPVA, ICMS, consumismo, imperialismo, anarquismo, nacionalismo, barbarismo, catecismo, futurismo, dadaísmo, capitalismo, eufemismo, bairrismo, provincianismo, chauvinismo: eis a vida do Homo sapiens sapiens moderno, pósmoderno, contemporâneo, de vanguarda, sedentário para agir e para pensar sua vida, constante e chata. Talvez eu caminhe, talvez eu corra. Talvez eu faça aeróbica na frente do computador, através de vídeos do youtube. E para que fazer tudo isso? Todas essas atividades de uma rotina saudável vão me trazer a felicidade? Talvez eu libere adrenalina, que me dará sensação de bem estar. Mas a adrenalina é o mesmo hormônio que as pessoas liberam quando têm a sensação de medo, para estimular a luta ou a fuga. Devo lutar ou fugir? Devo procurar a felicidade no Google e respondendo a todos os emails, scraps e powerpoints repassados ou procurar os meus familiares e os meus amigos para abraçá-los e dizer a eles o quanto eu gosto deles e o quanto eu sinto saudades deles? Eu deveria também era procurar fazer novos amigos, aproveitando a oportunidade de oferecer um sorriso a cada estranho, vendo-o como um amigo em potencial. O que será que passa pela cabeça do outro, daquele vizinho, daquele sujeito que passou por mim na calçada? Como as crianças têm facilidade em fazer novas amizades! É possível ver o outro como um amigo e não como um concorrente, um inimigo ou simplesmente com indiferença? Ainda devo preocupar-me com o que os outros pensam? Quem não vai, quem não se joga, quem não tenta aproveitar essas pequenas oportunidades de buscar a felicidade, faz o quê? Espera o que da vida, tentando julgar os outros da proteção de seu próprio cubo de concreto? Eu e o Miguel tomamos o banho de chuva, e, de mãos dadas, para que ele não caísse, corríamos pela calçada, colocávamos nossas cabeças em baixo da calha com água fria, pulávamos nas poças e éramos tomados por uma sensação de completude. Um momento único entre pai e filho: eu acompanhava e protegia o meu filho, o meu descendente, aquele que carrega os meus genes para além da minha existência, ao mesmo tempo em que partilhávamos daquela alegria na chuva, daquela felicidade, fator importante para que se tenha uma vida saudável e longa. Tomar banho de chuva, dessa forma, converte-se em um ato político, um signo de liberdade e de felicidade.

Vídeo: Letra e voz de Igor de Fato (2011)

12 de setembro de 2010

"Provas", de Ruben Pereira



Canção "PROVAS"
Ruben de Oliveira Pereira
Autor (1995) e intérprete (2010)

Produção do Blog do Berned

1 de abril de 2010

Contra ou a favor ao aborto? Vai pensando aí...


Do Portal Vermelho:


O debate foi proposto... Vamos repensando nossas posições, pois, mais cedo ou mais tarde, esta questão, entre outras tão delicadas que vêm sendo proteladas, vai ter que ser encarada e discutida... São questões sobretudo de ética e de saúde pública para as quais não podemos simplesmente ignorar por mais e mais tempo!

Sem falar que eu adorei a composição do vídeo. Muito bem pensado, muito bem feito...

A iniciativa é do pessoal da Ipas, a partir da página www.vaipensandoai.com.br

26 de outubro de 2009

“Realpolitik”



Em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo (10/2009), o presidente Lula fez uma afirmação de que o papel da imprensa é o de informar, não o de fiscalizar. Sua referência é aos próprios órgãos de fiscalização governamentais e, em outra instância, aos poderes legislativos e judiciários.

Ao passo que o poder político é dado pelo povo em sistema de representatividade (considerando a sua fragilidade), e as instâncias jurídicas e policiais passam pela admissão pública (que está em jogo o perfil de profissional que a res publica precisa), a imprensa está livre dessa legitimação pública, exceto pelo valor de mercado. Ou seja: ainda que possa haver distorções, em princípio no estado democrático os três poderes passam (direta ou indiretamente) por uma legitimação pública; o chamado quarto poder, a mídia, não. E ela está na nossa vida, nos ditando modelos e opiniões, ainda que não queiramos pagar por ela: basta ligar a televisão no horário do almoço ou do jantar.

