literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.

18 de agosto de 2009

"Quem disse que a literatura não incomoda mais?" (2)

Começo essa postagem considerando um desafio que meu cunhado me propôs: conhecer livros de José Sarney. E terminarei propondo um outro desafio a nós todos.

Sarney (PMDB-AP) não é senador pelo Maranhão. No Amapá ele consegue eleger-se senador com 152.486 votos, o que representa 53,87% dos votos válidos. A título de comparação, Passo Fundo – RS tem 183.300 habitantes (2007). Além de ser tudo isso que há mais de 50 anos todo mundo sabe que ele é (mas só agora o tucanato e demos descobriram, depois de apoiar a sua eleição para a presidência do senado, derrotando o candidato Tião Vianna do PT-AC. E quem é o suplente da vaga de Sarney na presidência, hein? Hein?), é o atual membro mais antigo da Academia Brasileira de Letras. José Sarney ingressou no universo literário com um livro de poemas em 1952. Também é autor de contos, crônicas, e romances, e foi eleito para a ABL em 1980.

Você já leu algum livro de Sarney? Eu confesso que ainda não. Mas lerei, respondendo ao desafio do meu cunhado e à minha curiosidade. Afinal, temos muitos nomes importantes na ABL hoje. Essa instituição apresenta-se, no artigo primeiro de seu estatuto como: "Art. 1º - A Academia Brasileira de Letras, com sede no Rio de Janeiro, tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional, e funcionará de acordo com as normas estabelecidas em seu Regimento Interno" (ou será pôr fim?). Espero que, em caso de extinção da Academia (como previsto no artigo 9º) ainda possamos ter acesso a cultura de língua e literatura do Brasil. Porém, me chama mais atenção a respeito da ABL não são os Highlanders que por lá passaram (por favor, ninguém tente cortar a cabeça do Paulo Coelho!), mas justamente os que não passaram: ou é possível falar em Literatura Brasileira e não ter como referências à história da nossa cultura da língua e da literatura escritores como Lima Barreto, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Clarisse Lispector, Érico Veríssimo, Vinícius de Morais ou Mário Quintana? Que critérios afinal são esses para (como diria Olavo Bilac), separar os latoeiros dos ourives? Afinal: para que serve a Academia Brasileira de Letras? Para tomar chá?

Comecei o texto fazendo referência ao desafio do cunhado. Pois bem: entre divagações literárias, encontramo-nos julgando uma obra que não tínhamos lido. De fato, eu já havia despertado certa curiosidade pela literatura “sarneydiana”, mas ainda não tomei iniciativa alguma em ler os livros.

Mas, considerando a última novidade, como poderei (e poderão) culpar-me em divagar sobre livros que não li?

A novidade? Fernando Collor de Mello, ex-governador das Alagoas, ex-presidente da República e escorraçado do Planalto, atual senador pelas Alagoas (na vaga deixada por Heloísa
Helena – Psol) e empresário da Organização Arnon de Mello (um dos maiores complexos na área das comunicações do Norte-Nordeste do Brasil, composta por Rádios, Emissora de TV, Jornal, instituto de pesquisa, entre outros. [...] As suas rádios são as mais ouvidas no estado, a sua Emissora Televisiva foi a primeira a transmitir em cores para Alagoas e seu jornal é o mais lido) é pleiteado a ingressar na Academia Alagoana de Letras. Sem concorrentes. E sem algum livro publicado.

A Academia Alagoana de Letras existe desde 1919. Assim como a ABL, tem 40 cadeiras, que homenageiam ilustres alagoanos falecidos. No site da AAL senti falta de alguma
lista que fizesse referência aos que são e já pertenceram a essa Academia. Obriguei-me a recorrer à Wikipédia, para descobrir que nomes ilustres a comporem a história da AAL passam por Lêdo Ivo e Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira. Mas não consegui dados suficientes para saber se Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Djavan ou Zagallo também fizeram parte da Academia Alagoana. E agora querem que Collor entre para a nata dos ourives das letras alagoanas. Sem concorrentes. E sem algum livro publicado.

Não sei se o estatuto da AAL segue o modelo da ABL. Mas, no estatuto da Academia Brasileira encontramos o seguinte artigo: "Art. 2º - Só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário. As mesmas condições, menos a de nacionalidade, exigem-se para os membros correspondentes." As questões de valor literário e reconhecido mérito devem ser deixadas, ao menos por enquanto, de lado. Mas e a publicação de "qualquer dos gêneros da literatura"? Lógico que cabe a pergunta cabal: o que é literatura? E que conceito as Academias Brasileira e Alagoana de Letras utilizam?

