literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.
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7 de setembro de 2011

Uma coisa que leva a outra e, por sua vez, a outra, e a outra...

A propósito, inicialmente, do vídeo intitulado EL EMPLEO:


A leitura do conto “O arquivo” [1], de Victor Giudice (indicado pelo André Cruz, realizada no vídeo pelo Antônio Abujamra) me remete (como não poderia deixar de ser) ao "Operário em Construção" [2], de Vinícius de Moraes, que, em contraposição ao protagonista de Giudice, disse NÃO. Baixar a cabeça - calar e, portanto, consentir - também é tema de "Casa tomada", de Cortázar [3] e de poemas de Maiakóvski [4] e de Brecht [5]. Quando a resignação do espírito - do operário - é aproximada das relações de trabalho, evidencia-se a lógica da produção e do capital, nada humanizadora. Assim, dizer não é contrapor-se a essa lógica, seja pela manutenção de direitos conquistados, seja no avanço para a construção de uma sociedade cada vez mais justa e igualitária. E, se a literatura propõe-se a construir universos paralelos a partir de situações hipotéticas, que nos permite uma identificação – embora com certo distanciamento – ao olharmos no espelho, o que percebemos, senão as nossas próprias contradições e as contradições da própria realidade que nos circunda?

[1]


[2]


[3]


[4]
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada
. (Maiakóvski)

[5]
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo
. (Bertold Brecht)

30 de abril de 2011

"As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude são heranças, são motivos pras mudanças de atitude"


Os meios de comunicação no Brasil propõem (ou impõem?) um certo modelo comportamental de jovens, em tese calcado no estereótipo Malhação, talvez por entenderem a juventude como "uma banda numa propaganda de refrigerantes", como canta Humberto Gessinger. O vídeo de Felipe Neto, que você vê aqui, rejuvenesce a discussão sobre os impostos no Brasil, mas por uma perspectiva já caduca, reducionista, limitada, ou seja, mais do mesmo. Embora ele não diga, ficamos com a impressão, ao final do vídeo, que ele poderia muito bem ter tirado a seguinte conclusão: "esse dinheiro que o governo dá pra pobre comer, que oferece para pobre se qualificar e poder mudar de vida, esse dinheiro poderia servir para eu ficar jogando videogame". Estou errado na minha leitura?

Diante disso, a reflexão do Marcelo Parreira é extremamente pertinente. Destaco a seguinte passagem: "O que prejudica a aplicação dos nossos impostos, tanto quanto os desvios que devem ser combatidos, são os problemas estruturais. Nossa legislação tributária consegue ser ao mesmo tempo redundante e falha, nossa fiscalização para evitar a sonegação só começou a melhorar recentemente, setores importantes são bitributados, entre outros problemas. Mesmo assim, a famosa reforma tributária nunca engrenou por um misto de miopia dos governos estaduais, preguiça do governo federal e desinteresse do Legislativo. Isso sim merecia uma revolta e protestos, mas quem quer se arriscar em um assunto complexo como esse quando você pode simplesmente maldizer os políticos e babar pelos cantos?"
http://oopinioso.wordpress.com/2011/04/28/porque-felipe-neto-esta-errado/

Em relação ao texto completo de Parreira, acrescentaria o seguinte ponto:
 

No começo do vídeo, Felipe Neto já sobe nas tamancas: "Tá na hora de mostrar para essa porra de governo que a gente voltou a ter força para lutar pelo que é justo. Tá na hora de definir de vez que quem manda nessa porra aqui é a gente. Preço justo nessa porra já! Desde a época da ditadura que a juventude brasileira se calou. Toda a porra de dia a gente ouve notícia e mais notícia sobre corrupção, sobre aumento de salário de político, sobre zona com o dinheiro público". Não quero dizer, ao criticá-lo, que não haja problemas no país, mas não podemos cair em reducionismos hipócritas e em equívocos. Só no trecho destacado, poderíamos lembrá-lo do Fora Collor (como se fosse um ato isolado pós-ditadura!) e atualizá-lo sobre o debate importante e necessário sobre a democratização da informação (e sua crítica aos interesses e qualidade das grandes empresas midiáticas).

Não vou me estender sobre a dimensão dos movimentos políticos estudantis no Brasil, sobretudo das forças (em constante embate) que compõem a UNE, a UBES e a ANPG, ou dos movimentos sociais, dos movimentos de jovens trabalhadores, dos centros de cultura, da organização em partidos, ONGs, igrejas... Gostaria de retomar, em relação a esse assunto, o movimento contra a ALCA entre final dos anos 90 e início dos 2000, protagonizado pelos estudantes, e que se baseava exatamente no oposto desse #precojusto, "fácil discursinho pequeno-burguês":

"A possível criação da Alca é motivo de preocupação tanto para os países subdesenvolvidos (a maioria) quanto para os desenvolvidos (Canadá e Estados Unidos). Esse bloco visa estabelecer uma zona de livre comércio no continente americano, onde as tarifas alfandegárias seriam, paulatinamente, eliminadas, proporcionando, assim, a livre circulação de mercadorias, capitais e serviços. Entretanto, a livre circulação de pessoas e trabalhadores entre os países integrantes não seria permitida, pois o idealizador da Alca (EUA) não pretende intensificar a entrada de latino-americanos em seu território."
http://www.brasilescola.com/geografia/alca.htm

