literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.
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15 de outubro de 2010

Manifesto em Defesa da Educação Pública


E-mail recebido:

Caras e caros colegas professores universitários,
Vejam em anexo um Manifesto em defesa da Educação pública. Foi preparado por iniciativa de colegas da USP, entre os quais Ricardo Musse e Vladimir Safatle. Também está em preparação um ato público de manifestação de repúdio à candidatura ultra-conservadora do Senhor José Serra, a ser realizado na capital paulista.
Peço encarecidamente que leiam este sucinto Manifesto e o assinem, caso concordem com seus termos. Peço também a mais ampla divulgação para essa iniciativa.
Pessoalmente, considero a leitura desse manifesto muito oportuna, porque o mesmo traz de volta à memória algumas das funestas realizações – no campo específico da educação pública – de José Serra e de seus amigos, como Paulo Renato. Para aderir ao Manifesto é preciso mandar um email para o endereço que segue.
emdefesadaeducacaopublica@gmail.com
Saudações republicanas, laicas portanto.

***

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.


Em tempo: veja as fotos do protesto dos professores da rede estadual de São Paulo em março desse ano:
http://educacao.uol.com.br/album/greve_professores_SP_2010_03_26_album.jhtm?abrefoto=27 .

8 de setembro de 2010

Obras do Governo Federal em Alegrete

Circulando pela cidade do Alegrete, observei uma série de placas que anunciam investimentos do governo Federal nessa cidade. Porém, chamou-me a atenção que, nas placas, o logotipo da gestão de Lula nas placas está tapado ou apagado.

A cidade do Alegrete pertence a uma região pouco desenvolvida do Rio Grande do Sul. Da pecuária que já foi motivo de orgulho no passado, hoje restam grandes latifúndios e centros urbanos médios e pequenos que não apresentam perspectivas de emprego e renda para a juventude, sobretudo aos jovens de periferia.

O Alegrete ainda mantém uma visão tacanha e retrógrada de política, calcada no discurso de manutenção das tradições – na esteira da cultura, o discurso político vincula-se à questões retrógradas de políticas sociais e propriedade privada. Falar em esquerda? Apesar da vice-prefeita ser do PT, o discurso anti-PT no Alegrete é contundente, embora superficial, preconceituoso e limitado. Até discurso pró ditadura eu tive que ouvir esses dias de um cidadão, para quem o marginal é pobre, o pobre é marginal, e só no cacetete as coisas se resolvem (?).

Tanto que aqui é o reduto de votos no dotô. Candidatos que defendem as políticas mais perversas, na contramão da distribuição de renda e de geração de empregos, têm ampla aceitação na cidade. Seja o candidato da RBS para deputado federal pelo PDT, seja o Cabeludinho de Uruguaiana (sim, o do Detran!) para estadual pelo PP... Pelo PP ainda aqui há grande publicidade ao “Canceroso” (sujeito parecido com a personagem de X-Files), e até ao deputado litorâneo do PMDB que concedeu 143% de aumento à atual (des)governadora... O problema é que, mesmo votando naquilo que se chama de “candidatos da região”, a região da campanha têm sofrido ao longo dos anos com falta de investimentos, falta de políticas públicas, e descaso com a maior parte da população: a que não anda de picape em volta da praça...

A quem interessa desvincular obras com investimento federal do Governo Lula em Alegrete?

Pois não me parece plausível haver qualquer impedimento legal sobre o logotipo “Brasil, um país de todos”. Não há aí qualquer referência à candidatura do PT ou de Dilma, mas há a divulgação de que há investimentos na cidade. Pior seria se não houvesse o que divulgar. Se for posições críticas a respeito de como esses recursos foram investidos, ou a respeito de conclusão das obras, até vá lá... Mas e se for pura má-fé?



Essa placa foi a primeira a me despertar a atenção. Está junto a um posto de saúde na Vila Kennedy. O logotipo do Governo Federal estava tapado com uma lona preta, cujas fitas adesivas ainda são visíveis.
Observe que nessa placa, junto a dezenas de casas populares em processo de finalização de construção no bairro Ayrton Senna, o logotipo do Governo Federal está pintado.
Até naquela que talvez seja a maior contribuição do Governo Lula para o Alegrete e para a região, a Unipampa, as placas têm o logotipo do Governo Federal removido. Por quê?

