literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.

11 de setembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira: the movie


Para quem gosta de boa literatura, uma ótima pedida é o "
Ensaio sobre a cegueira" (1995), de José Saramago. Devo ter lido há uns dois ou três anos, sugerido pelo Maico. Como outras obras de Saramago, parte de uma hipótese: "E se as pessoas de um país inteiro ficassem cegas, como seria?". Trata-se de uma narrativa que, ao considerar inicialmente essa possibilidade (supra-real?) utiliza-se de uma descrição minuciosa dos desdobramentos da cegueira epidêmica. (Subjetividades à parte, a proposta ficcional de Ensaio me lembra as pinturas de René Magritte. É de um realismo perturbador, irreal, sur-real). O que vemos, através da leitura, são os olhos da mulher do médico, a única personagem que não é privada da visão, e que está condenada a ver e descrever para nós, leitores, até que limites podem ir a degradação do ser humano. Seus olhos são a câmera a registrar tudo aquilo que as personagens a sua volta vivem mas não podem ver, e vê além do que se poderia ver em condições "normais". As sociedades metropolitanas, impossibilitadas de conviverem sem as facilidades da vida moderna, entram em colapso e retomam uma violência primitiva. O caos se instaura. E é nesse ambiente fétido (foi a grande impressão que o livro me deu) que os protagonistas têm a chance de redescobrirem que a humanidade está além da perda de algum dos sentidos.

"O romance aborda a emergência de uma inédita praga de uma repentina cegueira abatendo uma cidade não identificada, inexplicável e incurável. Tal "cegueira branca" — assim nomeada pois as pessoas infectadas percebem em seus olhos nada mais que uma superfície leitosa — manifesta-se primeiramente em um homem sentado no trânsito e, lentamente, se espalha pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos, pela obscuridade, a meros seres lutando por seus instintos. À medida que os afectados pela epidemia são colocados em quarentena, em condições desumanas, e os serviços estatais começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afectada pela doença que cega todos os outros" (Wk).



E já está sendo lançado o filme
Blindness, inspirado no romance de Saramago. O filme é dirigido por Fernando Meirelles, que já carrega a bagagem de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel. Diz-se que até o próprio Saramago gostou do que viu (confira aqui). Meirelles, ao que parece, buscou ser o mais fiel possível ao texto - o que é maravilhoso. Vieram críticas negativas (clique aqui), mas nada que não se esperasse de quem produz filmes (na sua maioria) medíocres. O cinema "além-panelinha- EUA/UK" mostra que pode: e Meirelles, na sua recusa à Hollywood, parece mostrar que não quer se render aos encantos e as facilidades do american dream, mas se aventurar na produção de cinema de qualidade.


Ensaio sobre a Cegueira
Blindness (Canadá/Japão/Brasil 2008)

Estréia: 19 de setembro de 2008

Direção: Fernando Meirelles

Roteiro: Don McKellar

Baseado na Obra de: José Saramago (Ensaio sobre a Cegueira)

Elenco: Julianne Moore (Mulher do Médico), Mark Ruffalo (Médico), Don McKellar (Ladrão), Yusuke Iseya (Primeiro homem cego), Yoshino Kimura (Mulher do primeiro homem cego), Sandra Oh (Ministra da Saúde), Danny Glover (Velho da venda preta), Alice Braga (Menina dos óculos escuros), Gael García Bernal (Rei da Camarata 3), Douglas Silva (Pedestre)

Duração: 117 min.
Gênero: Drama

8 de setembro de 2008

Eleições em Osório I

Esse assunto me é muito caro. Distante da cidade, mesmo assim não me mantenho alheio às discussões, na medida do possível. Há tempos tenho apenas justificado o meu voto, mas esse ano resolvi que votarei sim, em Osório. Em Santa Maria, tomei partida: apóio abertamente um candidato a vereador e faço campanha junto. A escolha para prefeito aqui não é tão simples, porém, no processo de prós e contras, a coligação a que pertence o candidato a vereador que apóio parece ser a mais adequada, por representar uma continuidade de vários avanços dos últimos oito anos. Mas agora, é Osório que me interessa.