Com a ALCA, teríamos o tal cenário em que os produtos importados dos Estados Unidos e do Canadá seriam praticamente livres de imposto sobre importação. Os países “ricos” dominariam o capital industrial, e os “pobres” da América Latina assumiriam de vez o papel de coadjuvantes, restritos à atividade primária (mas com produtos de marca e originais nas prateleiras “livres de impostos”). O grande problema nesse cenário seria a situação do Brasil, e provavelmente da Argentina e do México. Não se trata de fazer suposições evasivas, mas pesquisar o impacto que houve na economia mexicana a partir do NAFTA. Países de industrialização ascendente, sofreríamos (mais) com a procura das empresas estrangeiras pelo “baixo custo”, só que sem barreiras protecionistas que permitissem o fortalecimento da economia nacional. Em miúdos, a América Latina seria uma neocolônia norteamericana, presa pelos limites do Bloco Econômico; ao contrário da cooperação do MERCOSUL, que alavanca a expansão da nossa economia com a Europa, o Oriente Médio, a África, Rússia, China, Japão... O debate não seria sobre o imposto malvado que encarece o DVD do Harry Potter, mas ainda sobre questões de soberania nacional, dívida externa, arrocho salarial, desemprego, futuro... (tipo anos 90?).

-- -- --

E, ainda, sobre o protagonismo ATUAL da juventude, transcrevo um trecho que gosto muito, destacado de uma entrevista da Deputada Manuela D'Ávila (PCdoB/RS):

Sul21 – Tu comentaste há pouco sobre a tua trajetória no movimento estudantil. Como tu avalias o grau de politização do jovem brasileiro em geral, e do movimento estudantil em particular?

Manuela – Em primeiro lugar, eu acho que muitas vezes as pessoas caem no erro de avaliar as coisas sem levar em conta o momento histórico. Comparam os jovens de hoje com os jovens da ditadura militar… O Brasil é diferente, a vida é diferente. Os jovens que combateram a ditadura, como a Dilma (Rousseff, candidata do PT à presidência), lutaram para que a minha geração vivesse em liberdade. Temos que colocar as coisas dentro de seu período histórico. A população jovem hoje é muito maior, numericamente falando. Somos 55 milhões de jovens, e sobre nós incide de maneira mais cruel a desigualdade. Os jovens convivem com as oportunidades geradas pelo governo Lula, mas também com as desigualdades que ainda não superamos. Um cara que estuda consegue acessar a universidade, mas ele precisa trabalhar oito horas para pagar essa universidade. Então, é preciso entender quem é o jovem hoje. E também é preciso entender, na minha opinião, quais são as formas de participação da juventude. O movimento estudantil, hoje, é uma de várias formas de manifestação da juventude, como é o hip hop, como são os jovens universitários desenvolvendo pesquisas, como são os jovens que atuam no movimento de democratização da mídia… Vendo por esse lado, o movimento dos jovens é até maior hoje do que era na ditadura. Também é uma ilusão achar que todos os jovens estavam lutando pela liberdade, na época da ditadura. Acho que há uma tentativa de estereotipar nossa juventude como se ela fosse alienada, e ela não é.

Sul21 – E por que isso?

Manuela -
Porque a gente saiu de um processo muito longo de neoliberalismo, que vendia a ideia de que o indivíduo era superior ao coletivo. Para essa visão, é errado divulgar valores coletivos. Uma pessoa tem que encarar seus colegas de aula como adversários, porque eles serão adversários no mercado. A gente ainda vive em um mundo em que se difunde muito os valores individuais. E acreditar na juventude, em sua capacidade de mobilização, equivale a dizer que isso é mentira.

http://sul21.com.br/jornal/2010/10/manuela-%E2%80%9Ctenho-o-sonho-de-ser-prefeita-de-porto-alegre%E2%80%9D/






Post-scriptum: sugestões de leitura

@opinioso - Fazer a diferença (ou Porque Felipe Neto continua errado)

@opinioso - Da arte de se explicar sem se explicar (ou Porque o #preçojusto não pode ser defendido)

@Tsavkko (sugestão do @brizola_neto) - Preço Justo Já e a falta de crítica da classe média #PrecoJusto

30 de outubro de 2010

O Alegrete que os alegretenses querem para o futuro

O que significa investir em educação? Creio que investir em educação é investir em melhoria de qualidade de vida, de emprego e de desenvolvimento a médio e longo prazo. É criar oportunidades para que as nossas crianças, adolescentes e jovens vejam um horizonte próspero em seu futuro... “É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê!” – cantam Los Hermanos.

Nessa minha estadia profissional pelo Alegrete, tenho ouvido de tudo. Adotei a postura cautelosa de mais ouvir do que falar, pois tudo pelo que passamos pode se converter em aprendizado e amadurecimento. Porém, nem tudo que ouvimos deve ser assimilado acriticamente: a coerência com o modo de concebermos o mundo e modificá-lo deve estar em constante tensão com o que lemos e ouvimos.

Numa dessas conversas, em Alegrete, ouvi dizer que não há oportunidade de formação profissional para o jovem alegretense. De fato, a juventude do Alegrete deve ter prioridade nas políticas públicas nas esferas estaduais e federais (contando com a eleição da Dilma), pois muitos jovens hoje não têm perspectivas de emprego e renda, e surgem como possibilidades, ou a saída para grandes centros industriais, ou o descambar para a criminalidade. Podemos ver que isso se dá pela pobreza da região, ao (ainda!) privilegiar um coronelianismo feudal de subserviência e a concentração de renda em torno de meia dúzia de famiglias. O próprio Alegrete não investe no Alegrete, não gera poder de consumo para que se possam desenvolver economicamente as cidades da região.