À esquerda, o antigo logotipo da Eletrobrás; à direita, o logotipo do Governo Federal arrancado.

Até obra de saneamento em Alegrete teve o logotipo arrancado!
Nessa farmácia, no centro do Alegrete, o logotipo é tapado. Em outra farmácia, não muito longe, anuncia: Genéricos, até 60% de desconto; Farmácia Popular, até 90% de desconto!
No parque dos Aguateiros, mais um investimento do Governo Federal que teve o logotipo tapado por adesivos. Além desses investimentos aqui citados, não poderia ficar de fora o Instituto Federal Farroupilha, na localidade de Passo Novo, no município do Alegrete, que oferece ensino médio, cursos técnicos, licenciaturas e até pós-graduação!

* Em tempo: queria eu saber se, por acaso, alguém sabia de alguma proibição legal de propaganda de governo durante as eleições. Após uma pesquisa pela internet, pude descobrir que se trata de uma postura equivocada e assimétrica do Supremo Tribunal Federal, na pessoa do Ministro Marco Aurélio Mello. É legal restringir a informação sob uso de peças publicitárias? De qualquer forma, não retiro os questionamentos antes levantados, e os reitero: a quem serve desvincular obras com investimento federal do Governo Lula em Alegrete, no Rio Grande do Sul e no Brasil?

13 de agosto de 2010

Eleições 2010: para que votar?

Ante as próximas eleições, frente às tomadas de posicionamentos e aos debates políticos, é possível que muitos façam a seguinte pergunta: para que votar?

A nossa jovem democracia tem conquistado grandes avanços desde o final da ditadura militar, embora possa amadurecer ainda mais. Através da democracia representativa, delegamos alguém a tomar posições por nós nas instâncias legislativas e executivas do poder com o nosso voto. Entre as pessoas próximas, costumo dizer que o voto é uma procuração que concedemos a uma outra pessoa, para que tome decisões por nós. Ou seja, você conhece os seus candidatos? Sabe que ideias têm, que valores têm, que posicionamentos tomam? Você daria uma procuração para essa pessoa a quem você direciona o seu voto? Ora, não se trata também de negar veementemente as questões acima e anular o voto. Trata-se de conhecer, sobretudo, que projeto de sociedade tais candidatos representam, e conferir se equivale às suas expectativas. Também sempre defendi o voto em classes: ou seja, romper, de fato, aquela posição de subserviência em votar no dotô. Fazer valer, principalmente, nos cargos para o legislativo: votar em líderes comunitários ou em representantes sindicais, que representem os interesses de cada posição social. E que o dotô receba votos apenas dos dotores...

Alguns poderão dizer que o poder corrompe. Que o voto em classe – pobre votando em pobre, por exemplo – apenas possibilitaria ao candidato eleito fazer aquilo tudo que antes criticasse. Refuto essa lógica perversa pois acredito que as pessoas podem, cada vez mais, tomar para si essas responsabilidades que são hoje delegadas a um outro: ou seja, que se possa articular mudanças no sistema social a fim de que possamos ter uma democracia de fato. Democracia vem do do grego, “governo do povo”, embora ainda na Grécia fosse elitista esse regime, haja vista que a porcentagem de “cidadãos” era mínima, já que excluía mulheres, escravos e estrangeiros. À democracia contrapõe-se a monarquia, em que o poder é de uma linhagem familiar legitimada pela unção divina. Porém, ao invés de uma democracia plena, por muito tempo estivemos na mão de oligarquias – “governo de poucos”. Os poucos que detinham o poder político e econômico governavam. Nos anos 60, quando o trabalhismo ameaçava o status quo, as oligarquias, que apoiaram o golpe revelaram-se justamente enquanto ditadura – “governo na mão de uma pessoa, um grupo ou uma classe”. O Brasil ainda possui seus oligarcas na política, sejam eles candidatos ou financiados por eles. Por isso é tão importante a defesa de uma reforma política no Brasil, que entre outras coisas defenda o financiamento público exclusivo de campanha: para que os candidatos sejam eleitos pelos projetos que defendem, e não pelas doações que recebam. Defendemos uma reforma política que leve ao pé da letra a etmologia de democracia!