E quem dá essa legitimação de poder à imprensa? Não me refiro aos espectadores, essa massa bovina e acrítica que somos levados a ser; mas a quem a financia. Lendo a ótima entrevista do delegado Protógenes Queirós à Carta Capital (dez/2008), ao se referir ao caso Daniel Dantas, ele cita Marx no seguinte comentário:

Daniel Dantas representa um poder ainda invisível. É visível à medida que começamos a aprofundar a investigação. Ou até num debate público, aí as pessoas começam a se revelar. Marx dizia “os quadros da sociedade começam a se revelar através de um processo público em que as pessoas se posicionam”. Alguns com um ideal, outros com outro ideal. Às vezes me dizem “estão criticando a Satiagraha, a verdade é que foi um sucesso, pautou-se pela lei, pelas regras do direito penal brasileiro, pela Lei de Crimes Contra o Sistema Financeiro Brasileiro. Tanto que vamos ter uma condenação em breve. Significa que o resultado das investigações foi legal.

Posicionamento: é ao se posicionar (ou não!) que se desvelam os jogos de interesse. Ideologia: não é restrita à posição explicitamente política, mas subordina o modo como que as pessoas vêem o mundo. Ou seja, nossa ideologia se revela perante nossa posição em relação ao mundo. Mas os interesses podem vir a ser reais ou manipulados (agora sim, me refiro aos espectadores, essa massa bovina e acrítica que somos levados a ser). Talvez esteja aí o real sentido da afirmação de que a religião, para Marx, é o ópio do povo. Talvez fosse no contexto e história européias; talvez, hoje, século XXI, o ópio do povo sejam os meios de comunicação, informação e entretenimento de massa. Será que não?

Acima, um vídeo no mínimo, interessante: um espaço de debate entre jornalistas globais. Ao invés de dar notícias com ares de imparcialidade, em que fica claro o desejo de passar por factual o que é de natureza opinativa, eles estão colocando as cartas na mesa, ou seja, revelando a sua posição. Ideológica.

24 de outubro de 2009

Não se fume!

Sou levado a ser favorável à proposta de coibir o fumo em ambientes fechados. E não é uma coisa de opção do estabelecimento, oferta de alternativas ao fumante ou criação de espaços alternativos, como há hoje. Pois, ainda que haja a área de fumantes e de não-fumantes em um estabelecimento comercial, por exemplo, o trabalhador do local (imaginemos um garçom) transita por todas as áreas e não têm voz nesse debate.

Tenho visto um esforço em potilizar esse debate: primeiro, o fato de ter sido o governo tucano de São Paulo a ter proposto essa medida. Dessa forma, estaria em jogo uma falsa dicotomia entre a direita “saudável” e a esquerda “fumante”. As coisas não podem ser colocadas dessa forma, pois tornaria o debate muito raso. De outra forma, haveria uma “perseguição” ao fumante, como que criminalizando o ato de fumar. E, aproximando essa discussão à da legalização de drogas, estaria em debate a autonomia do sujeito sobre o próprio corpo.

É claro para mim que a restrição ao uso de drogas (ressalta-se: lícitas e ilícitas) passa pela liberdade individual e o conseqüente risco à saúde e vida de outras pessoas. E quem teria autoridade para intervir nesses tênues limites da liberdade individual é o estado. Se há os que querem a liberdade de fumar, há os que querem a liberdade de não fumar passivamente. E, reitero: não se trata de uma simples separação de espaços, pois há os que transitam entre os ambientes sem poder intervir.

Penso inclusive que o foco da lei está no fumante, ao passo que deveria estar no processo de fabricação dos cigarros. Afinal, o processo de plantio e colheita de fumo são altamente prejudiciais aos agricultores, sobretudo ao considerarmos que a origem dessas folhas são frequentemente da agricultura familiar; ou seja, está em jogo a exposição de crianças aos malefícios da produção do fumo.

Logicamente que se trata de questões delicadas a esse respeito. Se o estado tem esse poder para intervir nas escolhas do sujeito? Cabe considerar como outros países já trataram desse assunto e a que resultados chegaram. Em jogo deve estar o exercício da alteridade e da tolerância, para se conseguir um debate frutífero. Enquanto isso, confiram acima a campanha (supercriativa) que está sendo veiculada na ULBRA TV.

22 de outubro de 2009

Gilmar Mendes, ¿por qué no te callas?