Osório apresenta três chapas à prefeitura:

CANDIDATOS À PREFEITURA

LEONARDO - IBERLEO

LUCIANO SILVEIRA

ROMILDO

Legenda

PSDB - 45

PMDB - 15

PDT - 12

Sexo

Masculino

Masculino

Masculino

Estado Civil

Casado(a)

Solteiro(a)

Casado

Escolaridade

Superior completo

Superior incompleto

Superior completo

Ocupação

Biomédico

Vereador

Advogado

Bens declarados

R$ 988.712,92

R$ 48.000,00

R$ 2.503.677,40

À VICE-PREFEITO

JOSÉ ANTONIO LOPES

TRESSOLDI

KALU

Legenda

PSDB

PP

PDT

Sexo

Masculino

Masculino

Masculino

Estado Civil

Casado(a)

Casado(a)

Casado(a)

Escolaridade

Superior completo

Superior incompleto

Superior incompleto

Ocupação

Gerente

Vereador

Empresário

Bens declarados

R$ 213.000,00

R$ 100.000,00

R$ 100.000,00

*Acesse http://www3.tse.gov.br/sadEleicaoDivulgaCand2008/ e confira a discriminação da declaração de bens apresentada pelos candidatos.

Dessa forma, tem-se uma candidatura a reeleição (PDT, PTB, PCdoB, DEM, PT), o contra-ponto com quem o poder municipal tem alternado (PMDB, PP, PPS) e, por fim, os que se colocam como opção de terceira via (PSDB).

Eu não gostaria de ver o lado negativo das coisas. Mas partirei delas. E esperarei o lado bom nos possíveis comentários.

Pois, primeiro, a chapa que concorre à reeleição, tem se destacado pelo processo de deterioração do patrimônio público. Espaços que poderiam estar auxiliando no processo de desenvolvimento da educação (bandeira amplamente levantada pelo partido do prefeito e do vice) parecem jogados às moscas. Lá perto de casa tem duas megaobras e que faz tempo, estão do mesmo jeito (a do posto de saúde e a do Osvaldo Amaral). Sem falar no Rodeio de Osório, sem Tafona e sem nada. Não tenho acompanhado de perto a maior parte dos eventos municipais, mas tenho ouvido muitas reclamações nas minhas idas à Osório. Me parece que Osório já teve secretários melhores em outras eras. Os avanços que a cidade tem tido volta e meia apresentam questionamentos: a vinda da usina eólica se instalou em que terrenos? Quem ganha com isso? Quanto ganha? E por que ganha? Asfalto no morro: quem se beneficiou com o aumento no valor dos terrenos? Qual o impacto ambiental com o asfaltamento e iluminação noturna em área de (suposta) Mata Atlântica? A promessa de um complexo industrial para o segundo mandato: o que Osório perde e ganha com a vinda de empresas de fora? Vai trazer emprego pra quem é da cidade ou quem é de fora? Vai poluir quanto? Vai melhorar a qualidade de vida das pessoas? Me recuso a julgar, apenas me coloco essas questões.

Em segundo lugar, a oposição. Depois de um processo de quatro meses de construção de um projeto para o município, prevendo de antemão os candidatos à prefeitura, ocorre uma reviravolta nas vésperas da convenção. História cheia de traições e mais traições
envolvendo o ex-futuro candidato e ex-prefeito Eduardo Renda marcam a candidatura da coligação. O jovem candidato parece ser promissor, sendo muito elogiado na câmara de vereadores. No entanto, a faca de dois gumes para esse rapaz é o seu padrinho político, o nobre deputado. Além de estar sendo investigado por umas
maracutaias, e já acusado por outras e outras (juntamente com o seu padrinho político, o ex-ministro de Tramandaí), foi do excelentíssimo presidente da Assembléia Gaúcha que partiu o projeto de aumento de 143% do salário da governadora. Mas ainda não se viu nenhum projeto de reajuste do salário dos funcionários públicos. E nenhum de 143% também.