Para “quais os critérios para o voto?”, eu reformularia a pergunta: qual é o papel de um governo? Entre diferentes candidatos, diferentes partidos, diferentes coligações, há diferentes projetos que concebem diferentes modelos de sociedade, de governo e de país. Qual é o projeto político que defendemos para o Brasil? Qual é o papel de um governo? Não sei se diferentes projetos políticos responderiam de mesma forma essa pergunta. Eu acredito que um governo, nas condições atuais, sirva para, efetivamente, melhorar as condições de vida das pessoas, universalizando o acesso aos bens públicos que são de direito de todos. Outros podem achar que a vida do povo é supérflua nesse embate político, apesar de isso não ser admitido... O que não se deve fazer, de modo algum, é cair no debate despolitizado, atacando candidatos com críticas pessoais e não políticas. Devemos escolher um projeto político para o país, portanto não faz sentido escolher “A” ou “B” como se escolhe um time de futebol para torcer...

Por aí também podem alegar o descrédito das instituições políticas, sobretudo dos partidos. No Brasil, diferente de outros países, é necessário estar vinculado a algum partido político para ser candidato. Acontece que as legendas, enquanto tivessem mais ou menos uma unidade programática, mais coerentes seriam. Porém, na maioria das vezes, as pessoas vinculam-se a partidos não para a defesa de um projeto específico, mas porque encontram mais facilidades em se candidatar, ou para conseguir um eventual trabalho em algum órgão público. Isso acaba por descaracterizar certas bandeiras partidárias: tanto faz estar em um lado ou outro das disputas eleitorais. No entanto, simplesmente concluir isso é desconsiderar que há partidos que se estruturam de modo diferente entre si. Há partidos que têm correntes internas, a fim de forçar debates internamente; há partidos que têm mais ou menos pré-definidas as suas diretrizes ideológicas; e há o que chamamos de “legendas de aluguel”, entre outros nuances que poderíamos considerar. Com a legalidade do financiamento privado de campanha, o sujeito pode ver a sua própria candidatura como um investimento: ele não está para defender uma ideia conjunta, em que qualquer candidato de seu partido levará consigo. Há conflitos intrapartidários em virtude justamente dessa lógica absurda em que o candidato precisa se eleger em nome de um personalismo que, na verdade, é a busca pelo retorno do capital investido/perdido. Todavia, não creio que se possa generalizar essa afirmação.

Eis a responsabilidade que temos ao delegar essa procuração, não em nosso nome, mas em nome de nossa comunidade, de nossa cidade, de nosso futuro. Certas posturas, circunstâncias, opções, poderão modificar diretamente a vida de milhares de pessoas, positivamente ou negativamente. Percebe a responsabilidade? E ainda falam em voto facultativo! Para mim, abrir mão do voto, seja branco ou seja nulo (legalmente têm o mesmo propósito), ou ainda, desejar o voto facultativo, é apenas uma desculpa para não assumirmos a nossa responsabilidade frente às nossas escolhas.

Sugiro ainda a leitura do ótimo texto no blog Igor de Fato: Histórias de um novo Brasil.

29 de junho de 2010

Patriotismo de copa do mundo

Foto: Fifa.com, via Flickr/Y!

Muita gente critica esse fenômeno em terras tupiniquins, o nosso patriotismo que se alterna entre copas do mundo de futebol e olimpíadas de verão. Tais críticos, suponho, têm em vista um patriotismo constante ao longo do ano, e que teria seu apogeu no sete de setembro, no quinze de novembro, e talvez no 22 de abril. Seu modelo é, supostamente, as comemorações do 4 de julho nos Estados Unidos e do 14 de julho na França.

Se considerarmos o motivo de comemoração em relação ao julho estadunidense e ao francês, verificaremos que remete a momentos profundamente significativos, de rompimento com uma ordem vigente e surgimento de outra ordem, com intenso apoio e participação popular. É destacado o orgulho nacional de se ter participado de uma grande vitória para o seu país, a sua nação e o seu território.