Por exemplo: Getúlio Vargas foi membro da Academia tendo publicado apenas discursos. A bibliografia de Santos Dumont nem consta no site da ABL. Roberto Marinho publicou "Uma trajetória liberal" em 1992, e foi empossado na ABL em 1993. Se a regra é não ter regra, nenhum problema em Fernando Collor ingressar na AAL.

Diz Ivan Barros - escritor, jornalista e imortal - ao Tribuna do Sertão: “Ele [Collor] pode ter concorrente, alguns colegas acadêmicos podem receber pressões, mas a verdade é que tem dotes intelectuais de grande valia. Sua pretensão é modesta: apenas conviver mais intensamente com os amigos acadêmicos, razão pela qual não hesitarei em dar o meu voto e apoio. Depois a Academia Alagoana de Letras, que tem como presidente Fernando Iório (grande amigo de Collor), não pode privar-se de um homem de grande valor. Depois disso, Collor está ligado a Academia Alagoana pelo coração e pelo espírito. Seu pai, Arnon pertenceu aos quadros da Academia”.
Segundo a IstoÉ, também o poeta Lêdo Ivo, membro da Academia Brasileira de Letras, (ABL) defende a imortalidade de Collor: "Ele preenche as condições. É autor de vários discursos, vai lançar um livro. Espero que entre, depois, para a ABL", disse.

Para se candidatar à almejada vaga de imortal da AAL, Fernando Collor teria apresentado uma coletânea dos seus discursos e artigos sobre os mais
variados temas, e a pretensão de publicar "A crônica de um golpe", que retratará a sua visão sobre o processo de impeachtment. Pois é. Se ao menos esperassem ele publicar o tal livro. Nem precisariam ler, haja vista a situação; mas não seria tão escrachado. Fica agora o desafio que proponho: lermos a famigerada literatura do imortal Fernando Collor.

Agradecimento Post-Scriptum: para essa postagem tive a colaboração do amigo Crazy Water do Interior.

14 de agosto de 2009

Soberba disfarçada de erudição


Essa tomei conhecimento através do Cloaca News. E diz respeito aos pseudojornalistas dando pitacos de pseudointelectuais. Afinal, é o que justifica encontrarmos na famigerada página 10 do folhetim ZeroHora a seguinte notinha da infeliz colunista do pseudoinformativo:

Erudição
Cotado para alto cargo na CPI da Corrupção abusa de expressões como “seje” e “houveram denúncias”.
E não é do partido do presidente Lula.
Aliás, o petista José Dirceu ainda não consegue dizer "problema".

Que prazer sádico será esse em se autopromover em virtude do triste hábito de menosprezar os equívocos linguísticos alheios? Pouco importaria a quem especificamente ela está se referindo. No entanto, uma notinha "banal" dessas em uma página "política" apenas evidencia a tensão e a luta social de interesses. O folhetim da Terra do Nunca (último baluarte do governo Yeda) adota explicitamente a mesma estratégia que a governadora usa para sua defesa: a desqualificação do outro. O presidente Lula é pintado como analfabeto até agora: no entanto, é o uso simples que o presidente faz da linguagem que comunica. Talvez isso explique os altos índices de popularidade? De nada adiantaria se não houvesse resultados práticos; mas o âmbito linguístico com certeza deve ajudar.

Cabe nesse infeliz comentário da senhora Rosane uma intervenção nossa a respeito de quem deve ocupar cargos públicos. Seguidamente ouço gente opinando em uma formação em "Administração de Empresas" para quem ocupe cargos públicos. De qualquer forma, qualquer formação pós-escolar seria garantia de "erudição" e sucesso administrativo.

Primeiro que um Estado não é uma Empresa. A finalidade primeira de uma empresa é o lucro do patrão. E qual a finalidade primeira de um governo de um município, um estado ou um país, se não o bem-estar da população? Portanto, a formação que um político deve ter é a formação política: é participar ativamente da vida pública do lugar. Já deveria ter passado o estilo da monarquia, em que a corte vivia da plebe mas não se misturava com ela. Hoje, pela idéia de república democrática, deveria ser essa "plebe" no poder. Mas não está. Por quê?

Nossos representantes deveriam ser pessoas com as quais nos identificássemos. Mas alguém aqui se identifica, por exemplo, com a conta bancária do pai do deputado "Mano Changes"? Ou com a do Simon? Sabemos o que pensam sobre a sociedade? Eles estão lá para quê, afinal? Para quem? Isso começa na eleição para vereador: deveríamos votar em quem representa segmentos sociais e projetos políticos nos quais nos identificamos. Mas não nos identificamos com nada? Não gostamos de política? Então, quer dizer que deixamos as coisas andarem sozinhas até o ponto em que a imprensa noticia falta de ética? Sim, a imprensa, porque se dependesse de esforço próprio para apurar informações...