Pois falando em governadora, a terceira opção em Osório é, justamente, uma chapa que representa o continuismo dessa política estadual que envergonha o RS. O que esperar para Osório uma prefeitura na mão de neo-liberais auto-suficientes (estão sozinhos na chapa)? Eu olho pra educação no governo do RS, eu olho pra segurança no governo do RS, eu olho para as relações ilícitas que perpassam o governo do RS, a agricultura, a cultura, a saúde, para a pobreza e para a entrega das terras do estado às papeleiras estrangeiras, eu olho o descaso com a preservação ambiental, para a criminalização dos movimentos sociais, a perseguição aos trabalhadores e me pergunto: o que esperar de uma prefeitura tucana?

Enfim:


Antes de serem eleitos, quais eram as ocupações profissionais de LUCIANO e TRESSOLDI? E se, porventura, não forem eleitos, o que farão da vida, visto que declaram a condição de VEREADOR como suas principais ocupações?

O candidato KALU declara possuir UM AUTOMÓVEL VECTRA ANO 2005 no valor de R$ 70.000,00, ao mesmo tempo em que declara também UMA CASA MADEIRA no valor de R$ 30.000,00 (somando-se os R$ 100.000,00). Empresário em qual área de atuação? Com o carro valendo bem mais que a casa?

A soma de bens declarados apenas dos candidatos a prefeitura ROMILDO e LEONARDO chegam a R$ 3.492.390,32, contra a soma de R$ 4.269.418,40 dos 42 candidatos a vereador que declararam bens!

Não quero dizer aqui que alguém é melhor ou pior que o outro. Mas quero sim expôr minhas dúvidas e escolher muito bem o meu voto. Boa sorte a todos em suas escolhas!

6 de setembro de 2008

A História das Coisas


Esse vídeo foi mandado para mim pelo Mauro Gil, meu amigo de Osório. Muito perfeito para começarmos a entender (de forma sistemática) o sistema que rege a nossa existência no mundo capitalista. Acreditamos, muitas vezes, estarmos alheios a esse sistema que vai, desde a exploração da natureza até aos comerciais de TV e o lixo que colocamos fora. Uma visão mais ampla poderá relacionar a poluição do planeta e o governo dos EUA com a miséria e a violência que assola as nossas cidades.

Essa discussão se torna muito importante aqui no RS, principalmente com os avanços que as multinacionais papeleiras estão tendo na metade sul do Estado para plantio de Eucalipto. Uma, que ninguém me tira da cabeça, que se Eucalipto fosse bom, estariam plantando na Europa e não aqui. E, em segundo lugar, é essa balela que o plantio da monocultura de árvores (que intencionalmente chamam de "florestas") vai trazer empregos pra a metade sul. Vão contratar pessoas pra ficar olhando a árvore crescer durante sete anos? Ou vão contratar pessoas com primeiro ou segundo graus para melhoramento da árvore e dos papéis? E a poluição que o processo de branqueamento causa? E o bioma do pampa? Se quisessem diminuir a pobreza da região, que fizessem reforma agrária, que plantassem comida, e não dessem a terra para os estrangeiros.

Créditos: Versão dublada em Português do documentário The Story of Stuff idealizada pela comunidade Permacultura - Orkut. Realizada nos Estúdios Gavi New Track - SP Direção e edição Fábio Gavi; Locução Nina Garcia; Adaptação do texto Denise Zepter. Site brasileiro de divulgação do vídeo http://www.sununga.com.br/HDC/ Colaborem!!!

No Google Vídeos ainda se pode fazer o download desse documentário. Ótima ferramenta para aulas de Português, Inglês (na versão original), Geografia, Biologia, História, Química, etc.