literatura, política, cultura e comportamento.
seja em santa maria, em alegrete, no rio de janeiro, em osório ou em liechtenstein.
na verdade, tanto faz.

27 de junho de 2009

Hipercorreção

Quem me conhece sabe que não tenho implicância alguma com erros ortográficos. No entanto, no caso de pessoas públicas, que têm uma imagem a preservar, o caso é diferente. Apesar da maioria de nós brasileiros (é uma hipótese!) seguidamente nos depararmos com uma dúvida ou outra na hora de escrever, temos o triste hábito de menosprezar os equívocos linguísticos alheios.

(Caso mais bizarro atualmente, para mim, envolve o inglês de Joel Santana. O deboche que a mídia coloca e que vai para nas conversas de bar... Quantos têm o mesmo ou inferior nível de conhecimento do inglês que o Joel e saem por aí rindo da pronúncia do outro?...)

Enfim: essa do Luxemburgo encontrei no G1. Seria hipercorreção? Nesse caso, temos uma vaga noção de que algumas palavras que usamos no dia a dia não são escritas da mesma forma como que falamos. Podemos falar “mío”, mas sabemos que é “milho”, ou “cascaio” ao invés de “cascalho”. Ao assimilar essa “lógica gramatical” de substituir o /i/ de uma fala espontânea pelo policiamento do /λ/, pode produzir-se pérolas, como “telha de aranha”. Cláudio Moreno traz um outro exemplo: o /l/ pelo /r/, como em "carça", "sordado", "marvada" em lugar de “calça”, “soldado” e “malvada”. Na tentativa de se corrigir, quem antes falasse “disfarça” e “armário”, poderia exagerar no anseio de se corrigir e largar um "disfalça" ou "almário".

Esse fenômeno costuma aparecer onde a cultura linguística, popular e espontânea choca-se com uma outra manifestação linguística que tenha um maior respaldo. Imaginemos, por exemplo, alguma comunidade de interior que, acompanhando uma telenovela, percebe a pronúncia utilizada de certos vocábulos como diferente da sua e tentam se “corrigir”. Podemos imaginar também que alguém com a pretensão de manifestar erudição e conhecimento como forma de poder para alguma pessoa ou grupo que detenha, reconhecidamente, essa erudição ou conhecimento. Em ambos os casos – mas poderia imaginar outros! – o resultado pode ser desastroso!

Não é “istudar”, mas “estudar”; tampouco “genti”, mas “gente”. Quem não lembrou agora da Carla Perez e ou seu memorável “i” de “iscola”? Talvez coubesse uma conferida na literatura especializada para classificar com mais propriedade o “descordar” do “discordar”. Pode ser um erro de digitação? Ou uma outra classificação a respeito da similaridade do /e/ átono e do /i/? Sim, pode ser, e talvez seja ainda necessário nem dar tanto alarde a respeito dessa do Luxa. Ainda por cima foi despedido, vamos dar um desconto para ele.

No entanto, errar o endereço do próprio blog, assim? http://uxemburgo.blog.uol.com.br/? Isso sim, é imperdoável...

Mas foi o parágrafo no texto do G1 me incomodou, mais até que o equívoco do recém ex-treinador do Palmeiras. Pode ser até inocência do redator, ao querer justificar o estranhamento que o leitor vai encontrar no print-screen. Mas sua observação revela muito mais:

Luxa também anunciou o seu desligamento do time do Palestra Itália pelo seu twitter com os seguintes dizeres: "Não sou mais técnico do Palmeiras. Fui demitido por descordar das atitudes do Keirrison" - escreveu o treinador, cometendo um pequeno deslize ortográfico ao digitar "descordar" em vez de "discordar".

Posso até estar exagerando, mas a minha leitura aponta esse desejo sádico de quem tem a pretensão de achar que sabe mais que o outro. Vejam a minha superioridade: eu sei escrever certo, e sei que ele – e justo ele, uma celebridade! – não sabe. “Ai meus sais”, já dizia uma antiga personagem de tevê. Pra que isso, hein? Pra quê?

21 de junho de 2009

SURPLUS - Legendado

Aqui no blog eu já postei "A história das coisas" e os dois filmes de "Zeitgeist". Somando-se a esses documentários que se propõem a desvelar mecanismos da sociedade capitalista na qual nos inserimos, sugiro "Surplus" (sugestão, por sua vez, retirada de uma comunidade do Orkut):



"
Estamos aterrorizados em sermos consumidores. Nós temos a liberdade de escolher entre a marca A, a marca B e a marca C... é essa a nossa liberdade".

11 de junho de 2009

"Quem disse que a literatura não incomoda mais?" (1)




(ao lado: imagem de meninos cheirando cola, retirada do filme Última Parada 174, de Bruno Barreto)


"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."
(Nelson Rodrigues)

O caso dos livros didáticos em São Paulo

Recentemente, cartilhas escolares do estado de São Paulo foram distribuídas à rede pública com um mapa peculiar: para o governo tucano de José Serra, o mapa da América do Sul contém dois Paraguais, sendo que o Paraguai (do Norte?) está fundido com a Bolívia; ao mesmo tempo em que não há vestígios nem do Equador, tampouco do Uruguai (ou, de acordo com a cartilha, trata-se de um Paraguai mais ao sul). Depois disso, livros contendo expressões como "chupa rola", "cu" e "chupava ela todinha" foram distribuídos pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo como material de apoio a alunos da terceira série do ensino fundamental”, ou seja, para crianças com média de 9 anos de idade.