E no Brasil, por que é diferente? De fato, com os acontecimentos que precederam e atingiram o seu ponto alto no sete de setembro em São Paulo, a independência do Brasil representou uma independência de fato? Ora, as elites mantiveram-se as mesmas, o sistema escravagista e monárquico permaneceu o mesmo, e a dependência política de Portugal, econômica da Inglaterra e cultural da França mantiveram o Brasil agindo como uma colônia. A própria proclamação da república, com mais de cinquenta anos de atraso, apenas exprimiu o esgotamento de um sistema em si mesmo, não modificando substancialmente em nada a política e a economia nacional.

Em termos políticos e econômicos, as grandes mudanças iniciaram com o governo de Getúlio Vargas. O caudilho gaúcho, que garantiu inúmeros avanços nas áreas trabalhista e industrial, ainda representava os interesses de sua classe social, embora confrontasse o eixo São Paulo – Minas Gerais. Sua Revolução de 30, que dá início aos 15 anos ininterruptos de presidência, é sim um marco de resistência e luta, ainda que da incipiente classe burguesa.

Quando o processo político do Brasil apontava para mudanças consistentes e significativas pelas eleições democráticas, sobretudo após os anos JK, de efervescência cultural e de grandes construções, os militares, apoiados pela UDN, reprimem os indicativos da mudança por vir e garantem no poder a mesma elite de sempre. Resumindo: na história do Brasil não há vitória de contestadores e revolucionários. As mudanças são tênues, vindas de regimes democráticos ou pelo próprio peso da história.

Que orgulho nacional pode advir dessa história oficial?

De fato, no Rio Grande do Sul, o orgulho gaúcho é muito mais intenso do que o de ser brasileiro, em que a Revolução Farroupilha é o grande motivo. E ainda, aos que possam condenar essa comemoração como uma batalha de interesses de oligarcas, no mesmo estado temos a figura de Leonel Brizola como referência pela Legalidade, a última grande resistência do poder civil ao golpe militar que a precederia. Poderemos admitir que efeito semelhante há em Minas Gerais em relação à Inconfidência e em Pernambuco em relação à Confederação do Equador.

O que torna o nosso país motivo de orgulho? Que ações humanas tornam o nosso especial e destacado em relação a outros? O que nos coloca na ponta de grandes países? Até pouco tempo, que atividade cumpria essa necessidade de auto-afirmação, senão o esporte, e mais especificamente o futebol?

Possivelmente apenas no século XXI começamos a abandonar o complexo de vira-latas e ter orgulho de nosso país, pela via democrática e coalizão política em torno de um projeto nacional de desenvolvimento e distribuição de renda. Apesar de sua imprensa e parte da população não terem assimilado que a mudança veio pra ficar, cada um de nós tem responsabilidade pela construção do país e grande nação que todos queremos que seja. Ter orgulho é ter amor-próprio, e amor-próprio se conquista pela satisfação em colaborar.

22 de outubro de 2009

Simon, ¿por qué no te callas?

Essa imagem e texto são parte da capa do jornal O Sul, data de hoje. Nela, está estampada a tentativa de azedar as relações entre PT e PMDB. Que o PMDB representa muito da política retrógrada do país e do nosso estado, isso é fato. Porém, o PMDB não se reduz a isso: hoje o PMDB é o maior partido do Brasil porque é um enorme saco de gatos, ou seja, tem de tudo. Além do mais, o PMDB tem sempre jogado com quem está ganhando, fruto de um projeto de nação frágil, que não permite com que se tenha consolidada uma unidade partidária nacional.

No entanto, a parceria PMDB e PT tem funcionado nos altos escalões do governo. A dimensão do PMDB tem dado a governabilidade que o PT precisa. Porém, em virtude da heterogeneidade ideológica (ou de
interésses?) do PMDB, não há consonância entre a direção nacional e a thurma do Simon e do Quércia. O país está no rumo certo, embora haja muito ainda por fazer. E, de opções consideráveis a serem a continuidade do Governo Lula e o impedimento do retorno tucano, a união entre PT e a direção nacional do PMDB está se mostrando válida. Porque agourar esse casamento à la William Blake, senador Simon? ¿Por qué no te callas?