Do Conversa Afiada:
Juro que não sei da onde sai tanta besteira junta da boca de um só cristão...

E PÁRA de gaguejar: "Vossa Excelência não está na rua, Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade da Justiça brasileira. Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso".

9 de outubro de 2009

Credibilidade da fonte



(queridos alunos!)

O problema não é a divergência de opiniões e posicionamentos: é a coerência dos argumentos e qualidade das fontes de informação!


Eis o panorama da coerência da brazilian direita política: "O FHC, o Geraldo, o Serra, gosto da Heloísa Helena, gosto do Simon, gosto do Gabeira do PV..."!

4 de outubro de 2009

Intermezzo II



Si Se Calla El Cantor
Mercedes Sosa
Composição: Horacio Guarany

Si se calla el cantor calla la vida
porque la vida, la vida misma es todo un canto
si se calla el cantor, muere de espanto
la esperanza, la luz y la alegría.

Si se calla el cantor se quedan solos
los humildes gorriones de los diarios,
los obreros del puerto se persignan
quién habrá de luchar por su salario.

'Que ha de ser de la vida si el que canta
no levanta su voz en las tribunas
por el que sufre, por el que no hay
ninguna razón que lo condene a andar sin manta'

Si se calla el cantor muere la rosa
de que sirve la rosa sin el canto
debe el canto ser luz sobre los campos
iluminando siempre a los de abajo.

Que no calle el cantor porque el silencio
cobarde apaña la maldad que oprime,
no saben los cantores de agachadas
no callarán jamás de frente al crimén.

'Que se levanten todas las banderas
cuando el cantor se plante con su grito
que mil guitarras desangren en la noche
una inmortal canción al infinito'.

Si se calla el cantor . . . calla la vida.

21 de junho de 2009

SURPLUS - Legendado

Aqui no blog eu já postei "A história das coisas" e os dois filmes de "Zeitgeist". Somando-se a esses documentários que se propõem a desvelar mecanismos da sociedade capitalista na qual nos inserimos, sugiro "Surplus" (sugestão, por sua vez, retirada de uma comunidade do Orkut):



"
Estamos aterrorizados em sermos consumidores. Nós temos a liberdade de escolher entre a marca A, a marca B e a marca C... é essa a nossa liberdade".

8 de junho de 2009

"Teu passado é uma bandeira, teu presente, uma lição..."


24 de maio de 2009

Seção "resenhas"


Estava matutando comigo mesmo e resolvi abrir uma série no blog. Nem sempre temos o tempo necessário para postarmos com a regularidade desejada; também há uma série de coisas a serem feitas (apesar de que as coisas menos importantes nos fascinam tanto...). Resolvi, portanto, abrir a seção "resenhas". Filmes que eu assistir e quiser recomendar, ou livros lidos, deixarei assinalados aqui. Vez ou outra me aventurarei a comentá-los eu mesmo. Inauguro a série com Fahrenheit 451, de direção de François Truffaut (indicação da Priscila). Acabei de vê-lo e fiquei encantado com a sensação que as imagens de queima de livros propiciam. É muito inquietante, completamente angustiante. Fica a deixa da senama.

Aliás, essa é a segunda série que me proponho a abrir no blog. A primeira é "Textos de gaveta", na qual tranpasso o limite de leitor e me aventuro a propor as minhas próprias palavras. Só conferir.
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Fahrenheit 451 (1966)

François Truffaut realiza este filme nos Estados Unidos, percebendo pouco ou nada de inglês, fazendo a adaptação do romance de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 .

Num futuro onde a opressão é levada a um extremo, os bombeiros não são chamados para apagar os fogos, mas sim para criá-los. A Literatura era uma arte proibida, pois gerava no ser humano sentimentos desnecessários, que poderiam arruinar a base de toda uma sociedade. Os bombeiros da brigada 451 (temperatura em fahrenheit em que os livros começariam a arder) são chamados sempre que é feita uma denúncia de que alguém possui alguma obra de literatura. Ao longo do filme vemos clássicos da literatura a desaparecerem em chamas, de autores como Platão ou Aristóteles, Edgar Alan Poe e Charles Dickens.