Não bastasse isso, ainda houve a polêmica com livros de poesia: em um dos casos, uma mãe de aluno procurou a imprensa denunciando que um livro de Manoel de Barros (Memórias inventadas), contendo supostas passagens eróticas, foi distribuído a crianças da 6ª série. O outro caso se refere ao livro "Poesia do Dia -Poetas de Hoje para Leitores de Agora", distribuído às crianças da 3ª série. Entre poemas de diversos autores, encontra-se o tão criticado poema de Joca Reiners Terron. Não que o poema mereça críticas pejorativas – ou, pelo menos nesse caso, não é essa a questão –, mas a sua leitura é tida como inapropriada para crianças:

Manual de auto-ajuda para supervilões

Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica. É melhor não deixar testemunhas.
Não vá se entusiasmar e matar sua mãe. Até mesmo supervilões precisam ter mães.
Se recuse a mamar no peito. Isso amolece qualquer um.
Não tenha pai. Um supervilão nunca tem pai.
Afogue repetidas vezes seu patinho de borracha na banheira, assim sua técnica evoluirá. Não se preocupe. Patos abundam por aí.
Escolha bem seu nome. Maurício, por exemplo. Ou Malcolm.
Evite desde o início os bem intencionados. Eles são super-chatos.
Deixe os idiotas uivarem. Eles sempre uivam, mesmo quando não podem mais abrir a boca.
Odeie. Assim, por esporte. E torça por time nenhum.
Aprenda a cantar samba, rap e jogar dama. Pode ser muito útil na cadeia. Principalmente brincar de dama.
Ginga e lábia, com ardor. Estômago em lugar de coração, pedra no rim em vez de alma.
Tome drogas. É sempre aconselhável ver o panorama do alto.
Fale cuspindo. Super-heróis odeiam isso.
Pactos existem para serem quebrados. Mesmo que sejam com o diabo.
Nunca ame ninguém. Estupre.
Execre o amável. Zele pelo abominável.
Seja um pouco efeminado.
Isto sempre funciona com estilistas.

[In: SARMATZ, Leandro (org.) Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora. São Paulo: Ática, 2008]


A questão não deve ser direcionada no poeta, mas a quem permitiu que fosse distribuído (institucionalmente) às crianças. Antes de tudo, deve-se ressaltar o posicionamento do organizador do livro, o próprio Leandro Sarmatz:

“em todas as matérias sobre o caso, quem foi devidamente crucificado, teve o nome citado à exaustão, foi obrigado a se “explicar” como um daqueles criminosos furrecas em programa mundo-cão da TV às 18h? O desastrado funcionário público? O secretário de educação? O governador do Estado? Não. Coube ao autor de um poema a tarefa aziaga de tentar desfazer o nó que sequer foi amarrado por ele. E que está aí muito antes dele ter pensado e concebido o poema”.

De qualquer jeito, o debate foi parar na imprensa. E jornalistas e aventureiros no jornalismo resolvem desfiar suas críticas e suas “críticas”. Presenciamos por intermédio desses acontecimentos que a poesia é indissociável da sociedade e, portanto, não é simplesmente desinteressada. Não quero jogar tudo nas costas do Joca Terron não: mas a dimensão da institucionalização de seu poema (específico) marcou a politização (nos sentidos amplo e corrente) das leituras.

Abaixo segue uma seleção (aleatória) de alguns comentários sobre a questão e o poema. Sim, deve-se estabelecer essa distinção: uma coisa são opiniões sobre o fato, ou seja, a distribuição de livros para crianças indicados para adolescentes; e outra coisa é o poema e sua temática.

Livro para adolescentes é entregue a crianças em SP
da Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u572983.shtml

Isso nunca foi pornografia!
por Leandro Sarmatz (Portal Luis Nassif)
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/isso-nunca-foi-pornografia

Um moralismo rançoso e hipócrita

por Kleber Pereira dos Santos
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=540DAC006

Poesia para crianças
por Luciano Martins Costa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/oinoradio.asp?id={E69124DF-B805-4060-B5E2-256E4EB27A4B}

O estado da Poesia no Estado de São Paulo: apologia a Joca Reiners Terron!
por C. Guilherme A. Salla
http://guisalla.wordpress.com/2009/05/29/o-estado-da-poesia-no-estado-de-sao-paulo-apologia-a-joca-reiners-terron/

21. Livro para adolescentes é entregue a crianças em SP
por Fábio Takahashi (Folha de SP)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63746

Autor diz que texto não é para crianças
por Gilberto Yoshinaga (Agora)
http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u572848.shtml

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro
por Milton Jung
http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/miltonjung/2009/05/27/poesia-para-criancas-da-rede-publica-fala-em-droga-sexo-e-estupro/

Minha mãe não vem mesmo!
por Toni C.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=57865

O jornalista Luciano Martins Costa, por exemplo, atem-se a depreciar o “suposto poema”, como ele mesmo se refere:

"O texto distribuído para crianças de nove anos e que, segundo aceita o jornal, seria apropriado para adolescentes de treze, diz mais ou menos o seguinte, retirados trechos também impróprios para leitura em público:
'Ao nascer, aproveite seu próprio umbigo e estrangule toda a equipe médica'.
Só nessa primeira frase a obra mereceria algum reparo antes de ser selecionada, pois o autor confunde umbigo com o cordão umbilical".

Seus argumentos pífios ignoram, por exemplo, como no trecho selecionado, o uso de metonímia. “E talvez nem possa ser considerado um poema”, enfatiza esse jornalista. Pergunto: porquê? Metonímia e ironia não seriam de uso pertinente em poemas? E além do mais: é possível ignorar toda uma tradição da literatura e o mal? Embora não seja esse o caso: acredito que o referido jornalista tenha superado a fase da puberdade e tenha discernimento em reconhecer uma ironia. Embora eu tenha as minhas dúvidas. Lembra-me o “causo” supostamente ocorrido na ditadura de Pinochet, em que soldados iam atrás de livros subversivos e queimavam “Chapeuzinho Vermelho” mas ignoravam o “Capital” de Marx. Aliás, o que esperar de um jornalista que, aproveitando o gancho, publica ainda no mesmo texto:

"Sem resvalar para o trauma da censura, que a sociedade brasileira tem ojeriza de enfrentar desde o processo de redemocratização, talvez fosse conveniente também avaliar as histórias em quadrinhos e outros conteúdos que são oferecidos nesses suplementos inseridos nos diários".

“Sem resvalar”, mas poderíamos ler nas entrelinhas “já resvalando...”. Olhem só, se não fosse a democratização, a moral e os bons costumes estariam resguardados. Desculpem-me os incrédulos, mas é isso que eu estou lendo nessas linhas do renomado jornalista. E como um ponto de vista sobre a poesia pode denunciar a visão do mundo do sujeito, pois ainda leio nessas linhas: hoje em dia é toda essa roubalheira, essa barbaridade... No tempo dos milicos não era essa promiscuidade... Reitero as desculpas. É isso que eu estou lendo.