Por outro lado, afirmar que nada esteja acontecendo é ler a realidade empírica de forma fragmentada e, portanto, limitada. Voltemos aos anos 90, relembremos do Alegrete naquela época, e imaginaríamos uma cidade universitária? Com certeza isso seria motivo de chacota entre a juventude da época, para quem tinha apenas Porto Alegre, Santa Maria, Rio Grande e Pelotas como possibilidades de cursar uma universidade gratuita (pública e de qualidade!).

Mas o Alegrete está mudando. Hoje a cidade conta com CINCO UNIVERSIDADES, das quais, contribuindo para a interiorização e democratização da educação, TRÊS SÃO PÚBLICAS: a Unipampa, o Instituto Federal Farroupilha (que oferece cursos tecnológicos de níveis médio e superior e atende a uma demanda de licenciaturas e cursos de pós-graduação) e a UERGS (que tende a ter seus investimentos retomados com a eleição de Tarso Genro para o Rio Grande do Sul). Além disso, temos a URCAMP, por onde as pessoas podem ser financiadas por meio do PROUNI. Também há a UNOPAR, que tem contribuído com a formação de profissionais na região por meio do ensino a distância, estimulado pelo Governo Federal, como diminuição das fronteiras à informação e ao conhecimento.

Enquanto a população da cidade não assimila a importância histórica desses investimentos na cidade, nossos jovens não estarão enxergando essas instituições como possibilidades concretas. Nós, educadores, pais, gestores públicos, jornalistas – todos – temos a responsabilidade de divulgar e incentivar nossos jovens. O grande medo hoje na cidade é que ela forme pessoas, mas não gere mercado para que possam atuar na própria cidade e região. Ora, só é possível garantir que esses profissionais possam permanecer e colaborar com o desenvolvimento da cidade se houver a geração ampla de formação e empregos à juventude, por meio de incentivos concretos de emprego e renda nas mais diversas áreas.

O posicionamento estratégico da cidade, a meio caminho do Uruguai e da Argentina, faz com que a cidade seja promissora. Porém, o que parece é que a cidade espera um messias que virá e, com a sua graça e palavras mágicas, transformará a cidade em um reino dos céus. Parece não ser claro que a mudança só pode acontecer por meio de tensionamento político, envolvimento social e posicionamento frente aos projetos para a cidade. Que cidade o povo do Alegrete quer para o Alegrete? E o que é necessário fazer para o Alegrete corresponder às expectativas dos seus cidadãos? Como operar, como resolver os problemas que impedem o Alegrete de corresponder a essas expectativas? Precisamos parar de resmungar e, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperar o apocalipse chegar! Precisamos ser propositivos e objetivos para a cidade que se espera e se quer para o Alegrete!

20 de abril de 2010

A Veja vende o seu pato

"Eu me preparei a vida toda para ser presidente", diz o presidenciável tucano José Serra na capa do caduco folhetim semanal. E não vai ser, assim como o Maluf (outro que está há tempos esperando a sua vez...).

Leia aqui, no Conversa Afiada, a denúncia dessa que é mais uma peça apelativa pró-Serra.

Sem falar no fotoshop forçado, em que o dito candidato aparece sem as olheiras habituais e as salientes gengivas que lhe são naturais:

Veja mais "fotoshopagens" equivocadas, aqui.

31 de agosto de 2009

Manipulação para a conservação da hegemonia


Hoje estávamos em um café no centro de Santa Maria da Boca do Tanque Sujo, quando vi, na entrada do estabelecimento, a edição dominical do jornal “A RAZÃO” à venda. De longe, nada se lê exceto a afirmação em destaque, com letras quase do tamanho do nome do próprio jornal.

Movido pela curiosidade e vacinado contra a manipulação midiática, quis saber a fonte. Só aí fui descobrir que as aspas eram a afirmação
de Tarso Teixeira, vice-presidente da FARSUL e presidente do Sindicato Rural de São Gabriel. E a fonte da afirmação? O "serviço de inteligência" dos produtores rurais [sic]. Ou seja, eles criam um órgão que está apto a difundir verdades ou mentiras de acordo com o seu próprio interesse. É o cúmulo do cúmulo das nossas instituições baseadas na conservação do poder. Seria cômico.

(se tiver curiosidade, clique na imagem para aumentá-la, ou acesse a versão digital do próprio jornal ao final da postagem)

Logo em seguida, enquanto tomávamos café, reparei que realmente, à certa distância, era visível apenas a afirmação em destaque completamente descontextualizada no referido jornal. Eis o velho artifício de fazer com qu
e a opinião ou a inferência se passe por factual. As pessoas vão olhar essa manchete descontextualizada e o jornal e seus patrocinadores vão conseguir convencer a "opinião pública".

Não demorou outra: logo entrou um homem com a sua esposa, um típico "cidadão de bem" que, depois de sua caminhada vespertina, foi comprar pão. Olhou a "manchete" e exclamou algo do tipo: "Mas olha só! São bandidos mesmo! A Brigada tá certa, tem que matar todos mesmo!".