Eis um dos motivos pelo qual o modelo de sociedade que temos hoje, vindo do modelo da revolução francesa, merece mudar. Ainda não vivemos uma democracia plena, ainda não somos uma pátria livre e totalmente soberana. Essas mudanças poderão vir por diferentes maneiras. Mas elas só poderão se efetivar a partir do momento em que nos delegarmos os papéis políticos que - por inocência ou apatia - delegamos aos nossos algozes. De fato, não adianta apenas mudarmos as pessoas que lá estão: é necessária uma mudança pontual no sistema político. Mudança essa que não está alheia à visão global de sociedade que temos (ainda que não se tenha parado para pensar nisso, cada um de nós tem uma visão de sociedade: poderá chamar isso de ideologia). Já paramos para pensar a quem nos deixamos convencer um ou outro modelo de sociedade? Isso não vem para nós direto da política constitucional não... Isso entra em nossa casa pela telinha da TV também nas mais inocentes novelas e se dissemina em nossos círculos sociais.

Voltando: quem é o "erudito"? A quem interessa a soberba de mostrar "erudição"? Delegamos maior confiança a quem se autopromove, não é? Eis a sociedade do espetáculo na qual nos inserimos...

12 de agosto de 2009

Bate-papo com Igor de Fato

Igor de Fato: Che, tu viu a matéria que postei no meu blog? É exclusiva do IGOR DE FATO! É um furo!

Blog do Berned: Sim, li... De fato, eu tinha comentado algo com a Luciéle a respeito do postinho Wilson Noal. Tá visível a depredação. Percebemos que cadeiras estofadas foram retiradas e não foram repostas; e a pediatra que ia com regularidade está indo apenas umas duas vezes por semana.

***

Essa semana o blog IGOR DE FATO entrevistou com exclusividade a coordenadora do Conselho Municipal de Saúde de Santa Maria, Rosa Maria Salaib Wolff:

Rosa Wolff - Estamos vivendo no município um total desmonte da saúde pública. As equipes de Saúde da Família foram demitidas sem que tivesse havido concurso publico para recompor os quadros, e 16 unidades de saúde estão fechadas ou atendendo sem médicos ou enfermeiros. Cada uma dessas unidades era responsável por 4.500 pessoas, e como vemos, temos 70.000 sem nenhuma assistência nesse momento que temos a gripe H1N1 solta por aí. Apenas na zona sul temos 500 pessoas acamadas (não saem da cama) e que recebiam atendimento das equipes, e que agora não têm essa atenção. São pessoas que usam por exemplo sonda vesical pois não conseguem urinar; essas sondas têm que ser trocadas a cada 3 dias, senão provocam infecção, que nessas pessoas é potencialmente fatal. Quando colocado isso ao secretário de saúde, ele respondeu que esses doentes não eram de agora e sim da gestão passada, e que ele tem que resolver problemas de agora”.

No mais, conversávamos eu e Igor sobre pessoas conhecidas (será você?) que vivem as contradições da dita pós-modernidade... Trata-se de uma conversa informal de botequim pelo Google Talk, que, portanto, não fundamenta – ao menos em princípio – teoricamente certas reflexões críticas.

"Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas ou com fatos reais terá sido mera coincidência".

***

[...] Igor de Fato: É a pós-modernidade. [fulanos] são tipicamente pós-modernos.

Blog do Berned: Não é uma questão de indivíduos serem ou não serem, Igor... Digamos que [fulanos] vivem as contradições da pós-modernidade. Mas todos estamos inseridos em uma realidade pós-moderna.

Igor de Fato: Discordo, pois sustento que a modernidade ainda não acabou. A pós-modernidade é uma ideologia, não é um tempo.

Blog do Berned: Também concordo que a modernidade ainda não acabou... Senão não seria pós "modernidade". Talvez seja uma ideologia, em princípio discordo, mas não sei... Sei que é pela pós-modernidade que podemos conviver com essas multiplicidades sociais, e inclusive poder viver com essas próprias contradições. E concordo que a modernidade não acabou: vejo a "pós" como apenas mais uma das tantas facetas da modernidade. Se é uma ideologia, estamos imersos nela também.

Igor de Fato: O pós-modernismo fundamentalmente é a crença no fim dos grandes projetos e a negação das grandes utopias.