E o senador se calou. Não lá no âmbito nacional, onde ele insiste em posar de paladino da ética e faz o joguinho da mídia que lhe convém. Ele se calou a respeito do apoio do PMDB gaúcho, que apóia o governo Yeda. Ele se calou a respeito da própria Yeda, que vem cada vez mais se afundando em sua própria incapacidade de transparência. Tenho pavor da mediocridade a que chega um colunista como o Paulo Sant'Anna, mas tive que concordar com o seu raciocínio de ontem, que reconhece que o processo de impeachment de Yeda não teria continuidade por provas, indícios ou insuficiência delas, mas pelo número de deputados que estão na base aliada. Apesar de fazer uma infeliz comparação com Lula, Sant'Anna explicita a total falta de compromisso dos deputados da situação em querer tornar transparente a crise política do estado.

O PMDB gaúcho está no centro disso: aliás, como o ilustre deputado Alceu Moreira poderia votar contra os interesses da governadora, se foi justamente ele o responsável pelo projeto de aumento de 143% do salário da governadora?


Enfim: vejo com bons olhos a candidatura de Ciro Gomes à Presidência. Para a esquerda que não se sentisse bem em votar no PMDB de vice da Dilma, o voto no bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) seria uma alternativa no campo da situação. Apesar de ser uma figura controversa, uma canditadura de Ciro seria em termos simbólicos (como foi a eleição do ex-sindicalista Lula) uma chance ímpar de um partido Socialista chegar ao governo (ao menos, o partido de intitula assim!).

De mais a mais, conversando com o seu Ruben por esses dias, entre idéias e idéias, ele deixou uma pergunta no ar, que retomo agora: se há limites para reeleição de cargos executivos, porque não se limita também a reeleição de senadores, deputados e vereadores?

23 de abril de 2009

Programa de Lutas: hoje e há um ano


Dia 22 de abril tive a oportunidade de acompanhar, como parte do Encontro Estadual de Educadores e Educadoras das Escolas da Reforma Agrária do Rio Grande do Sul, uma palestra sobre estudo e debate da Conjuntura Agrária e o MST, com João Pedro Stédille e Ivonete Tonin. É parte de um grande avanço a universidade federal estar acolhendo esse tipo de debate que, na verdade, propicia um princípio de democratização do conhecimento. A academia torna-se um espaço tanto de ensino como de aprendizado quando é ocupada pelos movimentos populares, re-significando, portanto, a própria idéia de universidade. Assim, são postos como elementos condicionantes para o êxito da consolidação de sonhos materializados em projetos de mudança:

- luta social;
- organização;
- conhecimento.

Stédile, em sua fala, destaca a necessidade que se impõe à luta pela reforma agrária em se unir com outras frentes de luta para derrotar o sistema neoliberal. Ou seja, as diversas frentes de luta não podem continuar isoladas; o momento histórico exige que se retomem pautas específicas como parte de um projeto maior de sociedade, mais amplo. Trata-se de um dos grandes desafios daqueles que contestam o sistema vigente, conforme Ivonete abordou. Cada postura e cada reivindicação transpassam um projeto de sociedade que se deseja, portanto, eles devem estar concatenados com um projeto maior para o modelo que se quer. Em jogo se coloca a necessidade de um projeto coletivo, unificado a partir dos mais diversos anseios das classes populares.

As mudanças que se almeja não se tratam, necessariamente, apenas de reformas de base. As mudanças que por ora se almejam podem ser mais profundas no que diz respeito aos modelos de sociedade; ou seja, deve-se continuamente se questionar que tipo de homens e mulheres serão formados por uma nova sociedade, que valores, que ética e que moral. O que não significa, por sua vez, contentar-se com o que está posto. Acreditar em um futuro melhor é constitutivo do ser humano, é o que faz com que nosso corpo e nossa mente não seja apenas um aglomerado de carne e ossos esmorecidos.

É nesse momento de crise que costumam se desenhar grandes mudanças; e cabe a cada um decidir o seu papel, seja de espectador ou de protagonista dessas mudanças. Pois cada um de nós é responsável pelas escolhas que tomamos. O porvir será construído a partir do desejo dos protagonistas do processo, e cabe aos protagonistas vislumbrarem o futuro e suas consequências, tanto positivas quanto negativas. Para uns e para outros, o modo de lidar com esses anseios de mudanças são diferentes: as contradições que se estabelecem são entre o descontentamento com o presente, mas ao mesmo tempo, um medo do desconhecido. E cabe ressaltar que lançar-se ao desconhecido é despersonalizar-se em meio à escuridão, apesar de tatear-se o tempo todo à procura de luz. Assim, lançar-se a um projeto cujas proporções são desconhecidas pode ser análoga à visão à beira do abismo: um misto de medo e fascínio...