Sabem, o que realmente me preocupou foi o fato do cidadão não se interessar pela fonte da afirmação. Ingenuamente aceitou a manchete. Típico dos movimentos "Fora Sarney" e "Cansei", movimentos nacionais de indignação durante o intervalo da novela. É a inocência de nem conferir a fonte da informação, e a malícia de quem sabe se aproveitar disso.

Daí a necessidade cada vez maior da democratização da mídia, que hoje é empresarial e responde aos interesses de meia dúzia de famílias. A conferência de comunicação é uma necessidade para que seja reconsiderado o papel da mídia e os seus limites. Quando falo de limites não me refiro a censura, mas à utilização da liberdade de imprensa como liberdade para cometer crimes. Afinal, calúnia, injúria, difamação e ameaça ainda são crimes pelo nosso já defasado código penal.

Não temos meios impressos de "esquerda" diários. E qual a necessidade e função de meios diários de comunicação engajados em um projeto de esquerda? E como diferenciar o discurso de esquerda do discurso consolidado há 200 anos pela mídia que surge com a ascensão da burguesia e servindo aos seus interesses até hoje?
(dêem a devida atenção à definição acima de FARC publicada pela razão provinciana.
É explícita a visão dada por quem está diametralmente oposto no campo de disputas.
Em outras palavras: a metodologia de "reportagem" foi "pras cucuias")

A esquerda não pode entrar no jogo embusteiro da reporcagem hegemônica. Seu papel é o de desvelar. É o constante discurso político a evidenciar a luta de classes, a disputa de interesses. É clarear a realidade, e não escamoteá-la. E isso passa pelo próprio reconhecimento da sua parcialidade em consonância com um projeto de sociedade. Tudo o que existe na mídia hegemônica, mas que não é admitido por ela própria. Se a linguagem conservadora tende a apagar a luta de classes, a linguagem engajada tende a explicitar e explorar essa tensão social constantemente. Sobretudo, trata-se de transformar os modelos de representação do mundo veiculados pela mídia empresarial.

Eu, que me considero um grande defensor das TVs públicas, vejo uma enorme contradição não termos sinal aberto para elas. Para se assistir a TV Senado, por exemplo, temos que ter Sky ou antena parabólica! Isso não é democracia de informação: só vou saber o que acontece no legislativo pelo privilégio que o JN dá ao tucanato e aos demos? A TVE e a TV Brasil são avanços. Mas é necessário avançar no debate sobre as concessões do governo ao mass media. E ampliar o acesso das TVs públicas, e comunitárias, que têm ótimas programações.

Lembro que comentei algo do tipo com o Prof. Denílson ano passado, durante a sua campanha para vereador em Osório. É necessário o contraponto ideológico. Os meios hegemônicos de informação hoje disputam entre si os lucros de mercado. Não há embate de idéias. Afinal, em jornal de cidade pequena, o que tiver destaque além da página policial e da coluna social é lucro. As linhas editoriais tendem a ser iguais, conforme a ideologia pequeno-burguesa. Mais do mesmo.

21 de agosto de 2009

Resultado da omissão e da hipocrisia: a morte de um Silva, um brasileiro (2)

Confronte o texto e as imagens. Eles falam por si próprios:


NOTA PÚBLICA SOBRE O ASSASSINATO DE ELTON BRUM PELA BRIGADA MILITAR DO RIO GRANDE DO SUL - 21 de agosto de 2009

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público manifestar novamente seu pesar pela perda do companheiro Elton Brum, manifestar sua solidariedade à família e para:

1. Denunciar mais uma ação truculenta e violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que resultou no assassinato do agricultor Elton Brum, 44 anos, pai de dois filhos, natural de Canguçu, durante o despejo da ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel. As informações sobre o despejo apontam que Brum foi assassinado quando a situação já encontrava-se controlada e sem resistência. Há indícios de que tenha sido assassinado pelas costas.

2. Denunciar que além da morte do trabalhador sem terra, a ação resultou ainda em dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos de estilhaços, espadas e mordidas de cães.

3. Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais. O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado. A criminalização não é uma exceção, mas regra e necessidade de um governo, impopular e a serviço de interesses obscuros, para manter-se no poder pela força.

4. Denunciamos o Coronel Lauro Binsfield, Comandante da Brigada Militar, cujo histórico inclui outras ações de descontrole, truculência e violência contra os trabalhadores, como no 8 de março de 2008, quando repetiu os mesmos métodos contra as mulheres da Via Campesina.

5. Denunciamos o Poder Judiciário que impediu a desapropriação e a emissão de posse da Fazenda Antoniasi, onde Elton Brum seria assentado. Sua vida teria sido poupada se o Poder Judiciário estivesse a serviço da Constituição Federal e não de interesses oligárquicos locais.

6. Denunciamos o Ministério Público Estadual de São Gabriel que se omitiu quando as famílias assentadas exigiam a liberação de recursos já disponíveis para a construção da escola de 350 famílias, que agora perderão o ano letivo, e para a saúde, que já custou a vida de três crianças. O mesmo MPE se omitiu no momento da ação, diante da violência a qual foi testemunha no local. E agora vem público elogiar ação da Brigada Militar como profissional.

7. Relembrar à sociedade brasileira que os movimentos sociais do campo têm denunciado há mais de um ano a política de criminalização do Governo Yeda Crusius à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, à Ouvidoria Agrária e à Organização dos Estados Americanos. A omissão das autoridades e o desrespeito da Governadora à qualquer instituição e a democracia resultaram hoje em uma vítima fatal.