Um bombeiro, em vésperas de ser promovido, começa a duvidar da sua função depois de conhecer uma jovem professora, que foi oprimida por tentar transmitir um pouco mais de alegria nas suas aulas. (Mais, aqui)


Em um Estado totalitário em um futuro próximo, os bombeiros têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura é um propagador da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva. (Mais, aqui)



22 de abril de 2009

"Zeitgeist" e "Zeitgeist Addendum"

"Zeitgeist", do alemão: "Zeit", tempo, período, época, era; e "Geist", espírito, mente e até fantasma. "Espírito de época", talvez seja uma boa tradução desse termo que dá título a dois documentários recentes. Esses dois filmes se propõem a desmistificar e a revelar verdades ocultas. Ou seja, sua tese é de que a nossa realidade é fundada sobre grandes mentiras e ilusões, mas que, como são arraigadas em nossa cultura ou nosso modo de ver o mundo, passam como naturais. Assim, a religião, a política e a economia são temas destrinchados ao longo desses documentários...

Muita gente já viu; se você ainda não viu, não perca tempo... O debate está em aberto...

Zeitgeist (2007)


Zeitgeist Addendum (2008)


"Ninguém é mais escravo do que aquele que falsamente se acredita livre", diz Goethe.

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13 de março de 2009

Intermezzo I



DESAFINADO

João Gilberto
Composição:
Tom Jobim e Newton Mendonça

Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa-nova, isto é muito natural
O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração

Fotografei você na minha Roleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar
Você com sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração

2 de dezembro de 2008

Estava demorando...


Estava demorando para se aproveitarem do momento de grande consternação e fragilidade com que temos passado diante da tragédia que assola a população do leste de Santa Catarina. Além de dizer que a culpa é (leia-se: Lula) dos governos (e não, quem sabe, fenômenos naturais que respondem à destruição do planeta pelo homem), entrevistam justamente um dos filhos do DEMO, Rodrigo Maia. O que ele tem a dizer? De modo semelhante com o que ocorrera com os familiares das vítimas do desastre envolvendo o avião da TAM em Congonhas, os conservadores e os reácionários procuram tirar proveito político. Que falta de respeito com o povo... Aí, mais tarde, no Jornal da Globo, noticiam "as centenas de milhões de reais" que os grandes empresários do vale do Itajaí deixam de lucrar com todo esse desastre...

E quem é o Geddel?

O Geddel já foi chamado de Babá do PMDB pelo Presidente Lula (referência ao deputado do PSOL/PA, ex- PT). É administrador de empresas, pecuarista, cacauicultor, deputado eleito pela Bahia e o atual ministro da Integração Nacional desde o início de 2007. Crítico ferrenho de Lula durante o primeiro mandato, o novo ministro da Integração Nacional resolveu apoiar o petista Jaques Wagner para o governo da Bahia (provalelmente juntando forças para combater o Carlismo) e assim, também apoiar em 2006 a campanha presidêncial pela reeleição.
http://www.integracao.gov.br/

Entrevista Época:
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT539130-1666-1,00.html
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT539130-1666-2,00.html

* postagem ainda inconclusa...!

26 de setembro de 2008

Lula para brasileiro e estrangeiro verem...


Me obrigo a reproduzir aqui, na íntegra, o post do blog Cidadania.com UOL, de Eduardo Guimarães. Intitula-se Lula brilha na ONU; mídia esconde

"Quem teve interesse ou tempo ou tecnologia disponível – ou tudo isso junto – para assistir o vídeo acima – ou para assisti-lo por outro meio – e tiver o mais remoto conhecimento sobre relações internacionais, terá constatado como eu constatei a importância, a contundência e a coragem da fala do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura da 63ª Assembléia Geral da ONU, anteontem.

Nada ficou de fora: dos temas candentes sobre a economia americana ao intervencionismo americano na Bolívia e até as políticas discriminatórias do trânsito de cidadãos do Terceiro Mundo nos países ricos, bem como a defesa firme – e totalmente fundamentada – dos êxitos surpreendentes na administração do Brasil pelo seu atual governo, tudo isso foi citado de forma contundente. Foi um dos discursos mais duros, firmes e fundamentados que o presidente fez.

A repercussão do discurso de Lula na mídia brasileira foi débil e distorcida, porém. Tal fato não deveria surpreender quem acompanha de perto a má vontade patológica da mídia com um governo que conseguiu proezas como a de tornar o Brasil o país que mais atraiu investimentos estrangeiros produtivos na América Latina, com o detalhe de que recebeu cerca de 40% mais desses investimentos do que o segundo colocado, o México.