Na Folha de São Paulo, Fábio Takahashi faz uma leitura, digamos, mais sóbria dos fatos. Traz a voz do próprio Terron sobre os fatos ("Não é para crianças de nove anos. São várias ironias, que elas não entendem" e “Espero que o Serra [governador José Serra] não ache o texto um horror, como ele disse do outro livro. Horror é quem escolhe essas obras para crianças"), além de opiniões, em princípio respeitando a contradição. É justamente nesse ponto que, após lermos a posição do Professor Vitor Paro, da Faculdade de Educação da USP, que atribui a escolha do livro para crianças como incompetência e ignorância do governo por avaliar o livro apenas depois da imprensa noticiar, lemos a seguinte pérola:

"A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo, classifica como 'um horror' o poema. 'Tem uma ironia que talvez só o adulto entenda. É totalmente desnecessário para uma escola'. 'Já é o segundo caso. Os professores ficam inseguros com o material', disse ela".

Isso me lembra outro caso: o de professores do ensino básico aqui de Santa Maria da Boca do Monte que se recusavam a trabalhar em sala de aula o Vôo da Madrugada, livro de contos de Sérgio Sant’Anna, que na ocasião constava como uma das leituras obrigatórias do vestibular da UFSM. Por quê? Por que contém uma série de palavrões? Pelo menos a professora Angela supõe que “talvez” só um adulto entenda. O jornalista Luciano Martins Costa não entendeu, ou se fez que não entendeu.

Talvez a melhor resposta a esse tipo de “opinião” seja o texto de Guilherme Salla, da qual extraio o seguinte trecho:

"Aliás, é mesmo uma vergonha expor nossas crianças de nove anos ao sexo e às palavras chulas da poesia e artes contemporâneas dentro do ambiente escolar… é melhor que elas tenham estas experiências sozinhas, por si próprias nas ruas e em suas casas para que, aos doze ou treze engravidem e possam ir cuidar de suas próprias vidinhas…"

Uma síntese? HIPOCRISIA. Talvez o Salla exagere para o outro extremo, talvez não. Mas banir o poema do Terron do estado zé-serrado, duvidando de sua poesia (ao menos por essa via duvidosa de leitura) e não reconhecendo a recomendação para adolescentes é por pura hipocrisia. É um horror ler o poema do Terron, mas Vinícius de Morais, Manuel Bandeira ou Carlos Drummond é permitido. E Jorge Amado, imagina se algum estudante ler? De Alexandre Dumas a Dostoiévski, um perigo! Sem falar que o décimo canto dos Lusíadas e O Cortiço existem em qualquer biblioteca pública e estão disponíveis no portal de Domínio Público.

Uma leitura ponderada? Recomendo a Kléber Pereira dos Santos faz. E o que ele diz? O que me parece óbvio: trata-se apenas de uma reclassificação etária. Palavrões, pornografias e demais manifestações tidas como politicamente incorretas: que criança está isenta delas?

“Qualquer pelada entre moleques descalços é uma sinfonia de palavrões maior do que existe em todas as páginas da HQ criticada e imagens pornográficas são distribuídas às nossas castas meninas usuárias de calças hiper-justas por toda cidade nas lonas improvisadas dos vendedores de DVDs piratas (sem classificação etária, até apelidam os pornôs de "educativos"... não deixam de ser, de certo modo). Um moleque, mesmo o da faixa etária que realmente não deveria ter os ditos livros em mãos, se mora na Cidade Tiradentes sabe muito bem o que é o PCC. Uma menina de 13 anos hoje não só sabe palavrões escabrosos e detalhes minuciosos sobre o ato sexual como convive com amigas barrigudinhas, e não por causa de muitos Mclanches felizes ou de livros "obscenos" – talvez por causa da falta deles, para as fazerem ter um mínimo de juízo antes de iniciarem a vida sexual”.

Por fim: “E aí? Vamos queimar a obra de Platão em praça pública ou banir os poetas da república?”, como nos pergunta C. Guilherme A. Salla.

8 de junho de 2009

"Teu passado é uma bandeira, teu presente, uma lição..."


25 de maio de 2009

METATEXTUALIDADE

Quando certo dia o jovem Werther acordou de sonhos sofríveis, e encontrou-se metamorfoseado numa mosca, foi-se espiar o que fazia Charlotte àquela hora da manhã.

2004


24 de maio de 2009

Seção "resenhas"


Estava matutando comigo mesmo e resolvi abrir uma série no blog. Nem sempre temos o tempo necessário para postarmos com a regularidade desejada; também há uma série de coisas a serem feitas (apesar de que as coisas menos importantes nos fascinam tanto...). Resolvi, portanto, abrir a seção "resenhas". Filmes que eu assistir e quiser recomendar, ou livros lidos, deixarei assinalados aqui. Vez ou outra me aventurarei a comentá-los eu mesmo. Inauguro a série com Fahrenheit 451, de direção de François Truffaut (indicação da Priscila). Acabei de vê-lo e fiquei encantado com a sensação que as imagens de queima de livros propiciam. É muito inquietante, completamente angustiante. Fica a deixa da senama.

Aliás, essa é a segunda série que me proponho a abrir no blog. A primeira é "Textos de gaveta", na qual tranpasso o limite de leitor e me aventuro a propor as minhas próprias palavras. Só conferir.
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Fahrenheit 451 (1966)

François Truffaut realiza este filme nos Estados Unidos, percebendo pouco ou nada de inglês, fazendo a adaptação do romance de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 .

Num futuro onde a opressão é levada a um extremo, os bombeiros não são chamados para apagar os fogos, mas sim para criá-los. A Literatura era uma arte proibida, pois gerava no ser humano sentimentos desnecessários, que poderiam arruinar a base de toda uma sociedade. Os bombeiros da brigada 451 (temperatura em fahrenheit em que os livros começariam a arder) são chamados sempre que é feita uma denúncia de que alguém possui alguma obra de literatura. Ao longo do filme vemos clássicos da literatura a desaparecerem em chamas, de autores como Platão ou Aristóteles, Edgar Alan Poe e Charles Dickens.