8. Reafirmar que seguiremos exigindo o assentamento de todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul e as condições de infra-estrutura para a implantação dos assentamentos de São Gabriel.

Exigimos Justiça e Punição aos Culpados!

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!

Reforma Agrária, por justiça social e soberania popular!

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (http://www.mst.org.br/)

(clique na imagem para ampliá-la ou aqui)

Resultado da omissão e da hipocrisia: a morte de um Silva, um brasileiro (1)


Violência em ruas e estradas na data instituída para conscientizar as pessoas sobre os perigos do trânsito. Liberado o trânsito no trecho da BR 101, no Litoral Norte, onde se formou uma cratera na quarta-feira. Chega ao fim o maior acervo de carros antigos do Brasil. A Justiça determinou a retirada dos veículos do museu da Ulbra, em Canoas. A morte de um integrante do MST durante a desocupação de uma fazenda na Região Central do Estado vai ser investigada pela Polícia civil e Brigada Militar. O ministério Público também vai acompanhar o caso. Os manifestantes estavam na propriedade há 10 dias. O corpo do agricultor morto vai ser enterrado neste sábado em Canguçu. Quinze espingardas calibre 12, que estavam com os PMs e foram apreendidas vão passar por perícia. Duas idosas ficaram feridas em um incêndio em Santa Maria. Sol predomina em todo o Estado nesta sexta-feira. Confirmadas mais nove mortes pela nova gripe no Estado, que passa a ter 93 casos fatais. Definidos, na Assembleia Legislativa integrantes da CPI que vai apurar supostas irregularidades no governo gaúcho. A comissão será instalada na próxima quarta-feira. Um passageiro morreu e um taxista ficou ferido esta tarde em Porto Alegre. Amanhã, em São Paulo, o Inter enfrenta o Palmeiras, líder do Campeonato Brasileiro. E o Grêmio joga domingo, às quatro da tarde, com o Atlético Mineiro no Estádio Olímpico. Uma mulher foi detida em Canoas por passar trotes à Brigada Militar.
(Resumo do RBS notícias, jornal do PIG local entre as novelas das 6 e das 7).

Um sem-terra morreu.
Olhando a TV enquanto jantam, muitos darão de ombros. Outros estão apenas com a TV ligada por costume, nem ouviram o que foi dito. Outros perguntarão: “o que eu tenho a ver com isso?”

Elton Brum da Silva, 44 anos, morreu.
Uma notícia de alguém que faleceu. Na TV, mais uma morte entre tantas. Alguém, um “silva”. Mais simbólico do que esse sobrenome, impossível. É nome do próprio Brasil.

Elton Brum da Silva, trabalhador rural sem-terra foi morto pelas costas. Elton, não o conheci. Também nunca havia ouvido falar nele. Mas o Silva sim. O Silva é um entre tantos brasileiros que sonham dias melhores. Que querem trabalhar e se verem incluídos no corpo social do país. Que querem tudo de bom pra todo mundo. Que deve ter alguém que o ame, e alguém que foi amado por ele. Talvez tenha filhos, ou sobrinhos. Vizinhos e amigos. Talvez ainda tivesse pais, tivesse uma família por quem zelar. Com certeza tinha companheiros de luta. Com certeza compartilhava sonhos com as pessoas que o cercavam.

Mais um Silva morreu. Foi morto. Pela equívoca ação policial. Pelos equívocos governos. Foi condenado à morte o trabalhador privado de terra que questionava as regras do jogo. Que questionava o direito de uns sobre a propriedade privada. Um Silva foi morto hoje pelo sonho de poder ter uma casa e um trabalho. A morte de um Silva hoje expõe as veias abertas de um modelo de sociedade que chega aos seus limites.

O exercício de alteridade pode ser resumido como nos colocarmos no lugar do outro. Pois bem: estamos sentados frente ao computador agora lendo isso. Podemos pensar sobre que teto moramos agora. Sobre a situação econômica da nossa família. A nossa fonte de renda. A nossa formação intelectual. Os nossos hábitos. Nossas manias. Nossos vícios. O que nos dá prazer. Sobre nossos pais e nossos filhos. Sobre o que queremos do futuro. As expectativas, as esperanças que nos movem. Podemos parar agora e pensar em todo o universo que gira nesse instante ao redor do nosso umbigo. Vamos pensar em todas as pessoas e toda a história da nossa vida que fazem com que nos constituamos como esse sujeito que nesse instante está lendo esse texto. Agora, vamos conseguir nos colocar no lugar de nosso vizinho? No lugar do próximo? Somos capazes de imaginar os sonhos e expectativas interrompidas de modo estúpido? Podemos imaginar o que move uma pessoa a viver de acampamento em acampamento, em conflito direto e constante com o sistema? Podemos comensurar o que é ter homens, mulheres e crianças sendo retiradas de uma terra de manhã cedo pela polícia militar? Pessoas que já são feridas na dignidade por não estarem incluídas no sistema, e ainda assim lutam contra esse sistema, e acabam sendo mais humilhadas por esse mesmo sistema. Podemos nos colocar no lugar de um Silva que foi assassinado? Podemos nos colocar no lugar do Elton, de 44 anos, integrante do movimento de trabalhadores rurais sem-terra que foi assassinado pelas costas pela polícia em uma ação de reintegração de posse movida por um latifundiário com a bunda cheia de dinheiro e seu advogadozinho e aceita pela (in)justiça?