Blog do Berned: A questão é que é fato... De uma maneira geral somos levados a não crer em grandes projetos e a acreditar no fim das utopias... Se ainda há os que acreditam, é por pura resistência... Como no nosso caso.

Igor de Fato: Uhum. Mas estamos num momento de mudança. Nos últimos vinte anos foi resistência pura. Agora já se fala em socialismo do século XXI, tem 8 edições do Fórum Social Mundial, e o neoliberalismo está em crise. É um outro momento pra se falar em grandes projetos, em socialismo; é um momento melhor do que os anos 90.

Blog do Berned: Sim... Podemos viver uma mudança... Mas é justamente a pluralidade de "ideologias", sua coexistência em tensão mas passível de convivência, e a vivência de contradições inerentes a essa pluralidade que eu vejo como "pós-moderna". E o fato de admitir que vivemos na pós-modernidade não é necessidade de aceitar, mas poder ser protagonista da mudança, mesmo quando a nossa ideologia nos exerce uma pressão de que "não vale a pena".

Igor de Fato: Sereno Pablo, sereno. Eu avalio que estamos numa ressaca da queda do muro ainda. A coisa mais extraordinária que surgiu depois da queda foi o Fórum Social Mundial. Foram os caquinhos sendo juntados: "um outro mundo é possível". Depois disso, governos começaram a colocar em prática experiências contra-hegemônicas. A América Latina está em ebulição. A China ainda fala em socialismo, e a Coréia, Vietnam, Cuba. Em todo mundo a hegemonia estadunidense sendo negada, embora ainda seja hegemonia. Por isso vejo muita esperança, pois existe luta. E onde há luta há esperança. Existe ainda uma dificuldade de projetos consensuais, mas alguns consensos estão se formando. No andar da carruagem as melancias se ajeitam.

Blog do Berned: Sim... Concordo contigo. “Outro mundo é possível”. É possível também que haja diferentes facetas da dita "pós-modernidade". E ela pode estar em derrocada, possivelmente; mas isso não pode ser visto como "a" modernidade ainda, mas talvez um outro desdobramento ainda da mesma modernidade, que hoje é tida como "pós". Mas é fato... se o mundo mudou depois da queda do muro... Vivemos a possibilidade de uma outra guinada... Não mais de bipolaridade, nem de hegemonia estadunidense, mas de apoios multilaterais, descentralizados e de respeito às soberanias.

31 de julho de 2009

Novela, um curta

NOVELA
Gênero: Animação
Diretor: Otto Guerra
Ano: 1992
Duração: 7 min
Cor: Colorido
Bitola: 35mm
País: Brasil


"Os mais críticos dizem que o Brasil é um país sem História. É que os mais críticos não vêem Novela. Se você não quer perder as cenas dos próximos capítulos, veja essa animação. Novela é um segmento do horário sagrado em que o país inteiro espera as cenas do próximo capítulo".



Ficha Técnica
Produção Flávia Seligman Roteiro Otto Guerra, Adalgisa Luz Edição Pedro Oliveira Animação Tadao Miaqui Câmera Otto Guerra, Paulo Ferreira, Adalgisa Luz, Daniel Uriart Figurino Analisa Luz Música Geraldo Flach, Ricardo Severo, Chico Ferretti Cenários Tadao Miaqui, Eloar Guazelli, Paula Mastroberti Arte Final Marilia Pirillo, Cláudia Barbisan, Janice Cunha, Janice Calvete, Alexandre Kickhöfel, Carla Magalhães
http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?Cod=914&Exib=1
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Você já conhece o Porta Curtas Petrobrás? Nesse portal você encontra o maior front de exibição de curtas brasileiros na Web. Não deixe de assistir a mais de 550 curtas metragens online sem pagar absolutamente nada!

22 de julho de 2009

óinc, óinc: atchim...


Uma das entradas da gripe suína no Brasil foi pela fronteira que o Rio Grande do Sul tem com a Argentina. Aliás, foi por essa mesma fronteira que há alguns anos entrou a febre aftosa. E isso tudo me lembra uma outra questão: a faixa de fronteira.

É de projeto do nosso "ilustre" senador Zambiasi a redução da faixa de fronteira, que hoje impede que estrangeiros adquiram terras nesse território. Trata-se de uma faixa de 150km da fronteira do Brasil com outros países, que seria diminuída para apenas 50km. Papeleiras têm pressionado politicamente a diminuição dessa faixa, com o intuito de investir da "silvicultura", ou seja, nos "desertos verdes":

"Plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho" (mulheres da Via Campesina)

Se com uma faixa de fronteira de 150km a circulação de doenças entre os dois países é livre, sem essa faixa, como seria? Na verdade, são mais perguntas do que idéias ou posicionamentos amadurecidos. No entanto, em locais onde a soberania de um país é, de certa forma, suspensa, por pertencer a particulares estrangeiros, o que podemos esperar?