Não deixe de acessar: http://www.mst.org.br/mst/home.php
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O MST hoje está em meio à criminalização dos movimentos sociais e o avanço do agronegócio; assim, enfrentam o bombardeamento midiático em relação ao caso no Pará, sem que haja o direito ao contra-argumento, bem como no que diz respeito ao fechamento das escolar itinerantes e o despejo de acampamentos. As informações que seguem abaixo são de quase um ano atrás. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. E o que mudou? O que continua na mesma?

NOTÍCIAS DO RIO GRANDE DO SUL

A dona Yeda é a encarnação da barbárie dos burocratas de plantão instalados em diferentes instituições da sociedade do RS. Lá estão eles, nas Universidades, nos Meios de Comunicação, nos Aparelhos Ideológicos e Repressivos do Estado com os seus Partidos (PMDB, PP, PPS, DEMOS, PTB...) etc. E agora o Ministério Público, com a sua "investigação" subsidiada em fontes contaminadas por ideologias ultrapassadas e desprovidas de princípios éticos, científicos e metodológicos, está perdendo legitimidade e confiança diante de uma cidadania plena.
O que me deixa indignada e perplexa, além da retórica do MP é o momento escolhido pela PM atacar o MST: ao amanhecer de um dia de inverno rigoroso com os campos cobertos de geada para desmontar os acampamentos. Só quem viveu ou vive no campo sabe que a intensidade de frio nesse horário é o mais intenso, tem-se a sensação que ele penetra no corpo atingindo até os ossos.
Essas incivilidades estão acontecendo por que o RS tem uma governadora com muita "sensibilidade", como foi propagado em sua campanha. O Rio Grande está mostrando as garras da sua "elite".
Nelly
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8783903740547413857&postID=6887972303826215733&isPopup=true&pli=1


zerohora.com
Confira, em fotos, o trabalho de remoção das famílias realizado pela BM em Coqueiros do Sul
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1980997.xml&template=3898.dwt&edition=10092&section=807
(link logo abaixo da reportagem “A NOVA FORMA DE COMBATE AO MST”)

Deputados criticam atitudes da Brigada Militar e do Ministério Público estadual
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Na Assembléia Legislativa, o líder da bancada do PT, Raul Pont, condenou a operação da Brigada Militar em dois acampamentos do MST e expressou preocupação com as sucessivas investidas da BM e do Ministério Público Estadual contra os movimentos sociais. “Este procedimento objetiva criminalizar os movimentos sociais”, denunciou. Pont também chamou a atenção para a manchete do jornal Zero Hora nesta quarta-feira, “MST sofre contra-ataque ao amanhecer”. “Qual foi o ataque? Qual foi a invasão feita ontem?” – questionou. A Brigada, acrescentou o deputado, não combate a violência nas cidades e tampouco faz policiamento preventivo, mas com a maior facilidade reúne 500 policiais para um contra-ataque a um ataque que não aconteceu num acampamento majoritariamente composto por crianças e mulheres. “Essa é a atual política do Estado”, resumiu Pont.
Na mesma linha, o deputado Dionilso Marcon disse que o governo do Estado e o Ministério Público têm raiva de pobre. “Vou pedir à Comissão de Direitos Humanos do Senado para interferir junto ao MP a fim de que este órgão deixe de perseguir os pobres”, anunciou o deputado que criticou ainda o MP por ter pouca disposição para apurar denúncias de corrupção no Detran e em outros órgãos públicos.
http://www.rsurgente.net/2008/06/deputados-criticam-brigada-e-ministrio.html

Acampados - episódio Coqueiros do Sul

Uma aula de vida e de sociedade para qualquer um...