Hoje somos levados a agir como se fôssemos muitos: reivindicamos e agimos como consumidores, como clientes, como eleitores, como inquilinos, contribuintes ou pacientes; como estudantes, trabalhadores e/ou aposentados. Talvez nos falte uma unidade: pensar como cidadãos. Pensar que temos responsabilidade pelo sistema que nos cerca em sua totalidade. Afinal, como seria se em vez de reivindicarmos nossos direitos como consumidores, agíssemos como consumidores cidadãos? Como estudantes cidadãos? Trabalhadores cidadãos? Patrões cidadãos? Eleitores cidadãos?
Percebe a sutil diferença?

Hoje um Silva morreu. Elton da Silva foi assassinado.
Por quem?
Quem disparou o tiro deve ser responsabilizado. Quem permitiu a ação policial com uso de armas de fogo merece ser responsabilizado. Quem planejou a ação policial que permitisse a morte de quem quer que fosse, merece ser responsabilizado. Quem adota políticas de repressão análogas às ações da ditadura (que eu esperava encontrar apenas em livros de história e filmes sobre o passado) também deve ser responsabilizado. A justiça que age em seu gabinete mas não calcula as consequências (ou calcula muito bem) que a suas decisões podem tomar também deve ser responsabilizada. Mas não só eles. Hoje todos nós somos também responsáveis por essa morte, por esse assassinato pelas costas, por esse ato de covardia. Por que somos nós que acabamos sustentando esse modelo de sociedade. Esse modelo de fragmentação, de individualismo, de seleção, de hipocrisia. É nossa obrigação fazer um exercício de alteridade e, consequentemente, um balanço de nossa vida. A pessoa que mais se declara inocente é conivente e omissa com a morte dos Silva, a morte de vários brasileiros que como Elton, foram assassinados com um ato de covardia pelo sistema que nós sustentamos. E o que fazer?

A notícia da morte de Elton Brum da Silva foi notíciada na TV depois da novela que se passa no interior. Antes se falou de carros antigos, depois se falou do Inter e do Grêmio. Depois deu a novela do macaco. E, se não agirmos em torno da responsabilidade que temos sobre o universo que nos cerca (que começa – mas não termina – na hora do voto), volta tudo a ser como é, como alguns querem que seja. E daí depois tem a novela das 8.


14 de agosto de 2009

Soberba disfarçada de erudição


Essa tomei conhecimento através do Cloaca News. E diz respeito aos pseudojornalistas dando pitacos de pseudointelectuais. Afinal, é o que justifica encontrarmos na famigerada página 10 do folhetim ZeroHora a seguinte notinha da infeliz colunista do pseudoinformativo:

Erudição
Cotado para alto cargo na CPI da Corrupção abusa de expressões como “seje” e “houveram denúncias”.
E não é do partido do presidente Lula.
Aliás, o petista José Dirceu ainda não consegue dizer "problema".

Que prazer sádico será esse em se autopromover em virtude do triste hábito de menosprezar os equívocos linguísticos alheios? Pouco importaria a quem especificamente ela está se referindo. No entanto, uma notinha "banal" dessas em uma página "política" apenas evidencia a tensão e a luta social de interesses. O folhetim da Terra do Nunca (último baluarte do governo Yeda) adota explicitamente a mesma estratégia que a governadora usa para sua defesa: a desqualificação do outro. O presidente Lula é pintado como analfabeto até agora: no entanto, é o uso simples que o presidente faz da linguagem que comunica. Talvez isso explique os altos índices de popularidade? De nada adiantaria se não houvesse resultados práticos; mas o âmbito linguístico com certeza deve ajudar.

Cabe nesse infeliz comentário da senhora Rosane uma intervenção nossa a respeito de quem deve ocupar cargos públicos. Seguidamente ouço gente opinando em uma formação em "Administração de Empresas" para quem ocupe cargos públicos. De qualquer forma, qualquer formação pós-escolar seria garantia de "erudição" e sucesso administrativo.

Primeiro que um Estado não é uma Empresa. A finalidade primeira de uma empresa é o lucro do patrão. E qual a finalidade primeira de um governo de um município, um estado ou um país, se não o bem-estar da população? Portanto, a formação que um político deve ter é a formação política: é participar ativamente da vida pública do lugar. Já deveria ter passado o estilo da monarquia, em que a corte vivia da plebe mas não se misturava com ela. Hoje, pela idéia de república democrática, deveria ser essa "plebe" no poder. Mas não está. Por quê?

Nossos representantes deveriam ser pessoas com as quais nos identificássemos. Mas alguém aqui se identifica, por exemplo, com a conta bancária do pai do deputado "Mano Changes"? Ou com a do Simon? Sabemos o que pensam sobre a sociedade? Eles estão lá para quê, afinal? Para quem? Isso começa na eleição para vereador: deveríamos votar em quem representa segmentos sociais e projetos políticos nos quais nos identificamos. Mas não nos identificamos com nada? Não gostamos de política? Então, quer dizer que deixamos as coisas andarem sozinhas até o ponto em que a imprensa noticia falta de ética? Sim, a imprensa, porque se dependesse de esforço próprio para apurar informações...

