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25 de novembro de 2008

Novelas e jogo de aparências


Depois de tanto tempo sem TV, voltar a vê-la me permite ver certas coias que são óbvias, que todos vêem o tempo todo, mas nem sempre se dão conta. Um exemplo: como a maioria dos comerciais são babacas, e apelam pra que se consuma coisas tão fúteis, embora a propaganda tenha o mérito de torná-las essenciais para a vida de todos. Mas não é sobre isso que eu quero discutir agora...

Me surpreendeu quando me dei conta de uma das fórmulas novelísticas: o jogo de aparências. Em todo o início de novela, a situação é posta: esses são os bonzinhos, estes os vilões caricaturais, esses são os metidos a engraçadinhos, os casaisinhos 20, etc. Porém, em determinado momento, essa construção diegética é dissolvida em função do desvelamentos de segredos: pois na verdade, o fulano não é filho desses, mas daqueles, e ninguém sabia. Parece que, se não fosse a pobreza dos roteiros de novelas, as personagens poderiam passar o resto das vidas acreditando que eram filhos legítimos de quem os criou a vida inteira.

Mas o assunto novela me remeteu a um outro caso: quando estive em Osório, o comentário era sobre determinada personagem da novela das nove. "É um político poderoso e bastante temido. Veio de família pobre, mas conseguiu enriquecer através de trocas políticas e se tornou um homem rico e refinado. Não assume nem para si mesmo que é um canalha." Trata-se da descrição da personagem interpretada por Milton Gonçalves, na atual novela das nove.

"Nome de um, jeito do outro", seguidamente eu ouvia das pessoas com quem eu conversava. Lógico que eu não quero associar a idéia de jogo de aparências com as ilustres figuras na política osoriense. Posto que, dos processos que tanto um quanto o outro levam, vez ou outra, apenas o nobre deputado dos 143% foi condenado: ele e o seu padrinho político, o ministro dos pedágios, foram condenados por promoverem uma campanha de vacinação no diretório municipal do PMDB de Imbé. Dizem por lá, que ao ser entrevistado sobre a condenação, respondera: "Pelo povo, cederia a minha própria casa!".

O roteiro político de Osório deve estar bom, pois senão, caíriam logo as máscaras...

Um comentário:

Anônimo disse...

Palmas Berned! Bravo!

Belíssima crônica.Parabéns. Humor refinado, sutil, elegante. Digna de um Veríssimo da vida.

Esse blogo do Berned é um dos meus sítios favoritos. Recomendo!

Abraços,

Igor

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