Enquanto isso, me dá pânico vendo na TV o Osmar Terra falar sobre o avanço da gripe. Ele passa uma sensação de impotência muito grande...

Estamos aqui no Rio Grande do Sul enfrentando essa epidemia. O estado tem essa particularidade de muitos casos porque está na fronteira com a Argentina e o Uruguai, que já têm muitas pessoas infectadas. O que nós vemos é que o estado está sendo a porta de entrada dessa gripe aqui no Brasil e o enfrentamento dela está mobilizando todas as forças sociais da região" (Osmar Terra ao G1).

Exatamente por isso vejo como necessário e importante a pauta sobre doenças entrarem na discussão sobre a faixa de fronteira. Está aberto o debate...


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Amigos, estou indo viajar para Santa Cecília. Tô fugindo da gripe... hehehehe...
Mas semana que vem estarei de volta. Até.

19 de julho de 2009

Músicas Anos 70

Estava procurando músicas dos anos 70 para ouvir... Eu que montei essa seleção; o que você acha que faltou? Opine...


MusicPlaylistRingtones

Vamos não falar de futebol hoje...

7 de julho de 2009

De volta para o futuro...


Os anos 70/80 são marcados por visões futurísticas. Inconfundíveis os figurinos de ABBA em Waterloo, do desenho dos X-Man, de Michael Jackson em Thriller e do Xou da Xuxa. São texturas plásticas, de apelo espacial, sintéticas. No caso dos cantores, lembro de certos figurinos como o de Elvis e de Freddy Mercury, assim como os de ABBA e MJ: são, sobretudo, figurinos, roupas para shows, influenciadas talvez pelo conjunto corrida espacial / cinema / sci-fi. Os desenhos e programas parecem ter sido diretamente influenciado pela constante pergunta: o que nos aguarda nos anos 2000?

Celulares, Internet, MP4, câmeras digitais... O que mais é comum hoje, mas era inimaginável no tempo da vovó?

Na verdade, essas questões me foram suscitadas ao ver os clipes abaixo.
O que é a imaginação e o fascínio que os computadores já despertavam?

Heheheheh... Com vocês, Kid Abelha e Cazuza. Divirtam-se!

"Como Eu Quero", do álbum "Seu espião", de 1984


Cazuza deixa o Barão Vermelho e lança carreira solo, em 1985


Atenção para o computador de tela verde com super efeitos... Ich... Pior é que eu cheguei a trabalhar com essas máquinas, em pleno ano 2000...

27 de junho de 2009

Hipercorreção

Quem me conhece sabe que não tenho implicância alguma com erros ortográficos. No entanto, no caso de pessoas públicas, que têm uma imagem a preservar, o caso é diferente. Apesar da maioria de nós brasileiros (é uma hipótese!) seguidamente nos depararmos com uma dúvida ou outra na hora de escrever, temos o triste hábito de menosprezar os equívocos linguísticos alheios.

(Caso mais bizarro atualmente, para mim, envolve o inglês de Joel Santana. O deboche que a mídia coloca e que vai para nas conversas de bar... Quantos têm o mesmo ou inferior nível de conhecimento do inglês que o Joel e saem por aí rindo da pronúncia do outro?...)

Enfim: essa do Luxemburgo encontrei no G1. Seria hipercorreção? Nesse caso, temos uma vaga noção de que algumas palavras que usamos no dia a dia não são escritas da mesma forma como que falamos. Podemos falar “mío”, mas sabemos que é “milho”, ou “cascaio” ao invés de “cascalho”. Ao assimilar essa “lógica gramatical” de substituir o /i/ de uma fala espontânea pelo policiamento do /λ/, pode produzir-se pérolas, como “telha de aranha”. Cláudio Moreno traz um outro exemplo: o /l/ pelo /r/, como em "carça", "sordado", "marvada" em lugar de “calça”, “soldado” e “malvada”. Na tentativa de se corrigir, quem antes falasse “disfarça” e “armário”, poderia exagerar no anseio de se corrigir e largar um "disfalça" ou "almário".