Eis um dos motivos pelo qual o modelo de sociedade que temos hoje, vindo do modelo da revolução francesa, merece mudar. Ainda não vivemos uma democracia plena, ainda não somos uma pátria livre e totalmente soberana. Essas mudanças poderão vir por diferentes maneiras. Mas elas só poderão se efetivar a partir do momento em que nos delegarmos os papéis políticos que - por inocência ou apatia - delegamos aos nossos algozes. De fato, não adianta apenas mudarmos as pessoas que lá estão: é necessária uma mudança pontual no sistema político. Mudança essa que não está alheia à visão global de sociedade que temos (ainda que não se tenha parado para pensar nisso, cada um de nós tem uma visão de sociedade: poderá chamar isso de ideologia). Já paramos para pensar a quem nos deixamos convencer um ou outro modelo de sociedade? Isso não vem para nós direto da política constitucional não... Isso entra em nossa casa pela telinha da TV também nas mais inocentes novelas e se dissemina em nossos círculos sociais.

Voltando: quem é o "erudito"? A quem interessa a soberba de mostrar "erudição"? Delegamos maior confiança a quem se autopromove, não é? Eis a sociedade do espetáculo na qual nos inserimos...

21 de junho de 2009

SURPLUS - Legendado

Aqui no blog eu já postei "A história das coisas" e os dois filmes de "Zeitgeist". Somando-se a esses documentários que se propõem a desvelar mecanismos da sociedade capitalista na qual nos inserimos, sugiro "Surplus" (sugestão, por sua vez, retirada de uma comunidade do Orkut):



"
Estamos aterrorizados em sermos consumidores. Nós temos a liberdade de escolher entre a marca A, a marca B e a marca C... é essa a nossa liberdade".

23 de abril de 2009

Programa de Lutas: hoje e há um ano


Dia 22 de abril tive a oportunidade de acompanhar, como parte do Encontro Estadual de Educadores e Educadoras das Escolas da Reforma Agrária do Rio Grande do Sul, uma palestra sobre estudo e debate da Conjuntura Agrária e o MST, com João Pedro Stédille e Ivonete Tonin. É parte de um grande avanço a universidade federal estar acolhendo esse tipo de debate que, na verdade, propicia um princípio de democratização do conhecimento. A academia torna-se um espaço tanto de ensino como de aprendizado quando é ocupada pelos movimentos populares, re-significando, portanto, a própria idéia de universidade. Assim, são postos como elementos condicionantes para o êxito da consolidação de sonhos materializados em projetos de mudança:

- luta social;
- organização;
- conhecimento.

Stédile, em sua fala, destaca a necessidade que se impõe à luta pela reforma agrária em se unir com outras frentes de luta para derrotar o sistema neoliberal. Ou seja, as diversas frentes de luta não podem continuar isoladas; o momento histórico exige que se retomem pautas específicas como parte de um projeto maior de sociedade, mais amplo. Trata-se de um dos grandes desafios daqueles que contestam o sistema vigente, conforme Ivonete abordou. Cada postura e cada reivindicação transpassam um projeto de sociedade que se deseja, portanto, eles devem estar concatenados com um projeto maior para o modelo que se quer. Em jogo se coloca a necessidade de um projeto coletivo, unificado a partir dos mais diversos anseios das classes populares.

As mudanças que se almeja não se tratam, necessariamente, apenas de reformas de base. As mudanças que por ora se almejam podem ser mais profundas no que diz respeito aos modelos de sociedade; ou seja, deve-se continuamente se questionar que tipo de homens e mulheres serão formados por uma nova sociedade, que valores, que ética e que moral. O que não significa, por sua vez, contentar-se com o que está posto. Acreditar em um futuro melhor é constitutivo do ser humano, é o que faz com que nosso corpo e nossa mente não seja apenas um aglomerado de carne e ossos esmorecidos.

É nesse momento de crise que costumam se desenhar grandes mudanças; e cabe a cada um decidir o seu papel, seja de espectador ou de protagonista dessas mudanças. Pois cada um de nós é responsável pelas escolhas que tomamos. O porvir será construído a partir do desejo dos protagonistas do processo, e cabe aos protagonistas vislumbrarem o futuro e suas consequências, tanto positivas quanto negativas. Para uns e para outros, o modo de lidar com esses anseios de mudanças são diferentes: as contradições que se estabelecem são entre o descontentamento com o presente, mas ao mesmo tempo, um medo do desconhecido. E cabe ressaltar que lançar-se ao desconhecido é despersonalizar-se em meio à escuridão, apesar de tatear-se o tempo todo à procura de luz. Assim, lançar-se a um projeto cujas proporções são desconhecidas pode ser análoga à visão à beira do abismo: um misto de medo e fascínio...

Não deixe de acessar: http://www.mst.org.br/mst/home.php
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O MST hoje está em meio à criminalização dos movimentos sociais e o avanço do agronegócio; assim, enfrentam o bombardeamento midiático em relação ao caso no Pará, sem que haja o direito ao contra-argumento, bem como no que diz respeito ao fechamento das escolar itinerantes e o despejo de acampamentos. As informações que seguem abaixo são de quase um ano atrás. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. E o que mudou? O que continua na mesma?