Yeda Crusius manda coronel Mendes reprimir protestos contra corrupção no governo
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

"A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gás lacrimogêneo e spray pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para a frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano".
http://www.rsurgente.net/2008/06/baderna-provocada-por-gente-desocupada.html

"Os policiais, comandados pelo coronal Paulo Mendes, lançaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra o grupo e atingiram, inclusive, os deputados Raul Carrion (PcdoB) e Dionilso Marcon (PT), que acompanhavam a marcha e tentavam negociar e liberação pacífica da manifestação".
http://www.rsurgente.net/2008/06/yeda-crusius-manda-coronel-mendes.html

Brigada Militar Agride Manifestantes em Porto Alegre


Do site da Assembléia Legislativa do RS I

“Manifestantes não podem ser tratados como delinqüentes. Impedir o acesso deles à Praça da Matriz é incompatível com o Estado Democrático de Direito e com a Constituição”, alertou, acrescentando: “o primeiro ato deste novo Conselho criado para gerenciar a crise foi entregar a polícia ao coronel Paulo Mendes, uma pessoa sem condições de dirigir a Brigada Militar devido a sua visão truculenta, que confunde manifestantes com delinqüentes e criminosos. Esta política é de responsabilidade dos partidos que assumiram este Conselho”.
http://www.al.rs.gov.br/ag/NOTICIAS.ASP?txtIDMATERIA=204995&txtIdTipoMateria=3

Enquanto isso...
Veiculação das notícias na RBS TV

(Reportagem especifica a partir de 05:34)

Do site da Assembléia Legislativa do RS II
"Durante o período do Grande Expediente, o deputado José Sperotto (DEM) prestou homenagem à empresa Aracruz Celulose. Dois assuntos dominaram os debates na tribuna: o confronto ocorrido hoje entre manifestantes e a Brigada Militar em Porto Alegre e as denúncias que envolvem o governo federal na venda da Varig".
http://www.al.rs.gov.br/ag/NOTICIAS.ASP?txtIDMATERIA=204998&txtIdTipoMateria=1

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16 de dezembro de 2008

Arte e Cultura - Produções culturais também geram riqueza para o país, diz Mamberti



Além de contribuírem para o desenvolvimento da identidade do Brasil e retratarem a cultura de um povo, as produções culturais são importantes também para a economia do país, podendo representar até 8% do Produto Interno Bruto (PIB). A análise é do presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Sérgio Mamberti.

"Está na hora de pensarmos também na gestão cultural e nos darmos conta que cultura também é uma questão de economia. As produções culturais também geram riqueza para o país", disse Mamberti durante a abertura do seminário para discutir o Plano Nacional de Cultura, em São Paulo.

O seminário, que começou ontem (3), é o último da série para debater as diretrizes do plano, para, em 2009, apresentar um texto final ao Congresso Nacional.

Segundo Mamberti, a cultura é um fator de desenvolvimento para o país. "Precisamos pensar na capacitação dos servidores e gestores da área e estudar parcerias", disse.

Para ele, esta é a primeira ocasião que a cultura está sendo valorizada e entrando na agenda do país. "Finalmente a cultura está sendo tirada do papel, temos que aproveitar a chance para trabalhar para sociedade", afirmou.

Uma das discussões, segundo Mamberti, é encontrar outras formas de financiamento à cultura. "A Lei Rouanet não pode ser a única fonte de renda para a cultura. Este é o momento para se pensar em outras possibilidades de financiamento para nossa produção", opiniou.

Para o presidente da Funarte, outro ponto a ser discutido é o acesso à cultura. "Não cabe ao governo somente financiar e sim garantir o acesso às produções por ele financiadas. Isso é a democratização da cultura".

Sérgio Mamberti acredita que os seminários são importantes para encontrar soluções para estas e outras questões do setor como a meia-entrada para estudantes. "A preocupação das produtoras é pertinente, mas é preciso que exista o diálogo para chegar a um consenso", falou. Segundo ele, desde 2001 há "uma total ausência de controle das carteirinhas". "Devemos procurar um equilíbrio", afirmou.

Mamberti também argumenta que o Plano Nacional de Cultura não deve ser o único no país para promover a cultura. "Os planos estaduais e muncipais são fundamentais, são um complemento ao nacional", ressaltou.

Fonte: Agência Brasil (4 de Dezembro de 2008)