Esse fenômeno costuma aparecer onde a cultura linguística, popular e espontânea choca-se com uma outra manifestação linguística que tenha um maior respaldo. Imaginemos, por exemplo, alguma comunidade de interior que, acompanhando uma telenovela, percebe a pronúncia utilizada de certos vocábulos como diferente da sua e tentam se “corrigir”. Podemos imaginar também que alguém com a pretensão de manifestar erudição e conhecimento como forma de poder para alguma pessoa ou grupo que detenha, reconhecidamente, essa erudição ou conhecimento. Em ambos os casos – mas poderia imaginar outros! – o resultado pode ser desastroso!

Não é “istudar”, mas “estudar”; tampouco “genti”, mas “gente”. Quem não lembrou agora da Carla Perez e ou seu memorável “i” de “iscola”? Talvez coubesse uma conferida na literatura especializada para classificar com mais propriedade o “descordar” do “discordar”. Pode ser um erro de digitação? Ou uma outra classificação a respeito da similaridade do /e/ átono e do /i/? Sim, pode ser, e talvez seja ainda necessário nem dar tanto alarde a respeito dessa do Luxa. Ainda por cima foi despedido, vamos dar um desconto para ele.

No entanto, errar o endereço do próprio blog, assim? http://uxemburgo.blog.uol.com.br/? Isso sim, é imperdoável...

Mas foi o parágrafo no texto do G1 me incomodou, mais até que o equívoco do recém ex-treinador do Palmeiras. Pode ser até inocência do redator, ao querer justificar o estranhamento que o leitor vai encontrar no print-screen. Mas sua observação revela muito mais:

Luxa também anunciou o seu desligamento do time do Palestra Itália pelo seu twitter com os seguintes dizeres: "Não sou mais técnico do Palmeiras. Fui demitido por descordar das atitudes do Keirrison" - escreveu o treinador, cometendo um pequeno deslize ortográfico ao digitar "descordar" em vez de "discordar".

Posso até estar exagerando, mas a minha leitura aponta esse desejo sádico de quem tem a pretensão de achar que sabe mais que o outro. Vejam a minha superioridade: eu sei escrever certo, e sei que ele – e justo ele, uma celebridade! – não sabe. “Ai meus sais”, já dizia uma antiga personagem de tevê. Pra que isso, hein? Pra quê?

21 de junho de 2009

SURPLUS - Legendado

Aqui no blog eu já postei "A história das coisas" e os dois filmes de "Zeitgeist". Somando-se a esses documentários que se propõem a desvelar mecanismos da sociedade capitalista na qual nos inserimos, sugiro "Surplus" (sugestão, por sua vez, retirada de uma comunidade do Orkut):



"
Estamos aterrorizados em sermos consumidores. Nós temos a liberdade de escolher entre a marca A, a marca B e a marca C... é essa a nossa liberdade".

11 de junho de 2009

"Quem disse que a literatura não incomoda mais?" (1)




(ao lado: imagem de meninos cheirando cola, retirada do filme Última Parada 174, de Bruno Barreto)


"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."
(Nelson Rodrigues)

O caso dos livros didáticos em São Paulo

Recentemente, cartilhas escolares do estado de São Paulo foram distribuídas à rede pública com um mapa peculiar: para o governo tucano de José Serra, o mapa da América do Sul contém dois Paraguais, sendo que o Paraguai (do Norte?) está fundido com a Bolívia; ao mesmo tempo em que não há vestígios nem do Equador, tampouco do Uruguai (ou, de acordo com a cartilha, trata-se de um Paraguai mais ao sul). Depois disso, livros contendo expressões como "chupa rola", "cu" e "chupava ela todinha" foram distribuídos pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo como material de apoio a alunos da terceira série do ensino fundamental”, ou seja, para crianças com média de 9 anos de idade.

Não bastasse isso, ainda houve a polêmica com livros de poesia: em um dos casos, uma mãe de aluno procurou a imprensa denunciando que um livro de Manoel de Barros (Memórias inventadas), contendo supostas passagens eróticas, foi distribuído a crianças da 6ª série. O outro caso se refere ao livro "Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora", distribuído às crianças da 3ª série. Entre poemas de diversos autores, encontra-se o tão criticado poema de Joca Reiners Terron. Não que o poema mereça críticas pejorativas – ou, pelo menos nesse caso, não é essa a questão –, mas a sua leitura é tida como inapropriada para crianças:

Manual de auto-ajuda para supervilões

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica. É melhor não deixar testemunhas.
Não vá se entusiasmar e matar sua mãe. Até mesmo supervilões precisam ter mães.
Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.
Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.
Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira, assim sua técnica evoluirá. Não se preocupe. Patos abundam por aí.
Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo. Ou Malcolm.
Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.
Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não podem mais abrir a boca.
Odeie. Assim, por esporte. E torça por time nenhum.
Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia. Principalmente brincar de dama.
Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração, pedra no rim em vez de alma.
Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.
Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.
Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.
Nunca ame ninguém. Estupre.
Execre o amável. Zele pelo abominável.
Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