Ontem, enquanto as bolsas de valores voltavam a mergulhar em pânico pelo mundo afora por conta da relutância do Congresso americano em liberar os tais 700 bilhões de dólares, a Bovespa subia e o dólar permanecia equilibrado, mas nem isso satisfez a imprensa desequilibrada que temos aqui.

Um exemplo da má vontade que impera na grande mídia – escrita, falada e televisionada – pôde ser verificado em editorial de hoje da Folha de São Paulo, que se enreda em previsões sombrias sobre a economia brasileira - como a que teimava em fazer para dizer que o país não cresceria, até ele começar a crescer -, enquanto seus colunistas escancaram uma torcida contra revoltante, ainda que uma torcida num páreo perdido, pois a exuberância da solidez da economia brasileira vem sendo cantada em verso e prosa em toda imprensa internacional há muito tempo e de forma crescente.

Quem tem tido acesso à imprensa internacional sabe do que estou falando. O conservador Wall Street Journal, apesar de não conseguir evitar o cacoete neoliberal de chamar de “populistas” políticas sociais que vêm dando grandes resultados, o jornal se derrete por Lula, reconhecendo-lhe a liderança e protagonismo no cenário internacional e anotando a “reverência” com que foram recebidas suas palavras.

Enquanto isso, aqui no Brasil, os “colonistas” (colunistas colonizados) da imprensa golpista boliviano-venezuelana que infestam as redações dos mais ricos meios de comunicação do país tratam de ridicularizar a importância da solenidade anual de abertura da Assembléia Geral da ONU e chamam de “ladainha” o forte discurso político de Lula, feito num fórum de grande importância política por conta do momento econômica e politicamente turbulento porque passa o mundo. Em que planeta está a cabeça dessa turma?

Por dever profissional, viajo direto ao exterior. Nessas viagens, tenho sentido cada vez mais orgulho de ser brasileiro. Estamos sendo cada vez mais bem vistos no mundo porque o país vai bem, é governado com seriedade e disso vem colhendo resultados que deveriam calar a boca dessa imprensa esquizofrênica. E só não calam porque ela não tem vergonha na cara, apesar de ter esses rios de dinheiro que lhe permitem falar mais alto - por enquanto".

6 de setembro de 2008

A História das Coisas


Esse vídeo foi mandado para mim pelo Mauro Gil, meu amigo de Osório. Muito perfeito para começarmos a entender (de forma sistemática) o sistema que rege a nossa existência no mundo capitalista. Acreditamos, muitas vezes, estarmos alheios a esse sistema que vai, desde a exploração da natureza até aos comerciais de TV e o lixo que colocamos fora. Uma visão mais ampla poderá relacionar a poluição do planeta e o governo dos EUA com a miséria e a violência que assola as nossas cidades.

Essa discussão se torna muito importante aqui no RS, principalmente com os avanços que as multinacionais papeleiras estão tendo na metade sul do Estado para plantio de Eucalipto. Uma, que ninguém me tira da cabeça, que se Eucalipto fosse bom, estariam plantando na Europa e não aqui. E, em segundo lugar, é essa balela que o plantio da monocultura de árvores (que intencionalmente chamam de "florestas") vai trazer empregos pra a metade sul. Vão contratar pessoas pra ficar olhando a árvore crescer durante sete anos? Ou vão contratar pessoas com primeiro ou segundo graus para melhoramento da árvore e dos papéis? E a poluição que o processo de branqueamento causa? E o bioma do pampa? Se quisessem diminuir a pobreza da região, que fizessem reforma agrária, que plantassem comida, e não dessem a terra para os estrangeiros.

Créditos: Versão dublada em Português do documentário The Story of Stuff idealizada pela comunidade Permacultura - Orkut. Realizada nos Estúdios Gavi New Track - SP Direção e edição Fábio Gavi; Locução Nina Garcia; Adaptação do texto Denise Zepter. Site brasileiro de divulgação do vídeo http://www.sununga.com.br/HDC/ Colaborem!!!

No Google Vídeos ainda se pode fazer o download desse documentário. Ótima ferramenta para aulas de Português, Inglês (na versão original), Geografia, Biologia, História, Química, etc.