Um bombeiro, em vésperas de ser promovido, começa a duvidar da sua função depois de conhecer uma jovem professora, que foi oprimida por tentar transmitir um pouco mais de alegria nas suas aulas. (Mais, aqui)


Em um Estado totalitário em um futuro próximo, os bombeiros têm como função principal queimar qualquer tipo de material impresso, pois foi convencionado que literatura é um propagador da infelicidade. Mas Montag (Oskar Werner), um bombeiro, começa a questionar tal linha de raciocínio quando vê uma mulher preferir ser queimada com sua vasta biblioteca ao invés de permanecer viva. (Mais, aqui)



9 de maio de 2009

Pega-pega


Na brincadeira de pega-pega na blogosfera, chegou a minha vez. A minha querida amiga Sabina Insustentável, cuja leveza não permite que descubramos quem se esconde por tal pseudônimo (http://paticastro.blogspot.com/) me pegou e, portanto, agora é a minha vez (e sem direito a pique!). Embora não seja um esconde-esconde, devo contar até oito. Por que oito? Porque faz parte da regra da corrente (visualmente indicada pelo selinho ao lado). A idéia da corrente é estreitar laços entre blogueiros; mas também prevê que cada um projete oito coisas a fazer antes de morrer. Hummm... E se eu morresse amanhã? Não, deixemos essa para o nosso Álvares de Azevedo. Obviamente, qualquer objetivo traçado aqui exigiria cerca de trezentos anos de vida (principalmente pelo item de número 1!). Mas enfim, antes de tapar os olhos para que o jogo comece, explicitemos as regras:

1 – A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer antes de morrer.
2 - É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas e é necessário que a pessoa explique as regras do jogo.
3 – Ao finalizar, devemos convidar oito parceiros de blogs.
4 – Deixar um comentário para quem nos convidou.


Agora, vamos à listinha:

1 - Emagrecer.

2 - Emagrecer? Hehehehe... Hum, quem sabe ser menos guloso?

3 - Emagrecer? Quer dizer, praticar algum esporte regularmente?

4 - Ler tudo. É, tudo mesmo.


5 - Conseguir lembrar de tudo que terei lido.

6 - Conseguir um emprego (é verdade, como estou dramático!)

7 - Me manter num emprego, nem que seja a última coisa que eu faça.

8 - E, se por acaso, eu vier a sobreviver ao item 7, mesmo com cerca de 300 anos, vou querer jogar tudo pro alto e me largar no mundo como hippie junto com a Taise (se ela estiver viva aos seus 300 e poucos anos)...

Pós-Scriptum item 8 - Tudo bem... não precisa passar tanto tempo assim... Não é medo de largar tudo. É medo de não ter o que largar, hehehehehe...



Os indiciados, ops, indicados!:
(na verdade, já tenho aqui ao lado algumas sugestões de blogs de amigos, no item
"SOMOS QUEM PODEMOS SER... SONHOS QUE PODEMOS TER..."; por isso, as indicações aqui serão tecidas com comentários...)

1 - Maico sem Ene (http://maicosilveira.blogspot.com/) - o meu amigo de Osório atualmente no que se poderia chamar de exílio intelectual ou exílio acadêmico quase que involuntário nos informa de suas agruras estando do lado de lá do Equador e do meridiano de Greenwich. Cada vez menos ator e mais atormentado em um solitário quarto branco na "Canoas" da Île-de-France, aprimora a cada dia seu repertório de sugestões legais de vídeos do Youtube.

2 - ZECA LIVE IN HAVANA (http://zecaliveinhavana.blogspot.com/) - o camarada Ezequiel largou seu curso de Enfermagem aqui na Federal e se mandou em uma aventura para o caribe. Não, marujos, ele não virou pirata com Jack Sparrow. Ele está cursando medicina em Cuba e aproveitando para nos revelar uma Cuba que o William Waack jamais revelaria. Ele é de Santa Maria, cidade de onde a dona Ernesta o aguarda com muita saudade.

3 - Igor de Fato (http://igordefato.blogspot.com/) - Alegrete era pequena para o meu amigo sósia de Lênin, e partiu para Santa Maria para descobrir o mundo. Cursou Geografia e entrou para a História. Entre tantas batalhas travadas, concorreu a vereador na cidade da Boca do Monte. Sua necessidade de dialogar com a juventude motivou-o a escrever em um blog. Quis o destino que o nosso nobre amigo estivesse atualmente exilado nas plagas da capital sul-riograndense. Mas, ao contrário de Mário Quintana, seu conterrâneo, Igor de Fato está saudoso do interior. E fortes motivos mantem-no ligado à cidade de Imebuy.

4 - Blog Cine CEU (http://cineceu.blogspot.com/) - Meu ilustríssimo amigo Carlos Orellana montou seu blog a partir do projeto de exibição de filmes na Casa do Estudante Universitário da UFSM. Seu objetivo com aquele projeto era propiciar ciclos de cinema que iriam além da programação da Sessão da Tarde, e seu blog mantém o mesmo objetivo. Jornalista e meio publicitário, Orellana doa-se completamente ao que se propõe fazer. A responsabilidade de compartilhar conosco as suas leituras sobre cinema Orellana assume consigo mesmo, e o resultado não poderia ser outro, senão dicas de ótima qualidade.

5 -
Uma romântica aguada, metida a moderninha (http://romantiquinha.blogspot.com/
) - A professora Priscila do Prado é uma amiga com quem tive o prazer de estudar junto. Em seu blog ela procura expressar o seu modo de ver o mundo: publica poemas, escreve sobre poemas, exprime poesia. Aguarda a chegada de um príncipe encantado que não lhe faça o mesmo que fizeram com Sóror Mariana Alcoforado. Ela até tenta manter os pés no chão, mas como viveria uma escorpiana se pudesse voar?

6 - blog do mauro gil... (http://maurogeomusica.blogspot.com/) - Mauro Gil mora ao pé do morro, e de lá às vezes sobe para ver o mundo, às vezes não. Ele tenta sair do pé do morro, mas o morro morreria se Mauro saísse de lá. Exagero? Ele está pagando para ver... Gaiteiro de Osório, procura aliar a música com a geografia, e sai para tocar nos bailes da região. Mas ele quer tocar sua gaita para além de onde não se possa mais enxergar o morro...