[In: SARMATZ, Leandro (org.) Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora. São Paulo: Ática, 2008]


A questão não deve ser direcionada no poeta, mas a quem permitiu que fosse distribuído (institucionalmente) às crianças. Antes de tudo, deve-se ressaltar o posicionamento do organizador do livro, o próprio Leandro Sarmatz:

“em todas as matérias sobre o caso, quem foi devidamente crucificado, teve o nome citado à exaustão, foi obrigado a se “explicar” como um daqueles criminosos furrecas em programa mundo-cão da TV às 18h? O desastrado funcionário público? O secretário de educação? O governador do Estado? Não. Coube ao autor de um poema a tarefa aziaga de tentar desfazer o nó que sequer foi amarrado por ele. E que está aí muito antes dele ter pensado e concebido o poema”.

De qualquer jeito, o debate foi parar na imprensa. E jornalistas e aventureiros no jornalismo resolvem desfiar suas críticas e suas “críticas”. Presenciamos por intermédio desses acontecimentos que a poesia é indissociável da sociedade e, portanto, não é simplesmente desinteressada. Não quero jogar tudo nas costas do Joca Terron não: mas a dimensão da institucionalização de seu poema (específico) marcou a politização (nos sentidos amplo e corrente) das leituras.

Abaixo segue uma seleção (aleatória) de alguns comentários sobre a questão e o poema. Sim, deve-se estabelecer essa distinção: uma coisa são opiniões sobre o fato, ou seja, a distribuição de livros para crianças indicados para adolescentes; e outra coisa é o poema e sua temática.

Livro para adolescentes é entregue a crianças em SP
da Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u572983.shtml

Isso nunca foi pornografia!
por Leandro Sarmatz (Portal Luis Nassif)
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/isso-nunca-foi-pornografia

Um moralismo rançoso e hipócrita

por Kleber Pereira dos Santos
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=540DAC006

Poesia para crianças
por Luciano Martins Costa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/oinoradio.asp?id={E69124DF-B805-4060-B5E2-256E4EB27A4B}

O estado da Poesia no Estado de São Paulo: apologia a Joca Reiners Terron!
por C. Guilherme A. Salla
http://guisalla.wordpress.com/2009/05/29/o-estado-da-poesia-no-estado-de-sao-paulo-apologia-a-joca-reiners-terron/

21. Livro para adolescentes é entregue a crianças em SP
por Fábio Takahashi (Folha de SP)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63746

Autor diz que texto não é para crianças
por Gilberto Yoshinaga (Agora)
http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u572848.shtml

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro
por Milton Jung
http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/2009/05/27/poesia-para-criancas-da-rede-publica-fala-em-droga-sexo-e-estupro/

Minha mãe não vem mesmo!
por Toni C.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=57865

O jornalista Luciano Martins Costa, por exemplo, atem-se a depreciar o “suposto poema”, como ele mesmo se refere:

"O texto distribuído para crianças de nove anos e que, segundo aceita o jornal, seria apropriado para adolescentes de treze, diz mais ou menos o seguinte, retirados trechos também impróprios para leitura em público:
'Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica'.
Só nessa primeira frase a obra mereceria algum reparo antes de ser selecionada, pois o autor confunde umbigo com o cordão umbilical".

Seus argumentos pífios ignoram, por exemplo, como no trecho selecionado, o uso de metonímia. “E talvez nem possa ser considerado um poema”, enfatiza esse jornalista. Pergunto: porquê? Metonímia e ironia não seriam de uso pertinente em poemas? E além do mais: é possível ignorar toda uma tradição da literatura e o mal? Embora não seja esse o caso: acredito que o referido jornalista tenha superado a fase da puberdade e tenha discernimento em reconhecer uma ironia. Embora eu tenha as minhas dúvidas. Lembra-me o “causo” supostamente ocorrido na ditadura de Pinochet, em que soldados iam atrás de livros subversivos e queimavam “Chapeuzinho Vermelho” mas ignoravam o “Capital” de Marx. Aliás, o que esperar de um jornalista que, aproveitando o gancho, publica ainda no mesmo texto:

"Sem resvalar para o trauma da censura, que a sociedade brasileira tem ojeriza de enfrentar desde o processo de redemocratização, talvez fosse conveniente também avaliar as histórias em quadrinhos e outros conteúdos que são oferecidos nesses suplementos inseridos nos diários".