NOTÍCIAS DO RIO GRANDE DO SUL

A dona Yeda é a encarnação da barbárie dos burocratas de plantão instalados em diferentes instituições da sociedade do RS. Lá estão eles, nas Universidades, nos Meios de Comunicação, nos Aparelhos Ideológicos e Repressivos do Estado com os seus Partidos (PMDB, PP, PPS, DEMOS, PTB...) etc. E agora o Ministério Público, com a sua "investigação" subsidiada em fontes contaminadas por ideologias ultrapassadas e desprovidas de princípios éticos, científicos e metodológicos, está perdendo legitimidade e confiança diante de uma cidadania plena.
O que me deixa indignada e perplexa, além da retórica do MP é o momento escolhido pela PM atacar o MST: ao amanhecer de um dia de inverno rigoroso com os campos cobertos de geada para desmontar os acampamentos. Só quem viveu ou vive no campo sabe que a intensidade de frio nesse horário é o mais intenso, tem-se a sensação que ele penetra no corpo atingindo até os ossos.
Essas incivilidades estão acontecendo por que o RS tem uma governadora com muita "sensibilidade", como foi propagado em sua campanha. O Rio Grande está mostrando as garras da sua "elite".
Nelly
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8783903740547413857&postID=6887972303826215733&isPopup=true&pli=1


zerohora.com
Confira, em fotos, o trabalho de remoção das famílias realizado pela BM em Coqueiros do Sul
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1980997.xml&template=3898.dwt&edition=10092&section=807
(link logo abaixo da reportagem “A NOVA FORMA DE COMBATE AO MST”)

Deputados criticam atitudes da Brigada Militar e do Ministério Público estadual
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Na Assembléia Legislativa, o líder da bancada do PT, Raul Pont, condenou a operação da Brigada Militar em dois acampamentos do MST e expressou preocupação com as sucessivas investidas da BM e do Ministério Público Estadual contra os movimentos sociais. “Este procedimento objetiva criminalizar os movimentos sociais”, denunciou. Pont também chamou a atenção para a manchete do jornal Zero Hora nesta quarta-feira, “MST sofre contra-ataque ao amanhecer”. “Qual foi o ataque? Qual foi a invasão feita ontem?” – questionou. A Brigada, acrescentou o deputado, não combate a violência nas cidades e tampouco faz policiamento preventivo, mas com a maior facilidade reúne 500 policiais para um contra-ataque a um ataque que não aconteceu num acampamento majoritariamente composto por crianças e mulheres. “Essa é a atual política do Estado”, resumiu Pont.
Na mesma linha, o deputado Dionilso Marcon disse que o governo do Estado e o Ministério Público têm raiva de pobre. “Vou pedir à Comissão de Direitos Humanos do Senado para interferir junto ao MP a fim de que este órgão deixe de perseguir os pobres”, anunciou o deputado que criticou ainda o MP por ter pouca disposição para apurar denúncias de corrupção no Detran e em outros órgãos públicos.
http://www.rsurgente.net/2008/06/deputados-criticam-brigada-e-ministrio.html

Acampados - episódio Coqueiros do Sul

Uma aula de vida e de sociedade para qualquer um...


Yeda Crusius manda coronel Mendes reprimir protestos contra corrupção no governo
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

"A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gás lacrimogêneo e spray pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para a frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano".
http://www.rsurgente.net/2008/06/baderna-provocada-por-gente-desocupada.html

"Os policiais, comandados pelo coronal Paulo Mendes, lançaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra o grupo e atingiram, inclusive, os deputados Raul Carrion (PcdoB) e Dionilso Marcon (PT), que acompanhavam a marcha e tentavam negociar e liberação pacífica da manifestação".
http://www.rsurgente.net/2008/06/yeda-crusius-manda-coronel-mendes.html

Brigada Militar Agride Manifestantes em Porto Alegre


Do site da Assembléia Legislativa do RS I

“Manifestantes não podem ser tratados como delinqüentes. Impedir o acesso deles à Praça da Matriz é incompatível com o Estado Democrático de Direito e com a Constituição”, alertou, acrescentando: “o primeiro ato deste novo Conselho criado para gerenciar a crise foi entregar a polícia ao coronel Paulo Mendes, uma pessoa sem condições de dirigir a Brigada Militar devido a sua visão truculenta, que confunde manifestantes com delinqüentes e criminosos. Esta política é de responsabilidade dos partidos que assumiram este Conselho”.
http://www.al.rs.gov.br/ag/NOTICIAS.ASP?txtIDMATERIA=204995&txtIdTipoMateria=3

Enquanto isso...
Veiculação das notícias na RBS TV

(Reportagem especifica a partir de 05:34)

Do site da Assembléia Legislativa do RS II
"Durante o período do Grande Expediente, o deputado José Sperotto (DEM) prestou homenagem à empresa Aracruz Celulose. Dois assuntos dominaram os debates na tribuna: o confronto ocorrido hoje entre manifestantes e a Brigada Militar em Porto Alegre e as denúncias que envolvem o governo federal na venda da Varig".
http://www.al.rs.gov.br/ag/NOTICIAS.ASP?txtIDMATERIA=204998&txtIdTipoMateria=1

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7 de janeiro de 2009

A crise norte-americana no Brasil

Está circulando pela rede. Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender.
























"O seu Biu tem um bar na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BMF, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu".

Fonte: http://escriba.org/novo/2008/09/crise-financeira-americana-para-leigos/

"-- Alguém se lembra de como se saiu da crise de 1929?"
"-- Eu, eu, senhor, eu sei!"