7 - ALTERNATIVA de Letras (http://alternativadeletras.blogspot.com/) - Esse é um blog novo. Dependendo de quando for acessado, capaz de ter pouquíssimas postagens. Mas, por que inclui-lo nessa lista? Pois esse blog propõe-se a um diálogo entre alunos do Pré-Vestibular Popular Alternativa e professores da área de Letras. Projeta-se que professores de língua portuguesa e de línguas estrangeiras, bem como professores de literatura brasileira e redação que ministram aula nesse espaço possam transpor os limites da sala de aula e do conhecimento compactado que geralmente é operado em aulas para pré-vestibulandos.

8 - Filosofia de pára-choque (http://paticastro.blogspot.com/) - Como fiz todo esse rodeio para falar de blogs de amigos, nada mais justo que finalizar com o blog que me presenteou com o selo da corrente. A minha amiga partiu de uma deixa da Martha Medeiros para batizar o seu blog metamorfoseante. Ela voa de BH para todos os lugares, seja apenas sentada numa cadeira de bar bebendo ou seja indo pessoalmente (bebendo?). Colega nordestina que veio pro sul que veio com uma idéia na cabeça mas sem uma câmera na mão, errando de bar em bar e procurando não achar... Oiêêê...


Em todo o caso, não deixem de conferir os blogs pareceiros que acabaram não sendo citados entre os oito...


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6 de maio de 2009

"CONTRA"


Ela tinha pressa de deixar o escritório, afinal, era aniversário do marido. O fim da tarde enfumaçava-se com o frio que despontava, um frio que prometia ser rigoroso essa noite, como ela conferiu na previsão do tempo pela TV de manhã antes de sair de casa. Era necessário ela estar informada sobre tudo, pois para essa noite ela tinha planejado todos os detalhes para a festinha familiar. Apenas ela, o marido e o filho, mas seria uma festinha perfeita para a família perfeita, pensava ela. A empregada tinha sido orientada para caprichar na arrumação da casa e deixar a comida e os doces prontos e, assim que tudo estivesse pronto, ela poderia ir para casa. À noite, conforme planejado por ela, seriam apenas os três, a família perfeita. Ela demorou muito para conseguir se desvencilhar do escritório onde trabalhava; ainda restava buscar o filho na escolinha, e tentar chegar antes que o marido em casa. Teria que se apressar.

Um rapaz estava para atravessar a rua, levando em seus braços seu filho. O rapaz tentava proteger o bebê do frio, preocupado que estava em chegar logo em casa. Tanto pela saúde do filho, daquela forma exposto ao frio, quanto pelo cansaço do pai, depois de um dia de trabalho pesado em obras. Próximo à faixa de pedestres, o pai falava para o bebê que logo chegariam em casa, ao mesmo tempo que tornava a arrumar os agasalhos que protegiam o bebê. Nesse trajeto entre o trabalho, a creche e a casa, o rapaz acostumara-se a pensar sobre as contas da casa, sobre como ele e a esposa venceriam mais um mês; também pensava que, se pudesse, trabalharia menos para passar mais tempo com a familia. Ora, divagava ele, se trabalhasse menos e passasse mais tempo em casa, não precisaria mais deixar seu bebê até tão tarde na creche. Mas ele sabia que esse cálculo não dava certo no final; era preciso trabalhar, e cada vez mais, para poder sonhar com dias melhores. Ele na verdade não se queixava, sua pequena família era feliz ao seu modo, embora sempre tivessem vontade de aproveitar os momentos juntos cada vez mais. Estava frio, esfriando cada vez mais. Logo, logo estariam junto à esposa e mãe, que os esperava, como de costume.

Eis que o automóvel está em alta velocidade, e sua motorista está muito atrasada; ela tem que buscar o filho na escolinha e, ainda assim, tentar chegar em casa antes do marido para lhe preparar a surpresa, afinal, se a família está bem ou não, ela encara como sendo responsabilidade sua a harmonia da casa; é preciso chegar a tempo em casa, antes do marido, para que a surpresa planejada por ela ocorra nos conformes. Seria ótimo se ainda conseguisse chegar em casa antes da saída da empregada, apesar de que, pelo avançado da hora, dificilmente chegaria a tempo de encontrá-la; seria melhor confirmar com a empregada se não houve problemas com a arrumação da casa ou com a comida, para que não haja imprevistos; ligar ou não para a empregada, pedir para ela esperar ou não?, ela interroga-se, ao mesmo tempo que prevê perder tempo ao ligar, visto que o marido estará prestes a chegar em casa, possivelmente antes dela e do filho caso ela não se apresse. É preciso que saia tudo perfeito, tudo foi meticulosamente planejado para ser uma festinha perfeita de uma família perfeita, portanto, ela não pode se demorar mais...

Ela cogita ligar para a empregada e procura o telefone. De soslaio ela procura o telefone sobre o banco e tateia a bolsa. Afinal, ela está com pressa, e em alta velocidade. Nessa procura, a direção escapa por um segundo – um mísero segundo! – e, ao recuperar o controle, o carro vai em direção a um homem, com... com uma criança no colo. No auge das possibilidades, ela consegue pensar na possibilidade de frear e desviar, o que provavelmente chocaria o carro contra um muro ou um poste, inviabilizando os seus planos. Mas ela não pode. A noite tem que ser perfeita, ela pensa, ao mesmo tempo em que acelera; mais. Pela manobra operada, ela desvia seu automóvel branco o mínimo possível do homem e seu filho, embora não o suficiente para que o carro venha a encostar-se em ambos. E, dada a velocidade do automóvel, bastaria esse toque para ouvir-se um estouro que os arremessou para longe. Ela não olhou para trás. Tampouco se preocupou em prestar ajuda. Nos dias seguintes também não procuraria em jornais referência alguma sobre o ocorrido. Era necessário pegar o filho na creche e chegar antes que o marido em casa. Ela corta as ruas tomadas pela névoa branca, ela não podia se atrasar mais, ela tinha planejado uma festinha perfeita.
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23 de abril de 2009

Programa de Lutas: hoje e há um ano


Dia 22 de abril tive a oportunidade de acompanhar, como parte do Encontro Estadual de Educadores e Educadoras das Escolas da Reforma Agrária do Rio Grande do Sul, uma palestra sobre estudo e debate da Conjuntura Agrária e o MST, com João Pedro Stédille e Ivonete Tonin. É parte de um grande avanço a universidade federal estar acolhendo esse tipo de debate que, na verdade, propicia um princípio de democratização do conhecimento. A academia torna-se um espaço tanto de ensino como de aprendizado quando é ocupada pelos movimentos populares, re-significando, portanto, a própria idéia de universidade. Assim, são postos como elementos condicionantes para o êxito da consolidação de sonhos materializados em projetos de mudança:

- luta social;
- organização;
- conhecimento.