“Sem resvalar”, mas poderíamos ler nas entrelinhas “já resvalando...”. Olhem só, se não fosse a democratização, a moral e os bons costumes estariam resguardados. Desculpem-me os incrédulos, mas é isso que eu estou lendo nessas linhas do renomado jornalista. E como um ponto de vista sobre a poesia pode denunciar a visão do mundo do sujeito, pois ainda leio nessas linhas: hoje em dia é toda essa roubalheira, essa barbaridade... No tempo dos milicos não era essa promiscuidade... Reitero as desculpas. É isso que eu estou lendo.

Na Folha de São Paulo, Fábio Takahashi faz uma leitura, digamos, mais sóbria dos fatos. Traz a voz do próprio Terron sobre os fatos ("Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem" e “Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças"), além de opiniões, em princípio respeitando a contradição. É justamente nesse ponto que, após lermos a posição do Professor Vitor Paro, da Faculdade de Educação da USP, que atribui a escolha do livro para crianças como incompetência e ignorância do governo por avaliar o livro apenas depois da imprensa noticiar, lemos a seguinte pérola:

"A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como 'um horror' o poema. 'Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola'. 'Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material', disse ela".

Isso me lembra outro caso: o de professores do ensino básico aqui de Santa Maria da Boca do Monte que se recusavam a trabalhar em sala de aula o Vôo da Madrugada, livro de contos de Sérgio Sant’Anna, que na ocasião constava como uma das leituras obrigatórias do vestibular da UFSM. Por quê? Por que contém uma série de palavrões? Pelo menos a professora Angela supõe que “talvez” só um adulto entenda. O jornalista Luciano Martins Costa não entendeu, ou se fez que não entendeu.

Talvez a melhor resposta a esse tipo de “opinião” seja o texto de Guilherme Salla, da qual extraio o seguinte trecho:

"Aliás, é mesmo uma vergonha expor nossas crianças de nove anos ao sexo e às palavras chulas da poesia e artes contemporâneas dentro do ambiente escolar… é melhor que elas tenham estas experiências sozinhas, por si próprias nas ruas e em suas casas para que, aos doze ou treze engravidem e possam ir cuidar de suas próprias vidinhas…"

Uma síntese? HIPOCRISIA. Talvez o Salla exagere para o outro extremo, talvez não. Mas banir o poema do Terron do estado zé-serrado, duvidando de sua poesia (ao menos por essa via duvidosa de leitura) e não reconhecendo a recomendação para adolescentes é por pura hipocrisia. É um horror ler o poema do Terron, mas Vinícius de Morais, Manuel Bandeira ou Carlos Drummond é permitido. E Jorge Amado, imagina se algum estudante ler? De Alexandre Dumas a Dostoiévski, um perigo! Sem falar que o décimo canto dos Lusíadas e O Cortiço existem em qualquer biblioteca pública e estão disponíveis no portal de Domínio Público.

Uma leitura ponderada? Recomendo a Kléber Pereira dos Santos faz. E o que ele diz? O que me parece óbvio: trata-se apenas de uma reclassificação etária. Palavrões, pornografias e demais manifestações tidas como politicamente incorretas: que criança está isenta delas?

“Qualquer pelada entre moleques descalços é uma sinfonia de palavrões maior do que existe em todas as páginas da HQ criticada e imagens pornográficas são distribuídas às nossas castas meninas usuárias de calças hiper-justas por toda cidade nas lonas improvisadas dos vendedores de DVDs piratas (sem classificação etária, até apelidam os pornôs de "educativos"... não deixam de ser, de certo modo). Um moleque, mesmo o da faixa etária que realmente não deveria ter os ditos livros em mãos, se mora na Cidade Tiradentes sabe muito bem o que é o PCC. Uma menina de 13 anos hoje não só sabe palavrões escabrosos e detalhes minuciosos sobre o ato sexual como convive com amigas barrigudinhas, e não por causa de muitos Mclanches felizes ou de livros "obscenos" – talvez por causa da falta deles, para as fazerem ter um mínimo de juízo antes de iniciarem a vida sexual”.

Por fim: “E aí? Vamos queimar a obra de Platão em praça pública ou banir os poetas da república?”, como nos pergunta C. Guilherme A. Salla.

8 de junho de 2009

"Teu passado é uma bandeira, teu presente, uma lição..."


25 de maio de 2009

METATEXTUALIDADE

Quando certo dia o jovem Werther acordou de sonhos sofríveis, e encontrou-se metamorfoseado numa mosca, foi-se espiar o que fazia Charlotte àquela hora da manhã.

2004