Stédile, em sua fala, destaca a necessidade que se impõe à luta pela reforma agrária em se unir com outras frentes de luta para derrotar o sistema neoliberal. Ou seja, as diversas frentes de luta não podem continuar isoladas; o momento histórico exige que se retomem pautas específicas como parte de um projeto maior de sociedade, mais amplo. Trata-se de um dos grandes desafios daqueles que contestam o sistema vigente, conforme Ivonete abordou. Cada postura e cada reivindicação transpassam um projeto de sociedade que se deseja, portanto, eles devem estar concatenados com um projeto maior para o modelo que se quer. Em jogo se coloca a necessidade de um projeto coletivo, unificado a partir dos mais diversos anseios das classes populares.

As mudanças que se almeja não se tratam, necessariamente, apenas de reformas de base. As mudanças que por ora se almejam podem ser mais profundas no que diz respeito aos modelos de sociedade; ou seja, deve-se continuamente se questionar que tipo de homens e mulheres serão formados por uma nova sociedade, que valores, que ética e que moral. O que não significa, por sua vez, contentar-se com o que está posto. Acreditar em um futuro melhor é constitutivo do ser humano, é o que faz com que nosso corpo e nossa mente não seja apenas um aglomerado de carne e ossos esmorecidos.

É nesse momento de crise que costumam se desenhar grandes mudanças; e cabe a cada um decidir o seu papel, seja de espectador ou de protagonista dessas mudanças. Pois cada um de nós é responsável pelas escolhas que tomamos. O porvir será construído a partir do desejo dos protagonistas do processo, e cabe aos protagonistas vislumbrarem o futuro e suas consequências, tanto positivas quanto negativas. Para uns e para outros, o modo de lidar com esses anseios de mudanças são diferentes: as contradições que se estabelecem são entre o descontentamento com o presente, mas ao mesmo tempo, um medo do desconhecido. E cabe ressaltar que lançar-se ao desconhecido é despersonalizar-se em meio à escuridão, apesar de tatear-se o tempo todo à procura de luz. Assim, lançar-se a um projeto cujas proporções são desconhecidas pode ser análoga à visão à beira do abismo: um misto de medo e fascínio...

Não deixe de acessar: http://www.mst.org.br/mst/home.php
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O MST hoje está em meio à criminalização dos movimentos sociais e o avanço do agronegócio; assim, enfrentam o bombardeamento midiático em relação ao caso no Pará, sem que haja o direito ao contra-argumento, bem como no que diz respeito ao fechamento das escolar itinerantes e o despejo de acampamentos. As informações que seguem abaixo são de quase um ano atrás. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. E o que mudou? O que continua na mesma?

NOTÍCIAS DO RIO GRANDE DO SUL

A dona Yeda é a encarnação da barbárie dos burocratas de plantão instalados em diferentes instituições da sociedade do RS. Lá estão eles, nas Universidades, nos Meios de Comunicação, nos Aparelhos Ideológicos e Repressivos do Estado com os seus Partidos (PMDB, PP, PPS, DEMOS, PTB...) etc. E agora o Ministério Público, com a sua "investigação" subsidiada em fontes contaminadas por ideologias ultrapassadas e desprovidas de princípios éticos, científicos e metodológicos, está perdendo legitimidade e confiança diante de uma cidadania plena.
O que me deixa indignada e perplexa, além da retórica do MP é o momento escolhido pela PM atacar o MST: ao amanhecer de um dia de inverno rigoroso com os campos cobertos de geada para desmontar os acampamentos. Só quem viveu ou vive no campo sabe que a intensidade de frio nesse horário é o mais intenso, tem-se a sensação que ele penetra no corpo atingindo até os ossos.
Essas incivilidades estão acontecendo por que o RS tem uma governadora com muita "sensibilidade", como foi propagado em sua campanha. O Rio Grande está mostrando as garras da sua "elite".
Nelly
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8783903740547413857&postID=6887972303826215733&isPopup=true&pli=1


zerohora.com
Confira, em fotos, o trabalho de remoção das famílias realizado pela BM em Coqueiros do Sul
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1980997.xml&template=3898.dwt&edition=10092&section=807
(link logo abaixo da reportagem “A NOVA FORMA DE COMBATE AO MST”)

Deputados criticam atitudes da Brigada Militar e do Ministério Público estadual
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Na Assembléia Legislativa, o líder da bancada do PT, Raul Pont, condenou a operação da Brigada Militar em dois acampamentos do MST e expressou preocupação com as sucessivas investidas da BM e do Ministério Público Estadual contra os movimentos sociais. “Este procedimento objetiva criminalizar os movimentos sociais”, denunciou. Pont também chamou a atenção para a manchete do jornal Zero Hora nesta quarta-feira, “MST sofre contra-ataque ao amanhecer”. “Qual foi o ataque? Qual foi a invasão feita ontem?” – questionou. A Brigada, acrescentou o deputado, não combate a violência nas cidades e tampouco faz policiamento preventivo, mas com a maior facilidade reúne 500 policiais para um contra-ataque a um ataque que não aconteceu num acampamento majoritariamente composto por crianças e mulheres. “Essa é a atual política do Estado”, resumiu Pont.
Na mesma linha, o deputado Dionilso Marcon disse que o governo do Estado e o Ministério Público têm raiva de pobre. “Vou pedir à Comissão de Direitos Humanos do Senado para interferir junto ao MP a fim de que este órgão deixe de perseguir os pobres”, anunciou o deputado que criticou ainda o MP por ter pouca disposição para apurar denúncias de corrupção no Detran e em outros órgãos públicos.
http://www.rsurgente.net/2008/06/deputados-criticam-brigada-e-ministrio.html

Acampados - episódio Coqueiros do Sul

Uma aula de vida e de sociedade para qualquer um...


Yeda Crusius manda coronel Mendes reprimir protestos contra corrupção no governo
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

"A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas, gás lacrimogêneo e spray pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para a frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano".
http://www.rsurgente.net/2008/06/baderna-provocada-por-gente-desocupada.html

"Os policiais, comandados pelo coronal Paulo Mendes, lançaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra o grupo e atingiram, inclusive, os deputados Raul Carrion (PcdoB) e Dionilso Marcon (PT), que acompanhavam a marcha e tentavam negociar e liberação pacífica da manifestação".
http://www.rsurgente.net/2008/06/yeda-crusius-manda-coronel-mendes.html

Brigada Militar Agride Manifestantes em Porto Alegre


Do site da Assembléia Legislativa do RS I

“Manifestantes não podem ser tratados como delinqüentes. Impedir o acesso deles à Praça da Matriz é incompatível com o Estado Democrático de Direito e com a Constituição”, alertou, acrescentando: “o primeiro ato deste novo Conselho criado para gerenciar a crise foi entregar a polícia ao coronel Paulo Mendes, uma pessoa sem condições de dirigir a Brigada Militar devido a sua visão truculenta, que confunde manifestantes com delinqüentes e criminosos. Esta política é de responsabilidade dos partidos que assumiram este Conselho”.
http://www.al.rs.gov.br/ag/NOTICIAS.ASP?txtIDMATERIA=204995&txtIdTipoMateria=3

Enquanto isso...
Veiculação das notícias na RBS TV

(Reportagem especifica a partir de 05:34)

Do site da Assembléia Legislativa do RS II
"Durante o período do Grande Expediente, o deputado José Sperotto (DEM) prestou homenagem à empresa Aracruz Celulose. Dois assuntos dominaram os debates na tribuna: o confronto ocorrido hoje entre manifestantes e a Brigada Militar em Porto Alegre e as denúncias que envolvem o governo federal na venda da Varig".
http://www.al.rs.gov.br/ag/NOTICIAS.ASP?txtIDMATERIA=204998&txtIdTipoMateria=1

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22 de abril de 2009

"Zeitgeist" e "Zeitgeist Addendum"

"Zeitgeist", do alemão: "Zeit", tempo, período, época, era; e "Geist", espírito, mente e até fantasma. "Espírito de época", talvez seja uma boa tradução desse termo que dá título a dois documentários recentes. Esses dois filmes se propõem a desmistificar e a revelar verdades ocultas. Ou seja, sua tese é de que a nossa realidade é fundada sobre grandes mentiras e ilusões, mas que, como são arraigadas em nossa cultura ou nosso modo de ver o mundo, passam como naturais. Assim, a religião, a política e a economia são temas destrinchados ao longo desses documentários...

Muita gente já viu; se você ainda não viu, não perca tempo... O debate está em aberto...

Zeitgeist (2007)


Zeitgeist Addendum (2008)


"Ninguém é mais escravo do que aquele que falsamente se acredita livre", diz Goethe.

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15 de abril de 2009

Efabulações a respeito do segundo volume da Poética de Aristóteles


Uma cena que acho engraçada pertence ao filme “Eu, eu mesmo e Irene”. Em determinado momento do filme, a personagem é tomada por um acesso de fúria ao ver um carro ser estacionado na vaga reservada para deficientes. No que o motorista entra rapidamente na vaga e, logo em seguida, no estabelecimento comercial, a nossa personagem resolve agir violentamente contra o carro. Eis que, a tomada seguinte mostra o motorista devolvendo o carro a um senhor, digamos “todo emparafusado”, ou seja, o dono do carro. Outra tomada, o carro está completamente demolido, e nosso protagonista urina sobre os destroços do carro. Vejamos: o nosso riso não se dá necessariamente em função de personagem A ou B. Fora de contexto, haveria um cara nervoso, um cara apressado e um deficiente físico; nenhum deles motiva-nos a rir em função de suas características.

O riso se manifesta através de um “reconhecimento”: o foco no protagonista, o carro que estaciona, o enfoque à vaga para deficientes, a fúria do protagonista (em que recuperamos o enredo do filme), e a violência dirigida à destruição do carro são ações que preparam a tomada do deficiente saindo da porta acompanhado do motorista. É esse o momento do riso, pois reconhecemos a peripécia: uma desmedida decorre do impulso do herói que age movido pelo senso de justiça, tornando-se patético pelo “acaso”. Na verdade, ao recorrer a essa cena cômica, me move imaginar os conceitos que Aristóteles teria levantado na segunda parte da Poética.

De fato, ao final da parte VI, o filósofo grego promete retomar na sequencia questões sobre a comédia, o que não se concretiza. Embora a busca pelo volume II da Poética tenha suscitado múltiplas hipóteses (e em O nome da Rosa, de Umberto Eco, teríamos talvez a mais famosa), não há a prova de que Aristóteles teria escrito tal tratado. O que não invalida, de forma alguma, que tracemos hipóteses da suposta segunda parte da Poética. Quaisquer que sejam as incursões no campo hipotético acerca do volume dois da Poética de Aristóteles, acredito que não se deve distanciar-se das postulações à tragédia e à epopéia, bem como curtas referências à própria comédia que há no texto aristotélico que temos em mãos.

As partes qualitativas da tragédia de Aristóteles, em ordem de importância, são a) a fábula, b) as personagens, e c) as falas, que correspondem ao objeto da mímese. Na mesma sequencia, d) as idéias e e) os cantos, correspondente aos meios da mímese. E, por fim, f) a encenação, modo da mímese. Assim posto, o elemento central da tragédia é a fábula, ou talvez melhor, o enredo, a disposição dos fatos. “Mais importante: a disposição das ações. Tragédia é a imitação de ações da vida, da felicidade e da desventura. A finalidade da tragédia é uma ação, não uma qualidade. A felicidade e a desventura estão na ação. O caráter determina como as personagens são, mas é de acordo com a ação que elas são felizes ou não”. Ou seja, a tragédia não se exprimiria em função da construção das personagens, suas características, mas em virtude de suas ações.

Se adotássemos o mesmo princípio para a comédia? Ou seja, a valorização do riso estaria no desenrolar das ações, e não nas personagens. Como assim? Bom, apesar da história poder fornecer inúmeros exemplos, a nossa era do cinema e televisão é rica o suficiente para buscarmos esses exemplos. Afinal, no mass media não nos confrontamos seguidamente com programas de humor que exploram estereótipos que não se enquadram em padrões pré-determinados de comportamento e beleza? Os gordos comilões, os novos ricos, as velhas taradas, os homossexuais, os homens e mulheres feios e burros, ou a mulher bonita mas idiota, e mais tantos outros que nos bombardeiam; tratam-se de arquétipos que não exigem uma fábula necessariamente, visto que os apelos escatológicos, sexuais e alimentares exploram exageros sempre ligados ao baixo ventre. Desse jeito, a própria personagem já é motivo de um riso fácil; fácil, como soltar um pum para um público.

Quando comecei fazendo referência a determinada cena de “Eu, eu mesmo e Irene”, imaginei um exemplo em que a disposição dos fatos sobrepusesse a importância das personagens. Um outro exemplo? “Adeus, Lênin”, outra comédia divertida e que não explora estereótipos alheios aos padrões sociais.

Aristóteles diferencia a tragédia da comédia através do objeto de imitação: homens melhores que nós são objetos comuns às tragédias, ao passo que homens piores que nós são objetos da comédia. Ou seja, a ética assume um papel preponderante na separação entre um e outro gênero. Ora, será mesmo que não poderíamos imaginar que Aristóteles inverteria a ordem de importância no caso da comédia, privilegiando assim as personagens? Os vícios que caracterizariam as personagens como inferiores a nós não estariam presentes em “comédias de enredo”? Levanto esse questionamento pensando justamente nos exemplos gregos, referentes à Comédia Antiga, cujo expoente temos cá sendo Aristófanes, e à Comédia Nova, cujo representante seria Menandro. Ao passo que o primeiro abusa dos vícios e exageros em suas personagens, no segundo parece termos personagens mais “reais”, mais palpáveis. É como se pudéssemos assinalar, ainda que correndo o risco do equívoco, que o primeiro privilegiaria mais a comicidade das personagens que o segundo. Por esse viés, a intriga seria o enfoque de Menandro (não imagino que seja por acaso que O Misantropo muito me lembrou as peças de Martins Pena). Será mesmo possível essa classificação?

Vícios e virtudes separariam os extremos da representação entre os homens: aos virtuosos, sua representação na tragédia; aos débeis, na comédia. No entanto, nesse entremeio, estamos nós, seres reais, tão virtuosos quanto débeis. Ao passo que a tragédia se apóie por vezes em nomes de pessoas que existiram, partindo-se da premissa de que “o que aconteceu é crível”, me parece que a comédia não recorreria tão seguidamente às pessoas reais, a não ser em casos de sátira – embora a sátira me sugira uma referência mais “presente” do que “histórica”. As personagens trágicas têm uma superioridade e, por seguinte, uma gravidade maior, por terem responsabilidades sobre cidades e povos: geralmente, os heróis trágicos são nobres, cujas ações e decisões recaem e propagam-se sobre muitas pessoas. De forma contrária, em geral, as personagens da comédia tendem a ser leves de responsabilidades, cujas ações e decisões recaem e propagam-se sobre elas mesmas ou sobre poucas pessoas.

Retorno à pergunta já feita antes: Será mesmo que não poderíamos imaginar que Aristóteles inverteria a ordem de importância no caso da comédia, privilegiando assim as personagens? Os vícios que caracterizariam as personagens como inferiores a nós não estariam presentes em “comédias de enredo”? Apesar de concordar que seja possível verificar padrões de intensidade quanto ao uso de vulgaridades constitutivas à construção de personagens para a comédia, prefiro supor que Aristóteles continuaria a valorizar a fábula nesse caso. As personagens de “comédias de enredo”, por mais que estejam próximas de nós (homens reais tidos como medida do padrão ético regido pela “aurea mediocritas”), ainda são vítimas da sua própria desmedida, seus vícios e fraquezas. A catarse trágica encontraria seu correspondente na gargalhada? E rir, na mais saudável das hipóteses, não seria decorrente de reconhecer nos exageros, vícios e tolices das personagens as nossas próprias fraquezas?

"Chega a ser bom de tão ruim, e é aí que mora o grande perigo"



Alguém já assitiu Carla Perez, a Cinderela Baiana (1998)???

"
Após amargar 80 minutos de diálogos canhestros, atuações dignas de teatrinho pré-primário e trilha sonora conduzida por grupos como Jheremmias Não Bate Córner, Cheiro de Amor, Jammil & Uma Noites e Cabelo de Fogo (os nomes dizem tudo) posso afirmar, com total propriedade, que Cinderela Baiana é a produção DEFINITIVA sobre drogas. Um filme corrosivo que deveria ser censurado para menores de 80 anos, devido à força subversiva de sua propaganda ideológica. Porque apregoa, em cada milímetro de película, as virtudes da estupidez, da falta de carisma e de personalidade como caminhos certos para a fama e o sucesso". [...]
Continua: http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/08/09/carla_perez_a_cinderela_baiana/

Não deixem de ver mais cenas de
Cinderela Baiana, incluindo-se a atuação de Alexandre Pires (que depois foi chorar pro Bush):
http://www.youtube.com/watch?v=2IyzA2wDCnw&feature=related

Contrubuições de Rômulo:
"eu adoro o fato que:
1- ela anda por aí vestida de odalisca
2- alguém dá um peteleco na gaiola pro passarinho fugir
3- as crianças tavam carpindo o asfalto
4- pauquenascetortonuncaseendireita é complemento da mensagem de paz".

§§§ Para quem tiver coragem (eu não tenho o sufuciente), o link para download:
http://www.filestube.com/d373f885f111638803ea/go.html